Gui Amorim, Gui Bom e Iago Machado: técnico do Corinthians fala sobre lapidação de joias do Sub-17
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Por Rafael Marcon e Victor Godoy
William Batista já está de olho em algumas joias da equipe Sub-17 do Corinthians
Rodrigo Gazzanel / Ag.Corinthians
O Sub-17 do Corinthians reserva algumas joias para o futuro de um clube que necessita de urgente respiro financeiro e esportivo. Dentre elas, três principais são: o zagueiro Iago Machado (16 anos, nascido em 2009), o meia Gui Amorim (17 anos, de 2008) e o centroavante Gui Bom (também de 17 anos, nascido em 2008). O trio foi destaque da temporada de 2025 e já chama a atenção de categorias superiores.
Amorim, por exemplo, foi inscrito no Brasileirão profissional, tendo participado de alguns treinos de Dorival Júnior ao longo do ano. Gui Bom, por sua vez, recebeu oportunidades no Sub-20 entre junho e julho, ainda quando esta categoria era comandada por Orlando Ribeiro, mas terminou o ano com lesão. Já Iago Machado, o "zagueiro artilheiro", foi o terceiro jogador com mais gols na equipe de Raphael Laruccia, no Sub-17.
Em exclusividade ao Meu Timão, William Batista, o técnico atual do Sub-20, comentou sobre a utilização dessas peças na equipe de base e apontou o processo de lapidação de cada um. Confira!
Iago Machado: grande potencial, mas com cuidado redobrado

Iago Machado com a bola dominada em partida
Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians
Diferentemente do estereótipo do defensor, Iago Machado não é um zagueiro "grosso". Com estatura alta e bom porte físico, o defensor de 16 anos consegue alinhar um jogo rápido e combativo na marcação com uma boa saída de bola e presença de área em ambos os setores do campo. Não à toa, marcou nove gols no ano, sendo o terceiro artilheiro da categoria Sub-17 (curiosamente, atrás apenas de Gui Bom e Gui Amorim).
A expectativa em cima do atleta é alta dentro do clube. Mas, segundo William Batista, é justamente por isso que o cuidado é redobrado.
"(Iago Machado) é um ser humano especial, um cara trabalhador, um cara que se dedica muito e, junto disso, tem muito talento para a posição, competências para a posição; seja como um zagueiro mais defensivo ou um zagueiro construtor. Tem só 16 anos, é preciso continuar desfrutando, continuar aproveitando do jogo e continuar trabalhando muito. Se a gente for lembrar nossa vida com 16 anos, a gente vai perceber que nada estava pronto. Então, temos que esperar que o Iago esteja pronto, apesar de já gerar grande expectativa. Mas ele tem uma cabeça boa para poder controlar isso. Acho que isso coloca ele um pouquinho na frente em relação aos jovens no Brasil", apontou o treinador.
Ao todo, Iago somou 39 jogos no ano. Até pelo potencial do jovem, o Corinthians já se mexeu para ter um contrato mais protegido com o atleta. Em outubro, a atual diretoria aumentou a multa rescisória de R$ 12 para R$ 66 milhões ao mercado nacional; a do mercado internacional é de 100 milhões de euros (R$ 626,5 milhões). O defensor pode pintar na lista da Copinha, mas pela pouca idade ainda terá que competir com nomes mais experientes dentro do elenco alvinegro.
Gui Amorim: a esperança de um 10 moderno

Gui Amorim é o camisa 10 do Sub-17 do Corinthians
Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians
Do trio citado, Gui Amorim talvez seja o que mais rápido se espera de uma ascensão profissional. O jovem atua como meio-campista, geralmente com a camisa 10. No entanto, não pode ser resumido como um jogador central. Na equipe Sub-17 do Corinthians, ele flutua, algumas vezes pisando na área, outras vezes distribuindo o jogo pelas alas. Para descrevê-lo em qualidade, William Batista o denominou como um "10 moderno", inclusive, o comparando com um craque-referência da posição.
"O (Gui) Amorim tem uma boa capacidade de assistência e boas jogadas no último terço. Acho que o 10, hoje, tem que ser um 10 moderno. Tipo, o De Bruyne é um cara com muita mobilidade, muita capacidade de construir jogada, mas também de entrar na área. O Amorim tem um talento prévio muito grande. O meu desafio é potencializar isso, dando muito repertório pra ele poder usar tudo aquilo que tem de bom. Fazer dele um meia supermoderno. Um cara que consegue dar linha de passe dos dois lados do campo, um cara que consegue baixar e construir um pouco mais perto do volante, mas que também entra na área para fazer gol", afirmou o treinador.
Para essa condição, de ser um "10 moderno", o atleta precisa de liberdade no campo. A intenção é que, nos pés dele, a bola gire de acordo com a criatividade (e o talento). Porém, é justamente esse jogo livre que William ainda vê potencial de melhora para o jovem. O treinador fez uma analogia, comparando Amorim com um filho, e descreveu como essa liberdade, essencial para o jogo do meia, também pode ser um calcanhar de Aquiles.
"Ele (Gui Amorim) precisa unir ordem e eficácia com o talento dele. Acho que nada adianta liberdade sem ordem e eficácia. É igual a um filho. Se você fala para ele 'tu tem liberdade para fazer o que você quer', mas se você não ensina o que deve fazer, qualquer caminho serve. E qualquer caminho pode ser perigoso para um filho, né? Ele pode usar a liberdade para fazer coisas que são negativas na vida dele. Acho que o jogador de futebol é igual. A liberdade está em você saber interpretar o jogo e ter intenção através do que você faz. Se você consegue ter intenção e tirar vantagem isso é a maior liberdade que o jogo tem. Se você corre muito, mas não sabe onde está, também não significa muita coisa. Então, acho que o meu grande papel com o Amorim é ensinar ele a ter ordem e eficácia. Ordem para ele estar no lugar certo e nas horas certas, e eficácia para ele desequilibrar a equipe adversária com o menor gasto de energia possível", concluiu William sobre Amorim.
Ao todo, em 2025, o jogador fez 36 jogos no Sub-17 e marcou 19 gols. Ele foi o grande artilheiro e o maior destaque da categoria. No Sub-20, fez uma única partida e também anotou um tento. Depois de perder Kauê Furquim por uma multa baixa, um dos primeiros nomes "protegidos" foi justamente o de Gui Amorim.
Gui Bom: o camisa 9 que brilhou e sofreu com uma lesão

Gui Bom é um dos jogadores de maior destaque do Sub-17 do Timão
Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians
Em 2025, Gui Bom rumava uma temporada quase perfeita em termos de evolução, mas sofreu uma lesão séria em agosto. Ele foi diagnosticado com uma ruptura parcial no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo e perdeu o restante da temporada. Mesmo assim, é considerado um dos protagonistas do Sub-17 em 2025.
A expectativa do clube era de que o jovem pudesse ser um dos convocados para a Copinha. No entanto, o problema médico deve minar essa possibilidade. William Batista pediu calma com o processo de recuperação da lesão e quer ter o jogador saudável ao longo da temporada, mesmo que não seja possível a utilização no principal torneio de base.
"O Gui Bom ainda está para retornar (de lesão). Está no momento de transição. Então, de fato, com a equipe, ele ainda não está com a gente. Já vi muitos jogos do Gui Bom e sei que ele é um 9 de mobilidade, um 9 que joga entre as linhas, e eu vou usar aquilo que ele pode oferecer de bom para a equipe. Usar a natureza dele para gerar vantagem para a equipe e para ele próprio. O mais importante é ele estar com a saúde em dia. A Copinha é um torneio importante, mas ela não pode comprometer o ano de um jovem de 17 anos", completou o treinador.
Ao todo, no ano, Gui Bom fez 14 jogos no Sub-17 e marcou incríveis 11 gols. Já no Sub-20 foram outros cinco duelos, com um tento anotado. Veloz, o centroavante é líder no setor ofensivo e também na comunicação da equipe de base, já que carregou a braçadeira pela maior parte do tempo nesta categoria. Porém, apesar do faro, também tem qualidade para distribuir bolas no último terço do campo (deu outras quatro assistências para gols no Sub-17).
