Paulo Ferreira
É natural em todo clube os jogadores mais experientes e com mais tempo de casa receberem maiores cobranças por se esperar deles uma liderança, perfil esse que em campo não se nota muito em jogadores como o Cássio e o Gil que parecem mais influenciáveis do que influenciadores, uma vez que crescem quando o time está na crista da onda e parecem se abater nas fases ruins.
Também é comum que jogadores experientes com bom tempo de casa, ainda mais todos do mesmo setor, demonstrem cobrança mais forte em cima de outros companheiros do que entre eles mesmos, seja por amizade, por acharem que já são bem grandinhos pra saberem quando falham sem ninguém precisar apontar ou por algo inerente do ser humano que é agir diferente com parças do que com novatos.
Dito isso, é preciso saber separar críticas de desempenho e comportamentais de teorias criadas do nada como supostas panelas para se derrubar técnicos ou envenenar um grupo inteiro pra se arrastar em campo.
Cássio e Gil não tem o mesmo desempenho de quando estavam no auge, comentem falhas que antes não cometiam e pelo tempo de titulares recebem mais cobrança até em jogos que não falham e veem colocadas nas suas contas as lambanças de companheiros.
O curioso é que nessa suposta panela em tese deveria constar o Fagner também, mas nesse caso o torcedor passa pano por saber que não existe um reserva minimamente capaz, enquanto acredita que nas posições do goleiro e do zagueiro haja margem para testes, além do fato que o Fagner, por ser lateral, não fica plantado sob a trave ou na área e eventualmente acaba participando de uma jogada de gol na frente, enquanto os outros dois geralmente saem na foto bem mais quando o time sofre tentos do que quando anota.
Feitas as ressalvas sobre desempenho, que não está abaixo da média do resto (embora também não esteja acima), todo mundo que cobre o clube sempre destaca o ambiente e a boa recepção a novos atletas. Vez ou outra surgem rumores a respeito da insatisfação com a carga de treino, mas nunca isso é trazido à tona como ação de apenas dois jogadores e em campo poucos aguentam correr independente da idade ou tempo de casa.
É inacreditável como a molecada sobe da base sem condição física e como jogadores recém-contratados parece que vão piorando após seus primeiros jogos, mesmo quando vem do futebol chinês.
No final das contas, não é necessário criar teorias, a explicação para o péssimo desempenho físico e atraso tático do Corinthians de uns anos pra cá se dá por uma razão muito simples: os dirigentes desde a saída do Tite em 2016 passaram a considerar o comando técnico como cargo supérfluo.
Anos apostando em estagiários, técnicos de 3º escalão ou amigos sem currículo geraram no grupo de jogadores, ainda que com mudanças graduais de peças ao longo das temporadas, uma cultura de comodismo, baixa cobrança interna, padrão estático e todos os vícios que hoje não tem mais como disfarçar.
O clichê da imprensa de jogar o problema na conta da média de idade do elenco também não ajuda em nada, pois um time como o Real Madrid, com média ainda maior e com os medalhões recebendo salários bem mais altos, voa em campo, de modo que é preciso parar de se arrumar desculpas e realizar as mudanças traumáticas necessárias para trazer o time ao futebol de intensidade que o mundo pratica nessa década.
É preciso dar um basta em análises preguiçosas do tipo - 'tem de escalar a molecada' - 'tem de banir a panela' - 'tem de escalar 3 zagueiros' - 'tem de escalar Fulano e não Cicrano' - porque essas situações só fazem algum sentido quando alguma coisa está funcionando minimamente e se nota problemas pontuais, diferente de agora que nada está funcionando.
Também é preciso que emocionados parem de botar pilha para 'fechar a casinha' aos primeiros sinais de problemas defensivos enquanto se tenta ensinar o time a marcar na frente.
A mudança inegociável e mais do que necessária é de postura, de conceito, fazer o time abandonar o cerca frango estático em linhas baixas e aprender a jogar com imposição, atacar a bola, chegar primeiro, dividir, desarmar etc. Pra isso tem de aguentar correr, pra correr tem de aumentar a carga física, ao aumentar a carga física aparecem contusões pontuais e tudo isso com a temporada em andamento, pois temos patetas com delay dirigindo a instituição.
em Bate-Papo da Torcida > Cássio e Gil podem ser cobrados, mas não são as raízes de todos os...
