Antonio Pinheiro
O Corinthians fez contratações monstruosas no segundo semestre do ano passado que, até então, surpreendeu muitos torcedores que achavam que o time iria encarar um segundo turno de Brasileiro na luta contra o rebaixamento. É o que com certeza iria acontecer se não fosse a chegada de jogadores que fizeram a diferença e alavancaram o Coringão e tornaram o time num dos melhores do país em 2021. Corinthians saiu da zona intermediária da tabela para a zona da Libertadores, se classificando direto para a fase de grupos. Um grande feito com certeza, apesar do treinador estar aquém dos jogadores, principalmente dos recém chegados.
No entanto, muito se fala do Corinthians estar, agora que com grandes reforços, no mesmo nível de Atlético-MG, Palmeiras e Flamengo. Pessoalmente acredito que ainda falta algo a mais para o nosso Timão estar de igual para a igual com eles, que é uma característica que o nosso Corinthians campeão da Libertadores e Mundial tinha de sobra: experiência e aprendizado com a derrota. O Corinthians de 2012 foi adquirindo essa experiência ao longo de dois anos, desde 2010, perdendo aquele campeonato brasileiro nas últimas rodadas e ficando em terceiro lugar, atrás de Fluminense (campeão) e Cruzeiro. Logo no começo do ano seguinte, 2011, a amarga derrota para o Tolima da Colômbia fez os comandados de Tite criar o que eu chamo de casca, que não é nada mais que a experiência que ganhamos com a derrota, aprendemos com ela mais do que se tivéssemos ganhado de primeira, ou seja, ganhamos duas vezes: o aprendizado e o próprio prêmio de conquistar um campeonato. E o time de Tite não ganhou apenas um, mas vários títulos usando essa experiência que só a derrota pode proporcionar: Campeonato Paulista, Brasileiros, Continentais, Mundial, etc.
Vejo que esse é o caminho, a longo prazo, para um time continuamente vitorioso. O time atual, por mais que tenha em seu elenco vários jogadores experientes e com rodagem, não sabe o que é perder junto, a vivência e o cotidiano e o fardo da derrota no Corinthians atual, como também o seu treinador. É necessário que o time passe por essa experiência para adquirir a 'casca', isto é, a experiência. Podemos tirar em outros momentos essa mesma lição. Em 2001 o Corinthians perdeu uma final de Copa do Brasil contra o Grêmio que estava praticamente ganha (curiosidade: o treinador do Grêmio naquela época era Tite) e no ano seguinte, em 2002, ganhou a Copa do Brasil e mais o Rio-São Paulo. Antes ainda, em 1997, Coringão quase foi rebaixado no Brasileirão, fungindo da degola na última rodada contra o Grêmio lá no Olímpico, até então casa do tricolor gaúcho. E nos dois anos posteriores se sagrou campeão Brasileiro, sendo que em ambos dominou por completo a fase de classificação ficando em primeiro lugar durante todo o campeonato e coroando todo esse período com o título mundial em 2000.
Usei de exemplo sempre o nosso Timão, mas existem vários outros, com outros times que aprendendo com a derrota tornaram-se times vencedores. Não escrevo esse textão exaltando a derrota em detrimento da vitória e da conquista de títulos, como se eu preferisse ver o Corinthians perder os campeonatos que irá disputar esse ano ao invés de vê-lo ganhar. Não. Apenas enxergo, num cenário de perda de título ou eliminação, não uma coisa totalmente ruim, podendo, como já está explícito, que o Coringão pode tirar coisas boas se souber usá-la em seu favor como foi em outras épocas. Apenas isso.
Se vier títulos esse ano: muito bom, irei me juntar a Fiel e comemorar, mas se não vier, acredito que se continuar o mesmo time e com o mesmo projeto e planejamento, logo mais veremos o Timão vencedor novamente e com muito mais autoridade em suas conquistas.
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