Técnico do Corinthians explica implementação de seu estilo de jogo e revela conversa com Garro
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Por Felipe Sales, Beatriz Maineti e Matheus Pogiolli
Fernando Diniz detalhou como tem sido os primeiros dias no comando do Corinthians
Jhony Inácio / Meu Timão
Na noite do último domingo, o Corinthians empatou com o Palmeiras por 0 a 0, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro, em duelo disputado na Neo Química Arena. O Dérbi marcou a estreia do técnico Fernando Diniz na Casa do Povo, após ter sido contratado na última semana.
Ainda em seus primeiros momentos à frente do Timão, o treinador explicou que deseja implementar suas características de jogo aos poucos. Segundo Diniz, durante seus trabalhos, ele prioriza um estilo de aproximação, saída curta e variação de jogadas, pontos que já foram vistos em algumas tentativas ofensivas da equipe alvinegra, mesmo com pouco tempo. Além disso, contou que tem usado vídeos para otimizar essa restrição.
“Realmente é uma característica do jogo que eu proponho, de aproximação, com inversão de corredor. Não necessariamente precisa aproximar sempre para ter inversão de corredor. E o Corinthians, na verdade, vivia um momento de instabilidade, mas mesmo o Corinthians que teve esse momento ruim, com nove jogos sem vencer, foi campeão recentemente de dois campeonatos. Eu, que tive a oportunidade de jogar contra, era um time bem treinado. Mas é uma tendência da gente jogar de maneira associada e variar o jogo”, iniciou em entrevista coletiva.
“A gente saiu jogando curto, saiu jogando longo, saiu com aproximação de um lado e do outro, como você mesmo disse. Teve uma aproximação por dentro do corredor central também. E a gente tem que ir com o tempo que a gente tem, que a gente praticamente não tem tempo. Temos que inventar tempo para poder treinar nas condições em que está o calendário até a parada da Copa. Mas todo momento que eu tive com eles, eu treinei. Eu treinei no campo, quando deu, treinei no vídeo, eu fui colocando as ideias aos poucos. Também fazendo uso de uma manutenção do trabalho que deixaram por aqui”, completou.
Durante o clássico, o Corinthians até tentou se impor em casa, iniciando a partida com mais posse de bola, troca de passes e buscando superar o sistema defensivo do rival. Porém, após a expulsão de André Luiz por gesto obsceno ainda no primeiro tempo, o Palmeiras passou a controlar o confronto, mas sem levar grande perigo. A situação ficou ainda mais complicada após a expulsão de Matheuzinho na etapa final. Apesar da inferioridade numérica, o Timão sofreu pouco, mas Hugo Souza fez ao menos três grandes intervenções, enquanto a melhor chance da partida foi da equipe alvinegra, mesmo com dois a menos, quando Yuri Alberto escapou em velocidade, mas a finalização parou no goleiro Carlos Miguel.
Ainda no aspecto tático, Fernando Diniz destacou a versatilidade do meia Rodrigo Garro, que exerceu diferentes funções ao longo do Dérbi. O treinador revelou que conversou com o camisa 8 em sua chegada, relembrando que ele já atuou em outras posições na base e na Argentina, e elogiou sua dedicação.
“Em relação à parte tática. A gente tinha uma consistência tática do time para marcar com duas linhas de quatro hoje, os dois na frente, o Garro e o Yuri. Com a saída do André, que ficou com um jogador a menos, a gente preservou a linha de quatro, a gente colocou o Garro, acho que é notícia boa para vocês. É que o Garro, ele não precisa jogar só de 10 ou marcar só de 10, consegue marcar e ir muito bem pelo lado. E eu cheguei aqui faz pouco tempo, mas eu tive algumas conversas com o Garro. Ele já jogou em outras posições, tanto na Argentina, na categoria de base, mesmo no profissional. Então, hoje ele conseguiu cumprir uma função bem diferente. E acho que o time, repito, está de parabéns”, comentou.
No recorte de duas partidas desde a chegada de Diniz, Garro tem se destacado positivamente. O argentino retornou à equipe titular e contribuiu com duas assistências na estreia do treinador, pela primeira rodada do Grupo E da Copa Libertadores, quando o Corinthians venceu o Platense, da Argentina, por 2 a 0.
Mesmo com o plano de jogo definido, a comissão técnica precisou lidar com as adversidades do clássico, como as duas expulsões. Diniz explicou os ajustes feitos para conter o Palmeiras, que atuou com superioridade numérica durante boa parte do clássico, e destacou o comprometimento de Yuri Alberto.
“E depois, quando teve a segunda expulsão, a gente fez duas linhas de quatro. Eu acho que o Yuri é um jogador também que precisa ser exaltado muito, porque foi para a função do Garro. E é um jogador muito forte e muito dedicado. Eu queria marcar, mas não queria perder totalmente a chance de tirar o time de trás com um pouco de força. Enquanto o Kayke aguentou, eu o mantive no jogo, e aí, quando eu vi que o Kayke tinha dado tudo, já não estava mais aguentando, coloquei o Lingard. E o Yuri é um jogador muito diferente, muito bem dotado fisicamente, que conseguiu cumprir a função tática de marcação e, nos lances em que a gente teve a oportunidade de sair com um pouco de velocidade, conseguiu ajudar”, finalizou.
Com o empate, o Corinthians chegou aos 11 pontos no Campeonato Brasileiro. Atualmente, a equipe alvinegra ocupa a 16ª colocação, ficando a apenas uma posição e um ponto da zona de rebaixamento. Na próxima rodada, o Timão encara o Vitória, no Barradão, no sábado, às 20h.
Antes disso, no entanto, o clube do Parque São Jorge vira a chave para a segunda rodada do Grupo E da Libertadores. Na quarta-feira, o Corinthians recebe o Independiente Santa Fe, da Colômbia, às 21h30, na Neo Química Arena, em busca de sua segunda vitória na competição.
