Miquéias Silva
Não é de hoje que o calendário brasileiro é duramente criticado por profissionais do futebol.
Composto por campeonatos regionais, copas nacionais e internacionais e um extenso campeonato nacional de pontos corridos, times que avançam de fase são penalizados com números excessivos de jogos.
O Corinthians por exemplo, não chegou à nenhuma final em 2024, mas competiu em 73 jogos durante a temporada. A título de comparação, 19% a mais que o badalado Manchester City da Premier League, que disputou tudo na temporada 23-24 e fez apenas 59 jogos na temporada.
A situação é agravada se pensarmos nas variações de temperatura e no país de dimensões continentais que é o Brasil. Há ainda ideias questionáveis da CBF, como marcar jogos às 11h00 em pleno verão. O efeito é óbvio — desgaste dos jogadores, perca da intensidade em campo e maior risco de lesões.
Em 2025, esse cenário será ainda pior. Com o novo Mundial de Clubes da Fifa entre 15 de junho e 13 julho, os clubes terão menor tempo de pré-temporada e de intervalo entre os jogos. O Timão por exemplo, poderá disputar Campeonato Paulista, Pré-Libertadores e Brasileirão simultaneamente no mês de março. O executivo de futebol Fabinho Soldado já revelou a possibilidade de usar o elenco sub-20 nas primeiras rodadas do Paulistão.
Obviamente as federações estaduais e a CBF não estão dispostas a reduzir o número de jogos, pois o maior interesse é na renda obtida com tantos jogos.
Não percebem porém, que um menor número de jogos, melhoraria a qualidade do jogo e traria maior visibilidade à Liga, diminuindo um pouco a crescente lacuna entre o jogo disputado no Brasil em comparação ao Velho Continente.
Mas até que se crie essa consciência, a busca por títulos em 2025 não ocorrerá somente dentro de campo, mas será uma disputa entre o melhor planejamento de fisiologia, medicina e gestão de elenco dos clubes.
em Bate-Papo da Torcida > A Insanidade do Calendário Brasileiro Elevada ao Nível Máximo


