Técnico do Corinthians Sub-17 destaca importância de identidade própria na formação de atletas
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Por Meu Timão
Guilherme Nascimento falou sobre o cenário brasileiro da formação de atletas nas categorias de base
Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians
Na última terça-feira, o Corinthians bateu o Internacional por 4 a 0, pela nona rodada do Campeonato Brasileiro Sub-17, e deu sequência à boa campanha na temporada. O técnico do Timãozinho, Guilherme Nascimento, comentou sobre o processo de formação de atletas e sua relação com o futebol profissional. Na opinião do treinador, a instabilidade do futebol brasileiro, seja nos comandos técnicos, seja no mercado de atletas, prejudica a criação de uma identidade futebolística.
"Temos que ter em mente para quem e com qual objetivo estamos formando. Talvez deixar um processo de formação totalmente homogêneo, com as mesmas características, buscando o mesmo perfil de jogo… mas eu não tenho certeza se esse atleta vai jogar, de fato, no meu clube, ou se vai para o mercado, ou com qual treinador ele vai jogar no profissional. A gente conhece a rotatividade dos comandos técnicos no Brasil, de modo geral. Até que ponto é importante um jogador permanecer dentro do mesmo ecossistema, recebendo os mesmos estímulos, se a gente não sabe quais estímulos ele precisará enfrentar no profissional?" disse Nascimento, na zona mista após a partida, repercutida pela Identidade Corinthiana.
"Existe uma diferença entre o que se propõe no Sub-15, entendendo as demandas da faixa etária; uma visão de jogo e uma execução um pouco diferente no Sub-17, entendendo o que essa idade exige; e a mesma coisa acontece no Sub-20, que talvez seja o ambiente mais vantajoso do futebol brasileiro", continuou o treinador.
Para Nascimento, o processo de formação dos atletas deve passar por um entendimento da identidade futebolística do lugar. O técnico do Timãozinho citou como exemplo a Espanha, recém bi-campeã mundial, historicamente conhecida pelo jogo posicional, marca registrada nas duas Copas do Mundo conquistadas em 2010 e 2026.
"Eu acho que as duas últimas campeãs do mundo, e talvez até a França, trazem um recado muito claro: jogue de acordo com a sua cultura e sua identidade. A Espanha ganha e perde da mesma forma, com o jogo de posição, que é cultural dentro das categorias de base deles. A Argentina foi campeã em 2022 da sua forma, que é diferente da Espanha", disse Nascimento.
O treinador alertou, no entanto, que não é porque este estilo de jogo funcionou com a Espanha que deve ser o paradigma do futebol. Para Nascimento, cada país deve buscar seu jeito de jogar baseado na cultura nacional, algo aplicado desde as categorias de base até o profissional.
"A gente corre um risco muito grande de entender que o jogo aplicado pela Espanha é o que deve pautar os processos de formação no mundo inteiro e a montagem das equipes mundo afora. Talvez, trazer esse exemplo para o Brasil não seja tornar o processo homogêneo ou olhar apenas para aquilo que a Espanha faz hoje. Acho que é entender o que é cultural no Brasil, qual é a nossa forma de jogar, como a gente vence, e transformar isso em métodos modernos, atuais, mas que conversem com a nossa identidade. Talvez, se olharmos para a nossa identidade, estaremos mais perto da vitória, como mostraram as duas últimas campeãs mundiais. O jogo de posição é cultural na Espanha, mas é espanhol. Não é reproduzindo isso no mundo inteiro que se encontrará a solução para todos os perfis de jogo, porque futebol é cultura. Isso tem a ver com a formação da sociedade como um todo. Lá funciona para o espanhol. Talvez, para o brasileiro, funcione de outra maneira”, concluiu o técnico do Timãozinho.
Com a vitória, o Corinthians chegou à liderança do Campeonato Brasileiro Sub-17, com 19 pontos, mas pode ser ultrapassado por Fluminense e Palmeiras, que ainda jogam na rodada.
O próximo compromisso do Timãozinho será neste sábado, às 11h, quando enfrenta o Ibrachina, na Fazendinha, pela 12ª rodada do Campeonato Paulista Sub-17.
