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Corinthians entrega parte de documentos solicitados pelo MP; EY e ata de reunião seguem pendentes

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Por Matheus Fiuza e Marco Bello

Corinthians ainda não encaminhou a ata da última segunda-feira e os detalhes do relatório da EY ao MP-SP

Corinthians ainda não encaminhou a ata da última segunda-feira e os detalhes do relatório da EY ao MP-SP

Rodrigo Vessoni / Meu Timão

O Corinthians entregou, nesta quarta-feira, parte dos documentos requisitados pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) após visita ao Parque São Jorge, em 12 de março. Entretanto, o clube alvinegro ainda não repassou a ata da reunião do afastamento cautelar de Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo (CD), e da auditoria da Ernst & Young (EY).

Segundo informação do jornalista Marco Bello, apresentador do Meu Timão no YouTube, alguns dos registros incluem materiais solicitados para o departamento de tecnologia do clube, sob a liderança de Marcelo Munhoes, casos de backups de notas fiscais. O prazo mais curto, de 48 horas, estava ligado às demais prestações de conta dos últimos sete anos, além de extratos bancários das gestões de Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves, em despacho emitido na manhã da última terça-feira pelo promotor Cassio Roberto Conserino.

A primeira pendência tem relação com a votação no Parque São Jorge para destituição provisória de Tuma, na última segunda-feira, cujo prazo é de 72 horas, ou seja, até sexta-feira. De acordo com a promotoria, o ato pode ter ocorrido em desacordo com o Estatuto e o Regimento interno do clube.

Embora 115 conselheiros tenham votado a favor do afastamento, a reunião foi considerada irregular por diferentes figuras da política corinthiana. Romeu Tuma Júnior, Leonardo Pantaleão (vice do CD), Maria Ângela Ocampos, primeira secretária do órgão, e a Comissão de Justiça (CJ) do Conselho negaram a validade jurídica do encontro.

Em meio ao ocorrido, associados e um conselheiro do Corinthians protocolaram ao MP-SP pedidos de intervenção judicial à Justiça para o clube. Os dois casos se baseiam na convocação polêmica da reunião do presidente Osmar Stabile.

O outro ponto de ausência é o relatório da EY, iniciado em 2024 durante a gestão de Augusto Melo. Segundo o Ministério Público, o conteúdo pode ter relação com investigações criminais em curso sobre os gastos financeiros das gestões dos ex-presidentes Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo, e até com eventuais repercussões de natureza tributária.

Além disso, o MP-SP ressaltou que o próprio Corinthians figura como vítima nas investigações, não havendo motivo para o clube deixar de encaminhar o relatório completo com todos os documentos que embasaram a auditoria realizada.

Em outubro do ano passado, já sob o comando de Stabile, o clube confirmou o recebimento do relatório elaborado pela consultoria EY. O Corinthians, porém, não divulgou o conteúdo, alegando cláusulas de sigilo nos contratos analisados. Havia a expectativa para revelação de pontos de análise da empresa, o que não ocorreu após quase cinco meses.

A Ernst & Young iniciou os trabalhos no Parque São Jorge em 2024 com a missão de revisar contratos firmados nas gestões de Andrés e Duilio. Entre eles, estavam acordos relacionados a estacionamento, bilheteria, Fiel Torcedor, alimentos e bebidas da Neo Química Arena, produtos licenciados, franquias de lojas, camarotes e placas de publicidade do estádio.

A consultoria também realizou um procedimento chamado de “background check”, investigando possíveis relações entre dirigentes, familiares e empresas envolvidas nos contratos analisados. Apesar de o relatório ter sido entregue em maio de 2024, a gestão de Augusto Melo não divulgou o documento nem o compartilhou com os órgãos internos do clube. O ex-presidente, que sofreu impeachment em agosto, havia informado ao Meu Timão que nunca teve acesso ao relatório.

Além disso, a empresa investigou o patrocínio máster da VaideBet, que resultou em impeachment e denúncia aceita pela Justiça contra Augusto Melo. O Corinthians e a casa de apostas rescindiram o acordo em maio de 2024 após suspeitas de irregularidades nos repasses da intermediação do acordo.

A ata do Conselho de Orientação (Cori), realizada em 25 de novembro de 2024 e que tratou sobre o relatório, tem cinco dias de prazo para envio ao Ministério Público. O órgão entende que, a princípio, não precisará pedir as documentações para a própria empresa.

Visita do Ministério Público ao Parque São Jorge e documentos não encontrados

Fachada do Parque São Jorge, a sede social do Corinthians

Fachada do Parque São Jorge, a sede social do Corinthians

Gustavo Lima / Meu Timão

No dia 12 de março, o presidente Osmar Stabile recebeu, no Parque São Jorge, a visita institucional do promotor de Justiça Cássio Conserino, representante do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). O encontro teve como objetivo a entrega de documentos solicitados pelo órgão no âmbito das investigações sobre gestões anteriores do clube, com ênfase nos mandatos de Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves.

Também participaram da reunião o diretor jurídico do Corinthians, Pedro Soares, o promotor Thiago Marim e o delegado de polícia César Saad. O encontro ocorreu para dar andamento à análise de documentos relacionados às apurações conduzidas pelo Ministério Público.

De acordo com a ata da visita, ficou acordado que o Corinthians entregaria ao MP-SP a relação de extratos bancários vinculados à planilha de adiantamentos de valores em espécie sob responsabilidade de funcionários das gestões Andrés e Duilio. Segundo o órgão, essas movimentações são consideradas suspeitas, especialmente nos casos em que não encontraram respaldo em documentos fiscais.

Também foi acordado que os relatórios de pagamentos em dinheiro ou transferências aos envolvidos seriam encaminhados ao Ministério Público referentes ao período investigado, com prazo de dez dias para a entrega.

Além disso, ficou estabelecido que seriam reunidas as atas de análise do Conselho Fiscal (CF) e do Conselho Deliberativo (CD) relacionadas à aprovação das contas do clube nos exercícios de 2018, 2019, 2020, 2021, 2022, 2023, 2024 e até maio de 2025.

Na mesma ocasião, o clube informou que havia comunicado o setor de Tecnologia da Informação para disponibilizar o backup integral dos registros digitais relativos às notas fiscais emitidas e recebidas no período entre 2018 e maio de 2025, conforme documento assinado pelo diretor de tecnologia, Marcelo Munhoes.

O registro ainda aponta que a entrada do MP-SP no clube foi liberada pelo presidente Osmar Stabile e que ele autorizou a produção de fotografias e a análise de documentos no próprio local. Toda a diligência foi acompanhada pelo próprio presidente do Corinthians e pelo diretor jurídico do clube, Pedro Soares.

Porém, Cássio Conserino informou que não foi possível localizar todas as atas de aprovação ou reprovação de contas do Conselho Fiscal e do Conselho Deliberativo. Após contato telefônico realizado pelo diretor jurídico com conselheiros fiscais que atuaram entre 2018 e maio de 2025, foram localizadas apenas as atas do CD referentes aos exercícios de 2021, 2024 e 2025, permanecendo ausentes os documentos dos demais anos.

Também foram obtidas as atas do Conselho Fiscal referentes aos anos de 2019, 2024 e 2025. O texto ainda registra que esses documentos fazem menção a materiais que deveriam acompanhar os respectivos pareceres, mas que não foram localizados anexos.

Por fim, ficou estabelecido, naquele momento, que as demais atas seriam solicitadas pelo diretor jurídico do clube para posterior encaminhamento ao Ministério Público, no prazo de cinco dias, a partir da visita realizada no dia 12 de março.

Veja mais em: Conselho do Corinthians e Processos do Corinthians.

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