Valter Casagrande
O time vencia apesar do Ramon. O time e os jogadores são bons, mas o padrão tático e coletivo são horríveis. O que dizer das substituições? As piores possível. Ramon é podre!
em Bate-Papo da Torcida > A Injustiça da Demissão e a Visão Limitada da Torcida: Uma Análise...
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A recente demissão de Ramón Díaz no Corinthians ecoou com força no Parque São Jorge, sucedendo a um período de resultados paradoxais. Apesar da eliminação nas copas diante de adversários que posteriormente se sagraram campeões em suas respectivas competições, o time protagonizou uma notável recuperação no cenário nacional, afastando a ameaça iminente do rebaixamento.
É preciso reconhecer a perspicácia de Ramón ao indicar reforços que, dentro das limitações financeiras, mostraram-se valiosos. Carillo surgiu como uma grata surpresa no meio, Martínez personificou a garra no meio-campo e Angileri trouxe consistência à lateral esquerda.
Ademais, o técnico argentino demonstrou habilidade em resgatar o futebol de Rodrigo Garro, que vivenciava um momento de baixa a ponto de perder a titularidade com Antônio Oliveira. Transformou Yuri Alberto, antes alvo de críticas, em um artilheiro cobiçado. Soube proteger Memphis nas críticas do começo da temporada, preparando-o para o retorno aos gramados.
Mesmo enfrentando uma pré-temporada exaustiva devido aos compromissos na Libertadores, Ramón implementou um rodízio eficaz, preservando a condição física do elenco ao longo do Campeonato Paulista. Nesta competição, o Corinthians alcançou a melhor campanha, superando o Palmeiras de Abel que era o grande favorito. Venceu o Palmeiras em sua própria casa, encerrando um jejum de títulos que persistia por seis anos, mesmo com jogadores importantes como Garro e Hugo atuando com limitações físicas.
Na Copa do Brasil, a derrota para o poderoso Flamengo pode ser relativizada, assim como o revés diante do Racing, campeão da Sul-Americana. Em cinco derbys disputados, sofreu apenas uma derrota.
Apesar de um ataque promissor, a defesa apresentava fragilidades significativas, sendo considerada uma das piores entre os grandes clubes do país. Contudo, Ramón conseguiu extrair o máximo do elenco disponível.
A insistência em Félix Torres, titular de sua seleção e estatisticamente superior a André Ramalho, foi alvo de críticas. No entanto, a alternativa seria Cacá, um jogador instável e emocionalmente frágil. Mateusinho só sabe correr, enquanto Angileri teve poucas oportunidades, forçando a utilização de Bidu e Hugo em grande parte da temporada.
A situação envolvendo Rodrigo Garro, que infelizmente se envolveu em um trágico acidente que resultou na perda de uma vida, foi gerenciada sicmón com sensibilidade. O próprio jogador expressou publicamente sua gratidão pelo apoio recebido. Diante da lesão de Hugo, a aposta em um jovem da base não se concretizou, mas era uma decisão compreensível diante da iminente recuperação do titular.
A maioria das escalações de Ramón encontrava aprovação da torcida. Nas poucas alterações questionáveis, as opções no banco de reservas eram limitadas. A intensa sequência de jogos do Campeonato Paulista cobrou um preço alto, resultando em seis titulares lesionados. Duas derrotas no início do Brasileirão culminaram com sua demissão.
Em 60 jogos sob o comando de Ramón Díaz, o Corinthians obteve um aproveitamento de 60%, com um saldo de gols positivo.
Diante do exposto, embora Ramón Díaz não seja um técnico de vanguarda, sua demissão parece injusta. Merecia mais respaldo e a oportunidade de trabalhar com o elenco completo, incluindo o retorno de Garro.
A tristeza pela sua saída não é apenas pessoal, mas pelo Corinthians, que novamente arca com uma rescisão onerosa e se lança em uma nova aposta incerta. A comissão técnica representava uma pequena parcela dos problemas estruturais do clube.
Sem reforços significativos e a manutenção do ataque, o Corinthians enfrentará dificuldades na luta por uma vaga na Sul-Americana. A persistente crise administrativa, liderada por um presidente questionável, agrava o risco de rebaixamento e o aumento de uma dívida já preocupante.
A visão de parte da torcida sobre a solução dos problemas do clube demonstra uma compreensão limitada da complexidade da situação.
Lamento a decisão tomada e reafirmo que Ramón Díaz terá sempre meu respeito,
Que São Jorge nos proteja!
