Guilherme Cabral
Sempre que pensamos em Corinthians, pensamos em raça e vontade. Independente da geração e do elenco, esse fator sempre foi determinante para o guerrilheiro que optava por vestir o sagrado 'Manto Alvinegro'. Voltando o olhar ao passado isso se torna ainda mais nítido, basta olhar para Rivellino, Zé Maria, Sócrates, Marcelinho Cariosa, Emerson Sheik e todos os outros que sujaram a camisa de barro ou sangue ao pisar no gramado representando toda a Fiel Torcida.
Sou muito novo, mas sempre fui apaixonado por futebol. Fui introduzido ao Corinthians quando meu pai vibrou com a chegada do Ronaldo Fenômeno, e ali fez questão de me levar ao Pacaembu para entender o que é o Timão. Nas arquibancadas, sentia meu coração acelerar a cada gol e agonia que o time passava, mas me encantava realmente com a identificação da torcida com os jogadores em campo. Não tínhamos um elenco de craques e estrelas, mas tínhamos atletas que entediam o peso de ser Corinthians, e ao ver meu pai, na época um entregador de pizza que largou o sonho de ser jogador ao encontrar a paternidade muito cedo, vibrando com os hinos e me abraçando a cada gol, fez eu me sentir em casa no meio do 'Bando de Loucos'.
Nas dores e nas conquistas, tínhamos o prazer de ver o time jogar. Se derrotados, víamos jogadores sentindo a derrota com o desespero e a ambição de dar a volta por cima. Se vitoriosos, víamos estes mesmos atletas abraçando a torcida como uma família. Mas hoje, o que sinto assistindo o Corinthians de 2022, é um time individualista que, com poucas exceções, jogam sem compreender o que significa a história de nosso clube.
A raça não era só pelo futebol, mas toda uma nação. Tivemos guerrilheiros em pró da democracia no período da ditadura. Um time que não abraça a elite, mas sim aqueles que seriam engolidos pela sociedade, e que por amor, faz loucuras para acompanhar a batalha de cada dia em todo campeonato que seja. Essa loucura não é por amor platônico, mas sim pela reciprocidade que nossos atletas sempre demonstraram em campo.
É sangue no olho, é tapa na orelha, é o jogo da vida e o Corinthians não é brincadeira.
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