Sérgio Ohno
Infelizmente, por mais que muito torcedor não entenda, ele tem razão nesta questão. O clube é uma empresa privada criada e mantida, a princípio, pelos seus sócios, composto de vários departamentos de esportes, dentre eles um de futebol. Como não sou sócio do clube, não sei se ele seria viável ou não sem a receita do futebol profissional que, se traz arrecadação, também tem despesas elevadas e que, provavelmente, causaram a sua dívida atual.
Assim como em tantos clubes esportivos existem sócios de todos os tipos que compram títulos e pagam mensalidades para poder frequentar as instalações físicas. Isso não significa que, necessariamente, eles torçam pelo clube em qualquer de suas modalidades esportivas. Conheço sócios que não torcem para o Timão mas pagam e frequentam o clube.
Já a torcida apaixonada contribui indiretamente pagando ingressos e comprando serviços ou material esportivo esporadicamente. Mesmo o associado FT paga uma mensalidade de cerca de R$ 25 contra R$ 200 que são pagos pelos sócios do clube (8 vezes mais).
Fazendo uma analogia, se o Timão fosse a Coca Cola, os sócios seriam seus acionistas (que compraram ações e tem direito a voto) enquanto os torcedores são os consumidores.
Por mais que um consumidor seja apaixonado pela Coca Cola, e consuma diariamente, ele não tem direito a voto nas decisões da empresa. Isso cabe única e exclusivamente à Diretoria e aos acionistas. Se a Diretoria resolver, por exemplo, mudar a cor de vermelho para azul e os acionistas aprovarem, os consumidores nada podem fazer a não ser parar de consumir (isso aconteceu muitos anos atrás quando a Coca resolveu mudar a fórmula do refrigerante e as vendas despencaram. Ela voltou para a fórmula original não pela vontade dos seus consumidores mas por conta da queda na receita).
A única forma de torcedores terem voz dentro do clube é se tornar sócio, pagar mensalidade para ter direito a voto e apoiar internamente quem defenda o que é melhor para o clube ou mesmo se candidatar para um cargo diretivo ou no Conselho Deliberativo.
É preciso entender que existem os estatutos do clube e a única forma de se alterar passa necessariamente pela aprovação do Conselho Deliberativo, inclusive a questão do direito a voto para associados FT. Dificilmente isso vai passar como muitos pedem já que, como comentei acima, um sócio paga 8 vezes mais por mês que um associado FT tendo, portanto, devendo seu voto valer o mesmo proporcionalmente. Mesmo assim, me parece que se houverem 80 mil associados FT eles venceriam facilmente uma eleição contra 5 mil sócios que imagino ser o total atual.
em Bate-Papo da Torcida > E se essa fala de que o clube não é da torcida for uma estratégia?
Em resposta ao tópico:
Sobre a fala do cara do conselho, que disse que o Corinthians não é da torcida, é do associado.
Augusto Melo foi eleito a menos de um ano atrás pelos associados, com praticamente o dobro dos votos do concorrente. Então essa tentativa de golpe, não é também, de certa forma uma afronta a eles? Será que os associados tão ok com isso tudo?
Aí eu fico pensando, se o conselho tiver batendo de frente com torcida, associados, jogadores, presidente e praticamente qualquer ser vivo que se importe com o Corinthians... Será que essa fala não pode ter sido uma tentativa de criar um pequeno conflito entre dois grupos (torcedores e associados) que tão insatisfeitos com eles? (Imaginos que pra eles seria mais tranquilo ter dois grupos opositores brigando entre si, do que contra o conselho). E além disso, dá a ideia de que eles estão do lado dos associados, representando seus interesses, o que pode ser também uma tentativa de conseguir apoio.
Será que faz sentido?



