Presidente do Conselho do Corinthians comenta expulsão de Andrés e possível judicialização do caso
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Por Victor Bhering, Matheus Pogiolli e Daniel Keppler
Na noite desta segunda-feira, o Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians aprovou a expulsão do ex-presidente Andrés Sanchez do quadro de associados do clube. Após o encerramento da sessão, o presidente em exercício do órgão, Leonardo Pantaleão, avaliou o desfecho e destacou o caráter democrático do rito seguido ao longo do julgamento.
"Foi uma votação democrática, mais uma vez, como tem que ser. As opções existentes foram apresentadas ao Conselho e foi lido o parecer da Comissão de Ética. Também foi dada a oportunidade, pelo mesmo tempo, para a defesa de Andrés Sanchez fazer seus apontamentos. Logo na sequência, tivemos a votação e os conselheiros, de uma maneira geral e por maioria, entenderam que o desligamento do quadro associativo era a punição adequada em razão daquilo que ficou apurado durante a instrução", iniciou em entrevista no Parque São Jorge.
Durante a sessão, houve discussões de bastidores sobre a possibilidade de aplicação de penas alternativas, como advertência ou suspensão, além de questionamentos sobre o formato da deliberação. Entre os pontos levantados, o ex-presidente Mário Gobbi chegou a defender a adoção de medidas mais brandas e a votação secreta, mas as sugestões não prosperaram no plenário.
"Não houve nenhum levantamento específico sobre isso. No início, o Gobbi questionou um pouco o fato de o parecer da Comissão de Ética não apresentar essas alternativas. Foi explicado a ele que o parecer é opinativo para uma determinada punição, fundamentado naquilo que se coletou dentro de todas as provas produzidas no processo. Portanto, a questão foi esclarecida, mas ninguém se levantou especificamente para debater a pena de suspensão", explicou.
Questionado sobre a possibilidade de o resultado ser judicializado pela defesa de Andrés Sanchez, o presidente em exercício do CD reconheceu que o caminho jurídico segue aberto e faz parte dos direitos institucionais.
"É um direito da defesa e não temos o controle sobre isso. Então, é algo que pode acontecer. Isso faz parte do processo democrático e é até bom que ocorra, para que se tenha cada vez mais transparência", disse.
Ao analisar o veredito, o dirigente reforçou que a decisão refletiu a soberania do plenário e se baseou estritamente nos elementos apurados pela Comissão de Ética.
"Acho que o resultado exteriorizou a vontade da maior parte dos conselheiros. Isso deve ser aceito e considerado. Independentemente de a torcida desejar esse desfecho, foi uma decisão tomada com base no que de fato foi apurado no processo. Houve a utilização do cartão corporativo, algo que nem o próprio representado nega. Portanto, o que se julgou foi a conduta; não se avaliam valores ou qualquer outra coisa. A conduta adotada é que acabou gerando esse tipo de consequência", afirmou.
Pantaleão também comentou as tensões e episódios de hostilidade registrados nos bastidores nos últimos dias, incluindo ameaças que, segundo ele, chegaram a envolver sua família. O mandatário classificou a situação como grave e afirmou que avalia possíveis medidas legais.
"É uma situação triste de acontecer, mas aconteceu. Eu já previa esse tipo de possibilidade porque, em cenários assim que envolvem muito o lado emocional e outros interesses por trás, sabemos que as tentativas de frustrar ou barrar algum tipo de providência acabam ocorrendo. É claro que é uma atitude abjeta, ilegal e inclusive criminosa, mas que infelizmente acaba fazendo parte. Ainda não decidi a respeito disso (se vai à Justiça). Vou analisar com calma para definir o que fazer", finalizou.
O julgamento desta segunda-feira contou com 167 votantes: foram 112 votos a favor do “Sim”, 49 pelo “Não” e seis abstenções. Com o resultado majoritário, Andrés Sanchez está oficialmente expulso do quadro associativo do Corinthians.