Flávio I.
Bom texto do Calçade. Tenho de ser honesto e confessar que, aos poucos, fui percebendo o perfil centralizador do Gobbi e que isso nunca é benéfico ao clube. O marketing foi um dos setores mais prejudicados, eu acho. O que obviamente prejudicou nosso faturamento (deixamos de ganhar mais).
Digo ''aos poucos'' com lamento, porque sei que alguns usuários já haviam falado isso faz tempo, mas eu não pensava dessa forma ainda.
em Bate-Papo da Torcida > Política x planejamento - Paulo Calçade (Estadão/ ESPN)
Em resposta ao tópico:
Link: http://esportes.estadao.com.br/noticias/geral, politica-x-planejamento-imp-, 1587111
Transcrição:
A luta pelo poder no Corinthians impediu que a eleição do substituto do presidente Mário Gobbi fosse antecipada de fevereiro para dezembro. Ao tentar encurtar seu próprio mandato, o dirigente trabalhou para ajustar o processo eleitoral às necessidades da agenda do futebol.
A divisão política do Conselho Deliberativo criou um vazio institucional que só trará prejuízos ao time, a menos que uma borrifada de bom senso se espalhe pelo Parque São Jorge nos próximos dias.
A situação é inadmissível para um clube tido como profissional, recentemente campeão brasileiro, sul-americano e mundial. Esse, porém, é o custo da realidade. Permeia a maioria das instituições futebolísticas do País, nas quais o jogo brusco da política é mais saboroso e disputado do que o enfrentado nos gramados.
Palmeiras, São Paulo, Santos, Vasco, Flamengo, Grêmio e tantos outros vivem ou já viveram esse drama. São peças do mesmo tabuleiro. Esses movimentos e suas contradições são fundamentais para a saúde da democracia dessas instituições. Pena que a voracidade das batalhas interfira no campo de jogo.
O contrato de Mano Menezes termina em dezembro, e o treinador já sabe que não vai ficar. A 30 dias do encerramento do Brasileiro, o Corinthians, como qualquer outro clube, já deveria ter desenhado a estrutura do próximo ano e engatilhando as contratações necessárias, da gestão da equipe aos nomes do gramado.
Mas o planejamento continua a ser uma dessas utopias do esporte brasileiro, mesmo para quem chegou ao topo e criou a falsa impressão de que teria competência para manter-se por lá durante um bom tempo. Hoje o Corinthians possui dívida gigantesca produzida por um estádio que ainda nem foi concluído.
Triste é não saber como será tocada a pré-temporada em janeiro. Há quem defenda o controle dos treinamentos pelos profissionais fixos da comissão técnica corintiana. O problema não está na capacidade de Sylvinho, ex-lateral do clube, ou de Fábio Carille, gente bastante competente. A questão central é que modelo adotar até a chegada do novo treinador.
Esses treinamentos não são apenas uma forma de migrar os jogadores do modo férias para o modo competitivo. Não podem ser tratados como se não houvesse sentido lógico e tático empregado à movimentação inicial após as férias.
A pré-temporada com aquela visível subdivisão das atividades em módulos físicos, técnicos e táticos já está superada. A velha periodização, transportada do atletismo para o futebol, perdeu a validade, apesar de muito empregada por aqui. Hoje o estado competitivo é atingido por meio de práticas com bola, criadas para reproduzir o jogo com fidelidade.
Instável como seus adversários, o Corinthians precisa iniciar o ano sabendo exatamente do que precisa. A menos que os candidatos à presidência do clube definam o substituto de Mano antes da eleição, o clube ganhará a taça do amadorismo apenas dois anos depois do título mundial.
Figura rara entre os cartolas, Gobbi veio, viu, sentiu as alegrias e as tristezas de comandar a nação corintiana, e promete nunca mais se meter com a administração do futebol. De estilo centralizador, fez o clube recuar em vários pontos, como na gestão do marketing, fundamental na ampliação das receitas e da marca Corinthians, que faturou mais com o rebaixamento do que com a Libertadores, o grande sonho de sua imensa torcida.
No período em que teve Luís Paulo Rosemberg na diretoria, a agremiação transformou vexame e tristeza em dinheiro vivo.
Quando deu a volta por cima, no momento de alcançar outro patamar graças aos feitos inéditos, voltou à vidinha normal. São os percalços da política interna, ao mesmo tempo saúde e doença dos clubes brasileiros.