Eric Balbinus
Um texto da Letícia Beppler no X exorta a torcida a ser mais criteriosa com as informações que consome, já que a camarilha que comandou o Corinthians por dezesseis anos botou seus quinta coluna em campo para sabotar a nova gestão. Letícia menciona especificamente o episódio cuca, sugerindo que Augusto Melo sabe que seria mexer em um vespeiro - sobretudo pelo momento delicado do time.
Tudo isso é verdade, registre-se. Sabemos que certos jornalistas muito isentos militam contra o clube em prol de uma gangue. Sabemos que durante a campanha mais suja da história até o poder público foi utilizado como móvel de luta pela quadrilha que destruiu o Corinthians, e que hoje concentram seus esforços em tumultuar o ambiente.
O problema nem é eles. O problema é que a nova gestão preferiu o populismo, a lacração e o amadorismo. A queima mais rápida de capital político da história fez um presidente aclamado pela maioria terminar o primeiro mês de gestão com a pecha de mentiroso e aventureiro cercado por trapalhões.
Daí que, por mais que se reconheçam os fatos apresentados por Letícia, não dá para conceder crédito total a esta diretoria que apresenta a mesma firmeza de uma biruta de aeroporto. O simples fato de submeter a escolha de um treinador ao crivo das torcidas organizadas já demonstra a fragilidade no planejamento e capacidade deste grupo. Onde está Fabinho Soldado? Onde está o choque de gestão? Aliás, a consulta popular já é problemática nos governos por sugerir em muitos casos populismo ou fraqueza a depender do contexto (El Salvador e Venezuela são só alguns exemplos, agora é Milei que ameaça recorrer a este dispositivo). Imagine em um clube de futebol seu presidente submeter decisões de sua alçada ao jugo de agentes externos? Seria para se livrar da responsabilidade ou por falta de capacidade? Não sabemos.
O fato é que se o grupo de Augusto e o próprio apresentassem outro comportamento poderíamos confiar plenamente em suas palavras, mas infelizmente o que é dito por eles não se escreve. É letra morta antes de ser concebido, já que no dia seguinte (ou menos de 254 horas) é possível se estabelecer uma rota totalmente diferente. A torcida não pode confiar nos quinta colunas, mas também não pode confiar no que diz a gestão. Nosso calvário é esperar que as boas e más notícias se materializem.
Vivemos a agonia prevista por Carl von Clausewitz em seu afamado conceito da 'névoa da guerra', tão caro a geopolítica e ciência política como um todo. Ele definiu este estado de confusão permanente como caracterizado pela falta de conhecimento do que ocorre durante uma guerra, com a incerteza que cada lado possuí sobre as capacidades e planos do inimigo. Descreve também o caos entre forças aliadas quando ordens são mal interpretadas, quando no campo de batalha não se vislumbra com clareza as capacidades inimigas e as próprias. Por pior que seja a realidade, é melhor se inteirar sobre ela do que atingir o próprio amigo com um tiro de canhão.
O que o torcedor do Corinthians vive é uma crise de confiança, já que mesmo entre aqueles considerados ídolos temos quem se importe mais com pretensões pessoais que com o Corinthians. Há quem faça jogo de interesses de empresários, quem vai empregar amigos enquanto finge profissionalismo, os jornalistas que vivem do caos e até quem esteve no bolso da R&T dando contribuições para a ruína por meio de terrorismo retórico. Acresça a isso os antis fazendo a festa e nossa liderança perdida em assuntos básicos. Em que vamos nos amparar? Nossa única certeza, por ora, é que este inferno ainda perdura por algum tempo.
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