Baltazar Silva
Eu já estou chegando a um ponto ou que as coisas mudam, ou a torcida se junta e tenta uma solução, ou melhor desisto de vez e aí deixo quem quer ver as coisas assim feliz e sigo o meu rumo.
Não sou o tipo de pessoa de ficar só lamentando mas ficar dando murro em ponta de faca, se não dá certo, partir para outra coisa na vida.
Lógico que não vai ter como os 35 milhões de corintianos irem a uma manifestação, muitos trabalham, até são empregados de conselheiros, outros moram longe, aí também não vai arriscar a perder o emprego por causa de futebol. Mas ter algum jeito de se unir mesmo.
Agora o f0d4 é que aqui o pessoal ao invés de ficar um incentivando o outro a dar ideia prefere desistir e ficar lamentando. Parece um balde de caranguejos que um está para achar a saída e o outro puxa para baixo.
em Bate-Papo da Torcida > Entre a cruz e a espada
Em resposta ao tópico:
É exatamente assim que estamos.
Caso se confirme o afastamento definitivo de Augusto Melo, diante das graves acusações que pesam contra ele, o que nos resta é assistir – de camarote – ao velho jogo de cartas marcadas no Parque São Jorge. E logo ali, à espreita, Andrés Sanchez e sua velha turma se preparam para retomar o trono. Talvez tragam um novo nome, uma nova narrativa, uma logo repaginada... Talvez mudem os rostos que aparecem nas câmeras, mas os bastidores, os velhos hábitos, os vícios de sempre... Esses continuam.
A dura verdade é que, dentro do clube, os honestos são uma espécie em extinção. A minoria das minorias. E nós? Nós, torcedores, iludidos, ainda acreditamos que temos alguma voz. Pura ilusão. Gritamos, protestamos, escrevemos textos como esse... E no fim, tudo segue igual.
Vai aparecer quem fale em SAF. Mas quem, em sã consciência, colocaria dinheiro de verdade em um clube afundado até o pescoço, e permitiria que continuassem os esquemas, os conchavos, os bastidores podres? A quem realmente interessa uma SAF? Certamente, apenas ao torcedor comum. E mesmo se vier, com as estruturas atuais, será apenas mais um rótulo bonito para esconder as velhas práticas.
A verdade crua, nua, indigesta:
Não tem SAF, não tem salvador, não tem plano de recuperação, não tem milagre.
Enquanto o fundo do poço não for atingido, nada vai mudar. E talvez, nem mesmo o fundo seja suficiente para abrir os olhos de quem se recusa a enxergar.
O Corinthians é gigante. É o amor de milhões. Mas está sendo dilacerado por dentro.
E a gente, sem poder, só assiste. Entre a cruz e a espada.
Sangrando.
