Laércio Becker
Hoje vamos folhear revista oficial do Corinthians publicada em setembro de 1940, com esta bela capa:
Pelas contas do professor Celso Unzelte, essa seria a quarta edição corinthiana, sendo as anteriores de 1937,1935 e 1933, que vimos aqui:
Já constava como diretor da revista Antonio de Almeida, também conhecido por Antoninho d’Almeida. Lembrando que, depois, ele foi o redator até o nº 132 da grande série de 139 números que resumimos aqui:
Ou seja, quando ele resolveu publicar a história do clube em 1976 e 1979 (veremos isso mais tarde), tinha quatro décadas de experiência direta, testemunhando o quotidiano do Corinthians. Grande Antoninho... Tirando os poucos textos assinados por terceiros, aparentemente ele escreveu quase toda a revista. E assinou um poema (“Ao meu Corinthians”) e uma letra para valsa (“Corinthiana”), que o @tiago.santos65 publicou aqui:
Quanto ao futebol, há uma crônica de De Vaney sobre Neco, que conta um episódio curioso. Diz que, num jogo entre cariocas e paulistas pelo campeonato brasileiro de seleções, um porteiro barrou o ídolo corinthiano na entrada do estádio botafoguense de General Severiano. Porque Neco “poderia parecer um abastado comerciante, um professor de geografia, um químico de renome, um diretor de banco, menos um jogador de futebol”. Ao se identificar, o craque ainda teve de ouvir do porteiro:
- Ora, vá saindo de banda, seu moço, antes que eu chame a polícia. Então o senhor, com este jeitão todo, é Neco, o afamado Neco lá de São Paulo? Tem graça! Aparece cada camarada!
A revista tem um artigo de Pimenta Netto contando a trajetória de Brandão. Ele foi do República para o Barra Funda, Juventus, Portuguesa e, a partir de 1935, brilhou no Corinthians, onde atingiu o apogeu de sua perfeição técnica. O autor reconhece que, em 1940, ele já não estava mais em sua melhor fase. Mas termina pedindo à torcida que voltasse a apoiá-lo, para que ele pudesse “recuperar todas as grandes qualidades que o fizeram um gigante da cancha, do porte de Rubens e Amílcar”.
Também de Pimenta Netto, há uma análise da participação corinthiana no Rio-São Paulo desse ano – que foi interrompido quando o Corinthians estava em terceiro lugar. A crônica veio acompanhada da foto do time na época:
Infelizmente, em suas 44 páginas, só tem essa foto do futebol. Quer dizer, mais uma: a deste dente-de-leite... Marrentinho?
Ainda sobre futebol, há uma pequena homenagem a Del Debbio, ao massagista Rocco Cardone e ao diretor Januario Montanari. E algumas curiosidades, entre as quais se destaca um pequeno artigo sobre o “futebol canindé”, uma espécie de pelada, disputada sem regras, na sede do clube. Inclusive sem limite de jogadores, podendo ser até 50 ou 100 (!). Era tanta gente que uma vez Brandão se aventurou a participar, ficou duas horas até desistir, porque simplesmente não conseguia nem chegar na bola. Sorte dele não se lesionar, pois ali “um dedo quebrado, isso não é nada, continua o jogo”.
De resto, notas sociais, notícias sobre a evolução patrimonial e outras atividades do clube, como a academia (“gymnastica”), o atletismo...
... O voleibol, a pelota basca, a natação, o polo aquático, o basquete (“bola ao cesto”)...
... E três páginas contando a história do remo corinthiano:
A propósito, no trigésimo aniversário do Corinthians, a Segunda Guerra Mundial completava um ano. O Brasil ainda estava neutro, mas o clube já tinha o seu Tiro de Guerra para formação de reservistas: a Escola de Instrução Militar 71.
Por fim, em OFF, esta propaganda de lubrificantes...
... Que, na época, até poderia ter inspirado uma pioneira Pterossauros da Fiel , mas...
em Bate-Papo da Torcida > Revista oficial do Corinthians, 1940





