CEO explica impactos da reforma do Estatuto do Corinthians e fala sobre próximos passos da Safiel
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Por Marina Borges e Matheus Quintino

Carlos Teixeira durante o evento de lançamento do projeto Safiel
Rodrigo Vessoni / Meu Timão
O empresário e CEO do projeto Safiel, Carlos Teixeira, concedeu entrevista exclusiva ao Meu Timão após a apresentação oficial do projeto que propõe a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ligada ao Corinthians. Na conversa, ele detalhou os possíveis impactos da reforma estatutária proposta pela diretoria, comentou a ausência do presidente Osmar Stabile no evento e reforçou o compromisso de seguir apresentando o modelo aos conselheiros e torcedores.
Logo no início da entrevista, Carlos foi questionado sobre o que havia dito em coletiva, ao afirmar que a proposta de reforma apresentada pela diretoria inviabilizaria o projeto Safiel. Ele explicou que o modelo defendido pelo presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, vai na contramão do que o mercado busca.
“A reforma como foi proposta ontem com o clube associativo detendo o controle da SAF, ela afasta o capital de investidores que buscam segurança e buscam um cliente previsível. Então, não entraria num investimento desse tipo, porque o que a gente propõe aqui é exatamente o contrário, a gente propõe um modelo onde a gestão é independente e autônoma do clube associativo, ainda que o clube associativo seja detentor de ações das propriedades do futebol na Safiel", destacou.
O CEO também comentou a ausência do presidente Osmar Stabile na apresentação, confirmando que ele havia sido convidado para o evento. Segundo Teixeira, o grupo responsável pela proposta recebeu a notícia de que Stabile não compareceria apenas na manhã desta terça-feira, o que surpreendeu a todos.
“Olha, parece que sim. Parece que existe uma turma lá dentro do Parque São Jorge não querendo que os outros conselheiros ou associados, minimamente conheçam o projeto. A gente ouviu ali de um conselheiro, ele acha que apenas 10% dos conselheiros conhecem o projeto. Significa que nós temos que apresentar o projeto para mais de 270 pessoas. Bom, sobre o presidente Stabile, a gente recebeu com surpresa, hoje de manhã, a informação de que ele não viria, mas isso não impede em nada que a gente dialogue com ele no futuro próximo, ainda pretendemos, se o tempo permitir, ir hoje ao Parque São Jorge entregar a proposta para ele e para o Tuma também", afirmou.
O empresário reforçou que o objetivo do grupo é ampliar o debate e combater a desinformação: “O nosso papel é esse, é apresentar o projeto, é debater, porque ficou muito claro que quando o sócio, quando o conselheiro entende o que é o projeto, dificilmente ele se posiciona contra. Então talvez por isso algumas pessoas estejam com medo de que outros sócios e conselheiros apenas conheçam o projeto, porque é difícil conhecer e não apoiar.”
Tentativas de diálogo com Tuma
Questionado sobre a comunicação com Romeu Tuma Júnior, Carlos Teixeira afirmou que tentou diversas vezes agendar uma reunião com o presidente do Conselho, mas não obteve retorno. “Sim, houve seguidas tentativas da minha parte de agendar a reunião com o Tuma, infelizmente sem resposta.”
Como resposta, Romeu Tuma Júnior recorreu às redes sociais para desmentir a informação, afirmando que “não recebeu os donos da Safiel como foi declarado". Ele ressaltou que, na verdade, já havia informado sobre a reunião - que durou duas horas - em uma coletiva concedida em setembro no Parque São Jorge. Além disso, compartilhou uma mensagem recebida de Carlos na última sexta-feira.
Ainda na exclusiva, Carlos também foi questionado sobre o prazo para que o Corinthians volte a se reestruturar financeiramente e esportivamente, caso o projeto Safiel avance e seja aprovado.
“A gente precisa separar em duas frentes, tá? Existe uma frente que é a frente financeira administrativa e outra frente que é a esportiva. Essas duas frentes não andam na mesma velocidade. Eu diria que do ponto de vista administrativo-financeiro a reversão ela é imediata, ela é instantânea e obviamente que quanto mais tempo passa, mais madura fica essa nova gestão", comentou.
Ele completou explicando que o setor esportivo exige um ciclo mais longo de reconstrução. “Do lado esportivo também vai haver uma reversão, mas o ciclo de recuperação é mais longo. Você sabe, atleta você só contrata duas vezes por ano, categoria de base você leva anos e anos para formar atletas, então assim, ainda que o lado esportivo não tenha a mesma velocidade do lado financeiro-administrativo, a gente entende que a Safiel é o caminho mais rápido e mais curto para que a gente restaure também toda a competitividade esportiva do Corinthians.”
Carlos explicou ainda, que, após a apresentação oficial, o grupo aguarda o posicionamento do clube e do Conselho Deliberativo, mas continuará trabalhando para esclarecer dúvidas e divulgar o projeto entre os associados.
“A nós vai caber daqui pra frente continuar combatendo desinformação sobre o projeto e apresentando o projeto para os sócios e conselheiros. Sobre a proposta, é uma proposta que agora depende do Corinthians o próximo passo.” Por fim, ele encerrou reforçando que o documento entregue não representa nenhum risco ao clube:
“O que é importante deixar claro, se tiverem pessoas associadas ou mesmo torcedores assistindo a nós, é que a assinatura dessa proposta não é vinculante, ou seja, ela é segura para o clube. Ela faz com que nós apenas possamos dar o próximo passo do projeto, que é exatamente fazer as diligências e aquilo que o Tuma até disse ontem, quer dizer, a gente precisa trazer empresas especializadas nisso para levantar a situação das dívidas e finalmente poder chegar num raio-X, numa radiografia completa da real situação financeira do clube", concluiu o CEO do projeto.