Corinthians espera posição da Caixa sobre possível retenção da premiação da Supercopa
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Por Bruno Pantarotto, Beatriz Mainetti, Gustavo Lima e M.Poggioli
Corinthians pode ter 50% de premiação da Supercopa bloqueada pela Caixa Econômica Federal
Rodrigo Coca / Ag.Corinthians
A premiação do título da Supercopa do Brasil, conquistado no último domingo após a vitória por 2 a 0 sobre o Flamengo, pode voltar a ser alvo de bloqueio por parte da Caixa Econômica Federal. O valor em questão é de aproximadamente R$ 5,775 milhões, correspondente a 50% do montante total destinado ao campeão.
Para que isso ocorra, o Corinthians aguarda uma eventual solicitação formal da Caixa referente à parte do valor já repassado ao clube, descontados os impostos. Até o momento, segundo apuração do portal Meu Timão, não houve qualquer notificação oficial à diretoria alvinegra.
Isso já havia acontecido em dezembro de 2025, após o Corinthians ter conquistado a Copa do Brasil. Na época, o Timão arrecadou R$ 77.175.000, mas houve 50% do valor repassado à empresa estatal.
Na ocasião, o montante bloqueado foi encaminhado para a chamada “conta de segurança”. Conforme previsto em contrato, uma parcela das receitas do Corinthians é automaticamente destinada a essa reserva. Enquanto a conta é constituída, 50% das premiações esportivas e 30% dos valores arrecadados com a venda de jogadores ficam retidos pela Caixa como garantia para o pagamento futuro do financiamento da Neo Química Arena.
Essa conta deve manter de forma contínua um saldo mínimo equivalente ao pagamento de quatro parcelas trimestrais do financiamento — algo que varia entre R$ 80 milhões e R$ 120 milhões, conforme a taxa de juros aplicada. Na prática, funciona como um fundo de segurança, correspondente a aproximadamente um ano de amortização da dívida. Caso o valor fique abaixo do limite estipulado, a recomposição ocorre automaticamente com a retenção de outras receitas, como direitos de transmissão. O contrato deixa claro que o saldo não pode ficar abaixo do montante acordado, sob risco de caracterizar descumprimento por insuficiência de garantias.
O contrato foi assinado entre Corinthians e Caixa ainda em 2023, no último ano da gestão de Duilio Monteiro Alves. O acordo prevê garantias que vão além do valor principal da dívida, abrangendo também juros futuros, encargos e correções, independentemente da data de vencimento. Pelo contrato, o Corinthians vinculou ao banco receitas atuais e futuras — como bilheteria, aluguéis e outros recebíveis — para assegurar o cumprimento das obrigações financeiras.
Em janeiro deste ano, o Corinthians quitou as parcelas referentes ao ano de 2025. Além da Copa do Brasil, uma parte da premiação conquistada pelo time feminino também foi destinada pela Caixa para fechar o montante de R$ 93 milhões, quitando os débitos do ano. A próxima parcela do financiamento está prevista somente para março.
Além dessa possível nova retenção, parte da premiação da Supercopa já tem um destino definido. O atacante Memphis Depay possui cláusula de desempenho em seu contrato, que obriga o Corinthians a pagar R$ 4,7 milhões ao holandês em caso de conquista do título.
Relembre a negociação do Corinthians com a Caixa
Ainda em 2022, o clube do Parque São Jorge firmou um acordo com a Caixa para a renegociação da dívida relacionada ao seu estádio. O financiamento foi consolidado em R$ 611 milhões — sem considerar juros e encargos — com prazo de quitação até 2041.
Nos dois primeiros anos do novo contrato, em 2023 e 2024, o Corinthians arcou apenas com parcelas referentes aos juros do período em que deixou de pagar o financiamento durante uma disputa judicial que se estendeu por cerca de cinco anos. Ao todo, foram quitadas oito parcelas trimestrais nesse intervalo.
A partir do início de 2025, a amortização do valor principal da dívida passou a ser efetivamente iniciada. Até o momento, está confirmado que o Timão desembolsou cerca de R$ 93 milhões no último ano, referentes às quatro parcelas. Agora, o próximo pagamento será feito em março.
Atualmente, o clube conta com receitas geradas pelo estádio para realizar o pagamento das parcelas, como a bilheteria, aluguéis e outros recebíveis, além do contrato de naming rights firmado com a Hypera Pharma. O acordo, válido de 2020 até 2040, rende cerca de R$ 15 milhões anuais, com valores corrigidos pela inflação, e garante à empresa o direito de batizar a Neo Química Arena.
Outra iniciativa para auxiliar no pagamento do financiamento foi a campanha de arrecadação organizada pela Gaviões da Fiel. Após um ano no ar, o projeto foi encerrado em novembro, com R$ 41,4 milhões arrecadados — o equivalente a 5,9% da meta de R$ 700 milhões.
Ao longo de 365 dias, a campanha contabilizou 908.704 doações e permitiu a quitação de mais de 200 boletos do financiamento, abatendo juros e encargos. Com isso, a dívida da Arena caiu de R$ 688,9 milhões para cerca de R$ 653,1 milhões, segundo o balancete de setembro.
Ainda em setembro do último ano, o Corinthians iniciou tratativas para uma nova renegociação da dívida da Neo Química Arena com a Caixa. De acordo com o Meu Timão, o presidente Osmar Stabile se reuniu com representantes do banco após sinalização de abertura para rediscutir os termos do acordo. A principal intenção do clube era reduzir os juros atuais, hoje fixados em Selic mais 2% — o que representa cerca de 18% ao ano — e migrar para um modelo atrelado ao IPCA, o que poderia diminuir o custo da dívida para algo próximo de 9% ao ano. Porém, até o momento, a negociação ainda não teve nenhum desfecho.
Também há uma negociação em andamento envolvendo o clube, a Caixa Econômica Federal e a Hypera Pharma com o objetivo de viabilizar a quitação da dívida da Arena. A informação foi divulgada pelo jornalista Lauro Jardim, em sua coluna no O Globo. Segundo o colunista, a proposta em estudo pelo Corinthians passa pela venda dos naming rights do estádio para a Caixa, tendo como referência o valor total da dívida.
