Gabriel Silva
O torcedor que esteve na Neoquimica Arena assistiu a um bom jogo. Viu o Corinthians atacar bem no primeiro tempo, ser incisivo e finalizar a gol sempre que possível. E ainda melhor, fechou bem os espaços e não ofereceu oportunidades claras ao rival.
Enquanto muitos criticam Gil e Bruno Mendez no gol do empate, vejo uma falha defensiva do Giuliano, que deu todo tempo e espaço do mundo para Veiga levantar a cabeça e escolher onde cruzar a bola. Descemos para o vestiário sem a vantagem que seria fundamental para a sequência do jogo.
No segundo tempo, logo no início, tomamos a virada, agora sim, ao meu ver, numa falha defensiva de Gil - e Roger Guedes, que não atacou o espaço por onde a bola passou.
E lá fomos nós subir a montanha novamente. Dessa vez, nos lançando ao ataque circulando a bola, triangulando e criando jogadas. A parte da criação de jogadas esbarra no meu ponto da Renato-dependencia.
Quem esteve no estádio viu Renato Augusto como um maestro em campo. Esteve em todos os lugares do campo. Driblou, fez jogadas individuais, procurou os companheiros para tabelar, tirou o time da pressão do rival, finalizou, criou chances para outros finalizarem, deu (muita) bronca em Romero, Fausto e Guedes para corrigir suas movimentações, enfim, só faltou fazer chover.
Renato joga tanto futebol que alguns jogadores não acompanham seu raciocínio. Gênio é assim. O problema é: por quantos jogos na temporada poderemos contar com a maestria de Renato? Ele vai conseguir atuar em seu nível nos grandes jogos que faremos nessa temporada? E nos jogos menores, quem será o gênio que fará o time jogar?
São muitas perguntas que pairam na cabeça do torcedor, na minha inclusive, mas talvez apenas uma pergunta precise ser feita ao Fernando Lázaro: será que não é o caso de montar outro sistema de jogo para quando Renato não jogar? Será que, com jogadores que não tem um pingo do brilhantismo de Renato, não podemos/devemos “simplificar” nosso jogo para tentarmos ser mais efetivos, especialmente em jogos fora de casa?
Bom, fica aqui o registro de uma vitória que deixamos escapar por entre os dedos, num jogo em que fomos melhores, mas não o suficiente.
Gabriel Américo

