Treinador da base do Corinthians destaca troca de conteúdos e amizade com filho de Dorival
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Por Rafael Marcon e Victor Godoy
William Batista, sentado ao centro do banco, se encontra ao lado de Fabinho Soldado (à esqueda) e Dorival Júnior (à direita). Lucas Silvestre assiste o treino do Corinthians de pé
Rodrigo Coca / Ag.Corinthians
Um dos elementos primordiais em um clube de futebol de grande estrutura é a conexão entre a base e o profissional. São dos jovens atletas que saem peças e recursos para a manutenção do elenco. No Corinthians, essa troca tem sido facilitada pela amizade entre o técnico do Sub-20, William Batista, e o auxiliar do elenco profissional, Lucas Silvestre. Os profissionais se conheceram em 2023 e, desde que William foi contratado pelo Timão, em agosto, esta relação tem sido aproveitada.
"Tenho um contato constante com o Lucas (Silvestre), o filho (e auxiliar) do Dorival. A gente fez a licença da CBF junto, então, até pela demanda deles, eu consigo ter um contato mais próximo com o Lucas. Uma troca mais próxima. O nosso coordenador, o Robson (Zimerman, o coordenador da base), tem uma troca constante com o Renan (Bloise, o gerente de scout do profissional) também. A gente teve um treino com eles recente lá. Foi uma troca bacana com o próprio Dorival, com o Lucas, com o Fabinho (Soldado, o ex-executivo de futebol profissional) e com o Renan. Acho que essa integração dentro do clube ajuda a ajustar e alinhar alguns processos com a relação de subida e descida dos jogadores", disse o técnico da base do Corinthians em entrevista exclusiva ao Meu Timão.
Se engana, porém, quem pensa ser de hoje que esses treinadores trocam informações do mundo do futebol. Conforme contou William Batista à reportagem, desde que se tornaram amigos, a partir do curso da licença técnica da CBF em 2023, ambos compartilham experiências e conteúdos técnicos. O técnico Sub-20 do Timão disse que, mesmo quando estiveram em clubes diferentes, essas trocas de ideias eram constantes.
"A gente se conheceu lá (na licença da CBF). Foi no Rio de Janeiro, em 2023. Foi o segundo módulo da licença A. A gente fez uma amizade já naquela época, de troca de conteúdo, de relação estratégica de jogo. E, ao longo desses anos, desde 2023, mesmo quando não estava trabalhando no mesmo clube, como o caso de agora, a gente tinha uma troca constante de mensagem e de conteúdo. Estando no mesmo clube, isso já ajuda porque existe uma relação de amizade. É um cara inteligente também, é um cara estudioso, é um cara aberto à aprendizagem", afirmou William.
Em 2023, por exemplo, William Batista era treinador do Sub-20 do Vasco; já Lucas Silvestre, ainda atuando como auxiliar do pai Dorival Júnior, estava junto ao time profissional do São Paulo. A dupla teria caminhos ainda mais diferentes no ano passado. O técnico dos mais jovens passaria a atuar uma temporada na base do Red Bull Bragantino antes de assumir o profissional do América Mineiro, enquanto Silvestre comandaria a Seleção Brasileira em 2024. Eles se encontrariam somente após a demissão de William Batista do clube de Minas Gerais e o consequente acerto com o time do Parque São Jorge, em agosto deste ano.
Ainda segundo o que contou William Batista, essas trocas de conteúdos citadas passam tanto por questões estratégicas de jogo quanto por questões táticas, de posicionamento em campo e das orientações comportamentais aos atletas. Tanto o técnico do Sub-20 quanto o auxiliar do profissional têm se aproveitado desse networking entre as categorias, segundo o próprio William.
"A gente teve muita troca de conteúdo, até estratégico, da equipe que ele (Lucas Silvestre) estava ou das equipes que eu estava. E acho que a gente se ajudou. Está se ajudando agora dentro do clube também. Hoje, muita troca em relação ao que pode ser dos jogadores jovens. E outra hora a gente teve muita troca, assim, de conteúdo de treino. Ele me ofereceu alguns conteúdos de pressão alta, por exemplo, de pressionar no 4-3-3. Outra hora a gente teve discussão de fazer pressão no 4-1-3-2. Assim, do porquê que uma é mais vantajosa que a outra, em qual momento é melhor, do porquê que às vezes é preciso ser mais vertical ou, às vezes, do porquê de poder ser mais posicional. O que ele me mandava de conteúdo, o que ofereci de conteúdo para ele também, seja escrito ou em vídeo, foi bem bacana ao longo desse tempo desde a nossa licença junto na CBF", revelou.
Os profissionais estão junto ao clube somente há quatro meses, vale lembrar. Para o próximo ano, a Copa São Paulo de Futebol Júnior, em janeiro, pode ser um elemento-chave dessa discussão de quais jogadores da base já estão preparados para o profissional. Enquanto isso, a diretoria do Timão ainda se prepara para resolver os transferban e reforçar o elenco.
A relação da base e do profissional ainda pode ter um novo capítulo com a mudança no cargo de executivo de futebol. Fabinho Soldado deixou o Parque São Jorge e, para ocupar esse lugar, o Corinthians se acertou com Marcelo Paz, ex-CEO do Fortaleza.
