Rafael Teixeira
Sou contra o punitivismo latente na imprensa esportiva ao se tratar protestos de torcida. É o outro lado da moeda da paixão e, individualmente, quem passar do limite da lei deve ser punido. A conversa sobre isso é muito mais profunda e merece até alguns livros para debatê-la. Vou me centrar no efeito do que se passou no Aeroporto de Guarulhos.
Em um grupo tão diverso de jogadores do Corinthians, alguns vão reagir mal, piorando seu desempenho, e outros vão reagir bem, melhorando o seu desempenho. É uma questão humana de performance sob diversos tipo de pressão. Minha questão com o que aconteceu é que a torcida, em si, não poderá mostrar o seu outro lado.
Sem a presença da galera nos estádios, o apoio quase incondicional que marca o Corinthians mesmo nos piores momentos não será contraponto aos protestos. Por exemplo: duas semanas depois da invasão ao CT Joaquim Grava, em 2014,25 mil pessoas foram ao estádio do Pacaembu apoiar o time em um clássico contra o Palmeiras, empatado por 1 a 1.
Uma semana depois, mesmo com o time sofrendo contra o Rio Claro, o atacante Paolo Guerrero, que perdeu gols incríveis e havia marcado apenas uma vez nos últimos seis meses, teve seu nome entoado pelos presentes no Pacaembu. O recado era claro: 'somos passionais e erramos, mas vamos fazer o nosso papel'.
Os exemplos citados se multiplicam pelos mais de 110 anos de história do clube do Parque São Jorge, mas, em 2020, não irão acontecer pelos simples fato de que as torcidas estão impedidas de entrar no estádio. O fator campo e o apoio não farão parte deste Brasileiro e, para mim, isso pode ser um sado mais negativo do protesto.
Quando entrarem em campo diante do Bahia, nesa quarta-feira, os jogadores verão a arquibancada vazia e não receberão o apoio para fugir dessa situação. Essa ausência será ainda mais sentida depois de um momento tão intenso
Interessante sua reflexão, mas qualquer coisa, se faltar motivação é só eles darem uma conferida na conta bancaria que rapidinho eles se motivam.
Nunca vi ameaças a atletas resolverem a situação. O time é fraco, com alguns valores individuais, mas em má fase. Sem entrosamento, preparo físico e esquema tático. Protesto sim. Agressão nunca. Exigir troca de jogadores é um direito, porém não há dinheiro. Então temos que cobrar a diretoria. Passamos vergonha com contas e salários em atraso. Uma base que pouco revela e que quando aparece um jogador mediano, temos que correr para vender e tapar buraco (além de dar dinheiro para empresários). Contratamos 500 volantes meia boca e nenhum jogador de criatividade. Então não dá para culpar o time por tudo é sobretudo, não devemos agredir ninguém. Afinal se cada trabalhador que cometer falha no serviço tomar tapas na orelha, garanto que não aceitariam.


