Francisco Córdula
Era o ano da graça de 1978, o dia e o mês tive que pesquisar, pois já não me lembrava (26/11/1978).
Era a decisão do primeiro turno do campeonato Paulista daquele ano, denominado Taça Cidade de São Paulo, na prática só valia isso mesmo, uma taça, pois não dava nem o direito do Campeão estar na final do campeonato.
Mas fato é que, aquele jogo ganhou tal proporção, mexeu com a cidade de tal modo, que lembro de ter comprado o ingresso numa quinta feira - o jogo foi num domingo - na antiga sede da Federação Paulista de Futebol, na Av, Brigadeiro Luiz Antonio, e guardei até o dia do jogo como se fosse um troféu.
Naquela época eu, do alto dos meus 16 anos, achava que não seria nada demais ir ao jogo sozinho, uma vez que os amigos que costumavam ir comigo, não poderiam ir por motivos diversos.
Me lembro, que minha mãe, tão cuidadosa, fez de tudo para que eu desistisse de ir aquele jogo, sem sucesso.
Muito embora, já tivesse ido a vários jogos do Corinthians, sozinho ou com amigos, ela mesmo sem entender muito bem sobre futebol, sabia pelo burburinho das pessoas que aquele jogo seria especial e muita gente ira, tudo levando a crer que teria Morumbi cheio.
A expectativa era enorme e na semana que antecedeu ao jogo, só se falava nisso, me lembro que até no programa do Chacrinha (Velho Guerreiro) o jogo repercutiu.
Naquele tempo o programa do Chacrinha passava na Band, era exibido ao vivo nas noites de sábado, direto do Teatro Bandeirantes, que por coincidência era na Av. Brigadeiro Luiz Antonio, e me lembro das Chacretes (dançarinas) nesse sábado que antecedeu o jogo, vestidas com as camisas do Corinthians e do Santos, e o tempo todo o chacrinha falava do jogo.
No dia do jogo sai de casa logo cedo, lembro de ter chegado ao Morumbi por volta das onze da manhã, acho que os portões foram abertos as onze e meia, o jogo estava marcado para as dezesseis horas.
O dia estava ensolarado, entrei no estádio e obviamente estava praticamente vazio, me posicionei próximo de onde costumava ficar a Gaviões da Fiel, não era associado, nunca fui, mas gostava de ficar próximo, onde a festa era maior.
As horas foram passando, estádio enchendo, enchendo, o espaço das torcidas era dividido meio a meio, mas quase sempre o Corinthians ficava com a parte maior, poruq iam aumentando os gomos conforme a demanda.
Quatro da tarde, Morumbi lotado não, abarrotado, foi aí que percebi que até o final do jogo, não poderia me mover não teve como sair no intervalo, nem pra ir no banheiro, nem ir na lanchonete, nada, tinha que ficar no lugar que estava não tinha como sair.
O jogo foi tenso, foi nesse campeonato que surgiu a famosa tabelinha Palhinha-Sócrates, era sensacional.
No primeiro tempo, pênalti para o Corinthians, marcado pelo lendário árbitro DULCIDIO WANDERLEI BISCHILIA, nesse mesmo lance o CLODOALDO, foi expulso. Zé Maria (o SUPER ZÉ) perdeu o pênalti, para dar mais frisson ao jogo.
No final a vitória veio com um gol de Palhinha, faltando dez minutos para o final do jogo.
o público anunciado foi um assombro, 120.000 torcedores no Morumbi.
No final muita festa da torcida, a Gaviões havia distribuído cerca de vinte mil apitos na arquibancada, eu peguei um, no final do jogo estava rouco, todo queimado de sol e exausto, mesmo para os meus 16 anos foi demais. Mas sai do estádio feliz e realizado, com mais um espetáculo, do time e da torcida.
Ps. Naquele tempo era demais na entrada do Corinthians em campo, muitos fogos de artificio, muito papel picado, muita bandeira tremulando, era um êxtase, um espetáculo dentro do espetáculo.
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