Jackson Nobre
Ruins para o tamanho do Corinthians, quem está resolvendo são alguns poucos jogadores e não esquema tático
em Bate-Papo da Torcida > Ramon e Emiliano são bons ou ruins? Uma análise de cabeça fria
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O Corinthians vive uma fase de transição desde a saída de Fábio Carille. O clube, historicamente conhecido por um futebol reativo e defensivo, decidiu mudar seu estilo de jogo para algo mais ofensivo e fluído. Essa transição, no entanto, tem sido marcada por sucessivos fracassos e tentativas frustradas de implantar um novo modelo de jogo.
O modelo que rendeu muitos títulos ao Corinthians era baseado em uma defesa sólida e placares magros. A torcida e a diretoria, porém, se cansaram dessa abordagem e buscaram uma revolução. Tiago Nunes foi contratado com a missão de implementar um futebol mais ofensivo, mas não obteve sucesso, mesmo contando com jogadores indicados por ele, como Luan e Cantillo.
Desde então, o clube apostou em treinadores com histórico de futebol vistoso em outros clubes, mas nenhum conseguiu reproduzir esse sucesso no Timão. Durante dois anos, o time brigou contra o rebaixamento e passou por temporadas conturbadas, sem vitórias em casa e fora das principais competições nacionais e internacionais.
Foi nesse cenário que a família Díaz assumiu o comando técnico, sem tempo para treinar, mas precisando encontrar um esquema tático vencedor rapidamente.
Apesar das dificuldades iniciais, Ramon e Emiliano indicaram reforços importantes, como Carrillo, e conseguiram estabelecer um padrão de jogo. O time, que antes era burocrático e previsível, passou a jogar de forma mais ofensiva e envolvente. Após eliminações frustrantes na Copa Sul-Americana e na Copa do Brasil, a equipe engrenou, empilhando vitórias e marcando muitos gols.
A virada de ano, porém, trouxe novos desafios. Sem pré-temporada adequada e com jogos a cada três dias, o time não conseguiu manter o mesmo nível físico e emocional. Para piorar, o principal jogador de 2024 retornou de férias lesionado e demorou mais de um mês para estrear na temporada, ainda sem recuperar sua melhor forma.
Ainda assim, o Corinthians fez uma primeira fase de Campeonato Paulista excepcional, terminando na liderança com folga — algo que não acontecia desde os tempos de Carille.
Porém, nos jogos da Libertadores, Ramon voltou a errar na escalação e nas alterações, tentando implantar um esquema não treinado. O resultado foi mais uma eliminação precoce. Mas, apenas três dias depois, o Corinthians venceu o Palmeiras fora de casa, dessa vez sem invenções na escalação.
Isso levanta um questionamento: quando segue um padrão tático estabelecido, Ramon Díaz consegue fazer o time render. No entanto, suas tentativas de mudanças táticas sem treinamento adequado acabam comprometendo o desempenho da equipe nos momentos decisivos.
Ramon Díaz não é o melhor técnico do mundo, mas também está longe de ser o pior. Ele conseguiu algo que vários outros falharam: transformar o estilo de jogo do Corinthians sem comprometer os resultados. No entanto, a falta de tempo para treinar a equipe e sua insistência em alterações táticas sem preparação adequada são pontos negativos.
Com mais tempo e espaço para desenvolver um trabalho a longo prazo, talvez ele pudesse criar variações táticas mais eficientes, equilibrando melhor os momentos de ataque e defesa. Por enquanto, a avaliação deve ser equilibrada: nem gênio, nem vilão — apenas um treinador que tenta fazer o Corinthians evoluir dentro de um cenário desafiador.