Ex-diretor revela como Corinthians chegou a Memphis após negócios frustrados com Balotelli e Gabigol
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Por Meu Timão

Ex-diretor revela como Corinthians chegou a Memphis após negócios frustrados com Balotelli e Gabigol
Mauro Horita / Ag. Paulistão
Enquanto negocia uma possível renovação e vive os últimos dias de seu contrato com o Corinthians, Memphis Depay voltou a ter sua chegada ao clube relembrada nos bastidores. Em entrevista recente, o ex-diretor financeiro do Timão, Pedro Silveira, detalhou sua participação na contratação do atacante holandês, oficializada em setembro de 2024, em um momento no qual o clube enfrentava dificuldades no Campeonato Brasileiro.
Segundo Pedro, a diretoria entendia que precisava aproveitar os R$ 57 milhões previstos no acordo firmado com a Esportes da Sorte para a contratação de um reforço de impacto. Antes de chegar ao nome de Memphis, porém, o Corinthians avaliou outras opções no mercado. Entre elas estavam o italiano Mario Balotelli e Gabigol, que na época ainda tinha contrato com o Flamengo. Ambos chegaram a negociar com a diretoria alvinegra, mas as tratativas não avançaram para um acordo.
"Eu fui uma das pessoas que conduziu isso dentro do Corinthians. Para dar um contexto, a gente tinha acabado de renovar o patrocínio com a Esportes da Sorte e havia uma verba de R$ 57 milhões para dois anos destinada a um craque midiático. Então, precisávamos encontrar alguém com um impacto muito grande, que viesse para o Corinthians e destravasse esse dinheiro do contrato", iniciou durante participação no Humans of Faria Lima Podcast.
"O primeiro nome que surgiu foi o do Balotelli. Tivemos as conversas iniciais, mas, obviamente, não fazia sentido financeiramente. O segundo nome tentado foi o Gabigol, só que ele ainda tinha contrato com o Flamengo. Começamos uma conversa, mas ela não avançou. O tempo foi passando, a janela do meio do ano estava se fechando e, como não havia diretor estatutário de futebol, mas apenas o diretor executivo, que era o Fabinho, eu e outros diretores acabávamos fazendo um papel de diretor de futebol junto com o presidente", complementou.
Foi após uma derrota para o Fortaleza que o nome de Memphis surgiu internamente no Corinthians. Insatisfeitos com a campanha da equipe naquela edição do Nacional, dirigentes recorreram ao Transfermarkt, site especializado em transferências, estatísticas e valores de mercado de jogadores. Durante a pesquisa, encontraram o holandês livre no mercado, dando início às conversas.
"Lembro que foi após uma derrota. O Corinthians estava em 18º lugar no campeonato. Era um domingo, por volta das 22h, quando meu telefone tocou. Era um dos diretores. Começamos a conversar: 'Cara, o Corinthians não faz gol, está difícil'. Tínhamos perdido por 1 a 0 para o Fortaleza. Então falamos: 'Precisamos achar alguém. Vamos usar aquela verba da Esportes da Sorte'", contou Silveira.
"Começamos a procurar. Fomos à internet e pesquisamos 'jogador com passe livre'. Aí apareceu o nome do Memphis. Entramos no Transfermarkt, site que mostra os valores dos jogadores, pegamos o e-mail dos advogados dele, que na época também atuavam como seus representantes. Mandamos o e-mail às 22h30, horário do Brasil: 'Oi, tudo bem? Aqui é Pedro Silveira, CFO do Corinthians. Gostaria de falar sobre Memphis Depay. Queríamos muito que ele jogasse no Corinthians e gostaríamos de marcar uma reunião com vocês'. O não eu já tinha. Fomos dormir com a cabeça cheia e acordamos no dia seguinte com a resposta: 'Vamos conversar'. A reunião foi marcada para as 17h30 da Europa, 12h30 no Brasil, e as conversas começaram", continuou.
De acordo com Pedro Silveira, o principal desafio nas negociações era convencer os representantes de Memphis de que o Corinthians teria condições de manter os salários em dia. O ex-dirigente também relembrou a inclusão de metas e bônus no contrato, que atualmente geram uma dívida superior a R$ 40 milhões com o atacante.
"Os advogados questionavam: 'O Corinthians não paga. Estamos vendo isso em todos os jornais'. Aí eu respondi: 'Enquanto eu estiver aqui, eu garanto. Você pode confiar que vamos ter recursos para pagar'. Foram uma ou duas semanas de negociações. Estávamos no limite do que poderíamos oferecer", destacou.
"Tanto que não pagamos luvas. Com o passe livre, o Memphis poderia pedir uma luva, porque tinha valor de mercado. Nós falamos: 'Não temos dinheiro para isso. Vamos colocar algum valor caso você atinja metas'. E aí ele foi lá e bateu todas as metas, mais do que o previsto, mais do que o imaginado", complementou.
Outro obstáculo durante as negociações foi a chegada de uma proposta da Arábia Saudita. Segundo Pedro Silveira, a oferta era financeiramente superior à apresentada pelo Corinthians, mas uma declaração do técnico da seleção holandesa, Ronald Koeman, acabou sendo decisiva.
"Chegou um momento da negociação em que os representantes disseram: 'A proposta da Arábia Saudita é quase o dobro da de vocês. É óbvio que o jogador prefere ir para o Brasil do que para a Arábia Saudita, mas, se vocês não melhorarem alguma coisa, não tem como'. Desliguei o telefone e pedi um tempo para pensar no que faríamos. Conversando internamente no Corinthians, entendemos que não dava para fazer mais nada. Estávamos no limite", comentou.
"No dia seguinte, saiu a convocação da Holanda. O Memphis já sabia que não estaria nela. Porém, havia um jogador que tinha deixado o Ajax para atuar na Arábia Saudita e ficou fora da lista. Perguntaram ao Ronald Koeman o motivo, e ele respondeu: 'Para mim, quem vai para a Arábia Saudita perdeu a noção esportiva e não será mais convocado'. O cara soltou essa declaração bem no meio da nossa negociação. Pouco tempo depois, meu telefone tocou. Eu mantive a posição e disse que não iria melhorar a proposta. Conclusão: conseguimos fechar o contrato", acrescentou.
Por fim, Pedro Silveira classificou a passagem de Memphis pelo Corinthians como um caso de sucesso. Além de ajudar o clube na reação contra o rebaixamento em sua temporada de chegada, o atacante participou das campanhas dos títulos do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil de 2025, além da Supercopa de 2026. Na avaliação do ex-dirigente, a contratação do holandês foi o segundo melhor negócio do Corinthians no século, atrás apenas da chegada de Ronaldo Fenômeno.
"Na minha opinião, foi o melhor contrato do século depois do Ronaldo, porque gerou um retorno financeiro gigantesco. As pessoas costumam olhar apenas para o custo da operação, mas e o retorno? Houve valorização de outros jogadores, aumento de receitas, crescimento da bilheteria e, principalmente, a ajuda para evitar o rebaixamento. Se o time cai, perde pelo menos R$ 500 milhões em receitas de uma temporada para outra. Sem dúvida, o caso Memphis no Corinthians foi um grande sucesso", finalizou Pedro Silveira.
Desde sua chegada ao Corinthians, Memphis disputou 79 partidas com a camisa alvinegra, somando 20 gols e 15 assistências. O contrato do atacante se encerra em 31 de julho, mas o holandês já tem em mãos uma proposta de renovação apresentada pela diretoria corinthiana.