Rafael Morais
Tópico lindo, irmão!
Dá vontade de emoldurar na parede da sala.
Não discordo de você. Essa premissa de que é preciso saber usar bem o que tem, sem tentar fazer as peças se adaptarem aos poucos sistema de jogo que o treinador limitado conhece, deveria ser o básico da gestão de elenco.
O triste é notar que o clube, responsável pela contratação e manutenção desses treinadores, sequer sabe o que quer da vida. Será que selecionam o técnico com base em uma filosofia de jogo trabalhada em todos os níveis da categoria de base (para que o material humano seja abundante)? Será que estudam antes os diferentes trabalhos desse treinador para verificar se ele seria capaz de trabalhas com as peças atuais, que tem determinadas características bem definidas?
Eu acredito piamente que a resposta para as duas perguntas é um sonoro NÃO.
Se o processo já começa errado, as chances de permanecer incorreto são imensas.
Abraços
em Bate-Papo da Torcida > A falta de criatividade dos treinadores brasileiros
Em resposta ao tópico:
Bom dia nação Corinthiana.
Uma coisa me incomoda há uns bons 4 anos. A falta de criatividade, de ideias e de atitude por parte de nosso treinadores (e de grande parte da mídia esportiva, mas essa carece de boas ideias há muito mais tempo; são engomados que, por transmitirem futebol, se acham grandes entendidos do assunto; nunca entraram em um vestiário, nunca deram um treino, nunca sentiram a pressão de ganhar ou perder um campeonato). Se isso é culpa da falta de respaldo que o futebol brasileiro para com eles, eu não sei e isso não vem ao caso (pelo menos não nesse tópico).
Recentemente vi o treinador do Palmeiras, Abel Ferreira, ser trucidado na mídia por ter jogado com um esquema que continha três zagueiros. É até estranho falar 'três zagueiros'. Parece uma expressão que há muito tempo ficou enterrada no passado, como supimpa, batuta ou patavinas. Enfim... Liguei a televisão para assistir ao jogo da Champions League entre Chelsea e Real Madrid. Qual era o esquema dos dois times? Pelo menos aquele que aparece na televisão antes do jogo mostrava o time espanhol em um 3-5-2 e o inglês em um 3-4-3. Olha só que interessante... Aqui no Brasil não pode? É proibido?
Faz tempo que o Corinthians não tem pontas que saibam, de fato, jogar como pontas. O último 'grande' nome dessa posição foi Ángel Romero. Isso mesmo, aquele paraguaio que não sabia, de fato, jogar muito bem, mas fez da raça seu ponto forte e acabou galgando seu espaço, de forma merecida, diga-se de passagem. Passamos por Clayson, Everaldo, Marquinhos Gabriel, Marlone, Giovanni Augusto... Agora temos os elegantes Otero e Leo Natel. A minha pergunta é básica: se não temos pontas, por que jogar em um esquema que exige pontas?
Tivemos excelentes centroavantes durante nossa magnífica história. Recentemente, e 'menos recentemente', fomos agraciados com Guerrero, Liedson, Ronaldo, Jô (aquele que estava em forma), Nilmar... Mas houve períodos em que os centroavantes não corresponderam. Lembram-se de 2012? Tivemos que jogar com 2 atacantes de velocidade porque nosso camisa 9 de ofício, Liedson, o ligeirinho, não estava em boa fase. O treinador soube adaptar o time para jogar em um esquema diferente: 2 volantes, 2 meias e 2 atacantes. Num passado mais próximo desses fatídicos anos de 2020/21, aconteceu algo parecido: perdemos o Jô para o futebol japonês e nosso treinador, Fábio Carille, adaptou o time à nova realidade. Jogou com 2 atacantes de velocidade mais abertos, Romero e Vital (que às vezes era Pedrinho e Romero ou Vital e Pedrinho) e dois meias chegando ao ataque, Rodriguinho (que saudades) e Jadson.
Hoje não se faz mais isso. Noventa por cento dos times brasileiros jogam com pontas abertos, um centroavante e um meia centralizado. Basta fazer uma análise rápida. Quando um treinador chega em um time novo, ele pede 'jogadores de velocidade pros lados do campo' e também um centroavante brucutu para dividir bola com os zagueiros adversários. Será que não dá pra adaptar o esquema de jogo aos bons jogadores que há em outras posições no time? Dou nosso próprio exemplo. Jô está em má fase e Otero e Natel não conseguem fazer essa profundidade esperada dos pontas abertos. Além disso, o reserva imediato do Jô, Cauê, não demonstra estar pronto para assumir o posto. Ainda, temos alguns jogadores que poderiam formar duplas de ataque interessantes: Luan e Mosquito, Varanda e Luan, Varanda e Mosquito... Arrisco até dizer Natel e Luan, ou Natel e Mosquito. O Natel não é um ponta, mas tem velocidade e um bom chute, características de um segundo atacante. Enfim, não estou dizendo que esses jogadores dariam certo, mas são tentativas, mudanças de modelo e ideias diferentes, coisas que o Corinthians precisa para ontem.
Só mais um ponto: vimos 2 bons zagueiros vindos da base, Raul Gustavo e João Vitor. Por que, então, não jogamos com 3 zagueiros? Acredito que uma defesa com Gil, Raul e João seria bastante sólida e liberaria os laterais (o Piton não é um grande marcador, mas chega com efetividade ao ataque). É uma alternativa. Por que não tentar, por que não testar? Nosso futebol está engessado, preso a ideias que deram certo no passado mas para equipes específicas. Isso não é regra.
O futebol é arte, e arte exige criatividade.
Tenham um ótimo final de semana e mantenham os cuidados. Grande abraço e VAI CORINTHIANS!
