Presidente da Gaviões celebra expulsão de Andrés e cobra mesma medida com Augusto Melo
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Por Bruno Pantarotto e Rafael Jacobucci
O ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, foi expulso do Conselho Deliberativo (CD) do clube na noite desta segunda-feira. Do lado de fora do Parque São Jorge, a Fiel esteve presente e fez festa após a divulgação dos resultados.
Com a mobilização pela expulsão do ex-mandatário, o presidente da Gaviões da Fiel, Alexandre Domenico (Ale), relembrou a tensão vivida nos bastidores antes da votação e destacou o apoio da torcida corinthiana ao movimento. O integrante dos Gaviões também afirmou que o grupo pretende seguir pressionando pela exclusão agora de Augusto Melo.
"Foi uma noite muito difícil para o Corinthians. Passamos horas de muita pressão, não dormimos direito. Essa virada de domingo para segunda foi de muita tensão, mesmo depois da vitória sobre o Atlético Mineiro. Nosso foco também era vir em peso aqui e, graças a Deus, o Corinthians, no geral, abraçou essa causa. E quando eu falo no geral, é porque até quem sempre fugiu dessa questão de torcida organizada também abraçou. Se o Corinthians do portão para fora não tivesse comprado essa ideia, infelizmente eu acho que isso aqui nem teria acontecido”, iniciou Ale em entrevista exclusiva ao Meu Timão.
“E segunda-feira que vem estaremos aqui novamente para tentar expulsar esse cara de vez. A gente depositou muita confiança nele. Nós apoiamos oficialmente o Augusto Melo. Houve duas reuniões de impeachment que, entre aspas, evitamos naquele momento, porque entendíamos que o Corinthians precisava de estabilidade. Mas, quando vimos os vários indícios, não tínhamos mais condição de continuar ao lado dele. Soltamos a mão, e ele caiu. Da mesma forma que a torcida apoiou oficialmente e ajudou a colocá-lo na presidência, agora queremos eliminá-lo de vez do quadro associativo do Parque São Jorge. Essa não é só uma missão dos Gaviões ou das torcidas organizadas, é uma missão de todo corinthiano”, acrescentou.
A votação da possível expulsão de Augusto Melo já possui data marcada. O rito acontecerá na próxima segunda-feira, dia 1° de junho, nos mesmos moldes.
Ao comentar sobre o papel político da torcida organizada, Ale explicou que costuma separar suas opiniões pessoais do posicionamento oficial dos Gaviões. O presidente ainda destacou que o movimento ganhou força por conseguir dialogar com torcedores além do ambiente das organizadas.
"Eu já cansei de falar que não acredito mais nesse modelo de governança (associativo). Tenho minhas convicções, inclusive em relação a uma possível intervenção judicial, tenho minhas opiniões, mas preciso tomar muito cuidado porque isso não representa um posicionamento oficial dos Gaviões. Acho que esse é um debate que precisa ser muito mais amplo. A gente escuta todos os lados e também tem nossas convicções. Então você fez muito bem essa observação, porque eu realmente preciso tomar cuidado com o que falo. Mas o meu posicionamento como corinthiano ninguém vai tirar”, explicou Ale.
“A gente vai falar com o corinthiano. Acho que esse é o maior legado que vamos deixar, porque, querendo ou não, o sofrimento é igual para todos. Claro que os Gaviões da Fiel estão no meu coração, a ideologia é muito forte, mas em alguns momentos o Corinthians precisa se unir. Acho que esse foi o recado que conseguimos passar para todo mundo. Hoje vimos aqui muitos corinthianos que não fazem parte de torcida organizada presentes, e tenho certeza de que, na segunda-feira, teremos o triplo de pessoas aqui, porque a nossa missão não termina por aqui”, completou.
Por fim, o cartola da Gaviões da Fiel avaliou que o afastamento representa apenas o início de uma reconstrução, mas alertou para a grave situação financeira e administrativa enfrentada pelo clube.
“Isso é vitorioso daqui, mas com plena consciência de que a nossa situação ainda é muito ruim. Estamos no transfer ban, estamos devendo quase R$ 3 bilhões. Eu até falei para os presidentes serem mais realistas. Perguntei: “Nós estamos mais perto dos R$ 3 bilhões ou de cair para a casa dos R$ 2 bilhões?”. Todo mundo dá a mesma resposta: que vai cair para a casa dos R$ 2 bilhões. Mas é difícil. A gente vê nossos adversários nadando de braçada, enquanto nós não conseguimos disputar um Campeonato Brasileiro", comentou.
"O pior é o desânimo. Mas desistir nunca foi opção para nós, ainda mais agora. A Fiel está um pouco mais animada, mas isso aqui é só um recomeço. Hoje é um dia de recomeço, sempre acreditando que dias melhores virão. Só que, tratando-se de Corinthians, é muito difícil, porque todo dia aparece uma notícia triste, uma notícia desanimadora para o corinthiano”, finalizou.
Apesar da condução rápida da votação, houve uma tentativa de alterar o formato da sessão. O ex-presidente Mário Gobbi propôs que a reunião não tivesse voto aberto e nominal, mas a sugestão foi rejeitada por Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do Conselho Deliberativo. Na ocasião, os conselheiros analisaram o parecer elaborado por Pantaleão, que recomendava a expulsão do ex-mandatário por uso indevido do cartão corporativo em despesas pessoais, estimadas em cerca de R$ 480 mil entre 2018 e 2021.