Claudio Nascimento
Estava neste jogo... Uma chuva danada... E a PM fez parecer que houve confusão entre torcidas, não havia separação na época, ficavam misturados Corinthianos e Santistas... Mas era a PM distribuindo pancadaria e cacetete buscando a apreensão da faixa... As imagens deste jogo foram recolhidas pela Ditadura... Nunca consegui localizar qualquer vídeo dos gols dessa partida com Sócrates (C) 1x0, João Paulo (S) 1x1 e Palinha (C) 2x1... E foi um jogaço... Tempos de Repressão...
em Bate-Papo da Torcida > Quem é CBF pra torcida que encarou a ditadura Militar?
Em resposta ao tópico:
Era para ter sido um domingo de futebol como outro qualquer aquele 11 de fevereiro de 1979. Como é comum no verão de São Paulo, a tarde foi muito quente, e uma forte chuva caiu para amenizar o calor. O dilúvio que desabou dos céus não impediu, porém, que, às 17h, Corinthians e Santos entrassem em campo para disputar uma partida válida pela sétima rodada da segunda fase do Paulistão de 1978 — que se estenderia até junho, com o Peixe sagrando-se campeão.
Como dizíamos, seria uma tarde normal de clássico no Morumbi não fosse um zumzumzum na imprensa esportiva já há alguns dias e, até, em parte das arquibancadas. Afinal, jornalistas que cobriam o campeonato vinham sendo avisados de que uma surpresa estava sendo preparada para ocorrer pouco antes do confronto. O que nem todos sabiam era que, em meio à arquibancada, a torcida do Timão traria uma novidade: uma manifestação política dentro do estádio.
&Ldquo;Eu era amigo de dois dos envolvidos e fiquei sabendo! Eu tinha até os detalhes! ”, lembra o hoje colunista da Folha de S.Paulo Juca Kfouri, à época editor da revista Placar . “Os idealizadores do ato, meus colegas de Abril Antônio Carlos Fon e Chico Malfitani, haviam avisado que abririam uma faixa contra a ditadura.”
O protesto ocorreu como idealizado por Fon e Malfitani e planejado nas reuniões do CBA (Comitê Brasileiro pela anistia), do qual Fon e o engenheiro Carlos MacDowell faziam parte. Quando a equipe corintiana entrou em campo, capitaneado pelos dois jornalistas e pelo engenheiro, um grupo de torcedores desfraldou a faixa com um recado aos militares no poder em Brasília desde 1964: um pedido de anistia ampla, geral e irrestrita.
Com o estádio abarrotado por quase 109 mil pagantes, foi difícil para a Polícia Militar impedir a ação. Até porque integrantes da torcida organizada gaviões da Fiel barraram qualquer tentativa dos agentes de reprimir a manifestação e capturar os envolvidos.
Como havia sido combinado, antes mesmo de Sócrates abrir o placar para o Timão, aos 26 minutos, enquanto o Corinthians dominava a partida e chovia a cântaros, a faixa era recolhida e escondida. A história do protesto, porém, não se resume ao ato em si. Ela começou semanas antes, em reuniões separadas, como era comum entre os opositores ao regime militar. Fon, 73 anos, Malfitani e MacDowell, ambos com 68 anos, lembram como foram aqueles dias.
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MUITO RESPEITO CBF, STJD, stf e qualquer outra instituição sem história fora das quatro linhas. Não nos calaram nem com canhões.

