Scadufax
O conceito de terra arrasada, se aplica especialmente a momento de conflitos e combates, onde o objetivo é destruir qualquer coisa que possa ser proveitosa ao inimigo, e dessa forma em determinada área. Desta forma, minimiza-se as chances de recuperação do adversário, que sem recursos, sofre para sobreviver. Bem, o Corinthians não é um caso de terra arrasada. Há conceitos e ideias que podem sim se aproveitadas, mas, estão sendo mal executadas e é preciso melhorar muito, antes de qualquer coisa.
O jogo de ontem é emblemático. O Corinthians teve mais posse de bola, trocou a maioria dos passes dentro do campo do adversário e chegou a chutar 21 vezes. Mas, com uma troca de passes lenta e previsível, o Fortaleza não teve dificuldades em marcar a equipe de Tiago Nunes. E isso se reflete nas chances reais criadas pelo time alvinegro.
Até levar o gol do Fortaleza, no início do segundo tempo, o Corinthians teve apenas DUAS chances reais de gol. Uma com Léo Natel, finalizando de fora da área, e outra com Fagner, aproveitando uma invertida de jogo de Sidcley. Fora essas duas grandes chances, o time pouco criou. Tocou a bola sem velocidade, sem objetividade. Isso fica claro, na troca de passes entre Gil, Avelar, Cantillo e Ederson, que ficavam rodando a bola, mas sem conseguir aquele passe agudo, que deixaria os atacantes corinthianos na cara do gol.
Veio o segundo tempo, e além do mais do mesmo do time de Tiago, o gol do Fortaleza. Isso obrigou o Corinthians a ser mais ofensivo. Não quer dizer que obteve êxito em fazer pressão. Apesar das oportunidades de Avelar, que obrigou Felipe Alves a defender mais uma vez, e a bola de Luan na trave (ambas no mesmo lance), até o gol de Luan, o Corinthians pouco ameaçou o Fortaleza.
E após anotar o segundo gol, o previsível time de Tiago Nunes, mesmo com as substituições, além de não melhorar, o 11 corinthiano não ofereceu mais perigo ao gol adversário. O Corinthians, tentando criar uma pressão com a bola, errava passes e oferecia contra-ataques ao Leão do Pici. E viu o Fortaleza criar 3 chances reais de gol, e por sorte, e por conta da pontaria não tão afiada da equipe do Fortaleza, não tomou o segundo tento.
Em um resumo geral, o Corinthians finalizou 7 vezes ao gol, obrigando Felipe Alves a realizar boas intervenções em apenas 3 oportunidades. Enquanto isso, o Fortaleza que acertou o alvo apenas 3 vezes e finalizou em 10 tentativas, teve ao menos 4 ou 5 oportunidades reais de gol. Além disso, durante os 90 minutos, o Corinthians pouco pressionou seu adversário para tentar a retomada da bola. A equipe marcava, e esperava o time do Fortaleza errar, mas sem forçar um erro, sem criar dificuldades ao adversário. Isso, ofereceu espaços ao time visitante em quase todo o segundo tempo.
A posse de bola, no campo do adversário, pode se considerar uma evolução da ideia de jogo de Tiago Nunes. Mas, essa posse, com pouca velocidade, com pouca intensidade (como pregava Tite) não se traduz em um bom futebol. O Corinthians também precisa ser mais intenso, quando não tem a bola. Pressionar em busca de uma retomada rápida da posse, ou ainda, visando forçar um erro de um adversário.
Acredito que não é hora de pensar em uma troca de treinador, até porque, contra o Coritiba (ainda que um adversário mais fraco) o time mostrou boas ideias. E não seria bom para a equipe a essa altura, uma troca no comando. Creio que, especialmente ontem, o maior problema foi a postura dos jogadores, que entraram em campo como se o placar marcasse 3 a 0 a favor desde o início. E o trabalho de Tiago, mostra melhoras, de fato. Mas, se quiser sonhar com alguma coisa ainda, é preciso ter mais intensidade, mais ousadia e personalidade.
Domingo tem clássico, e como diz o ditado: clássico não se joga, se ganha. Esperar pra ver.
em Análise dos jogos > Corinthians não é terra arrasada, mas falta personalidade