Tópicos da reforma do Estatuto do Corinthians geram racha político no Parque São Jorge
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Por Victor Godoy

O Corinthians divulgou o anteprojeto da reforma do Estatuto na última segunda-feira
Rodrigo Vessoni / Meu Timão
O anteprojeto da reforma do Estatuto do Corinthians já vem reverberando no Parque São Jorge e sendo motivo de pressão em Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo (CD) e responsável pelo documento. Antes mesmo da divulgação das possíveis atualizações, dois pontos vêm gerando tensão nos bastidores do Clube, segundo apurou o Meu Timão: o voto aberto para aprovação das mudanças e os artigos que barram contratações de parentes de conselheiros.
Conforme soube a reportagem, um grupo de conselheiros vitalícios (e alguns trienais) vêm pressionando Romeu Tuma Júnior quanto a esses tópicos. Inclusive, havia expectativa nos bastidores de que, no anteprojeto, não fossem incluídos os artigos contra a contratação de parentes de conselheiros para atuarem no Clube.
Vale lembrar que Romeu Tuma Júnior deixou o grupo União dos Vitalícios, chapa composta pelos conselheiros vitalícios do Parque São Jorge, recentemente.
Durante a coletiva concedida para falar sobre o anteprojeto, o presidente Romeu Tuma Júnior chegou a desabafar. “Se o Conselho aprovar algo, ótimo. Se rejeitar, defendo que a decisão final seja submetida à Assembleia. É um processo em construção, previsto dentro do regimento da reforma. Por fim, caso não haja acordo sobre os blocos, a votação será feita artigo por artigo, em sessão de voto aberto. Já me comprometi publicamente com isso e não voltarei atrás, mesmo sob pressões. Fui eleito com esse compromisso e vou cumpri-lo até o fim”, disse o presidente do Conselho Deliberativo.
“No passado, houve casos de funcionários obrigados a votar em determinados candidatos, o que chegou a gerar ações judiciais. Situações como essa não podem mais ocorrer. O Corinthians precisa viver uma nova fase — mais séria, profissional e transparente, com governança e fiscalização efetiva, deixando para trás práticas que comprometem sua credibilidade e seu futuro”, falou Romeu Tuma Júnior em outro momento.
Desde 2023, o Corinthians vem vivendo um boom de contratações de pessoas de dentro do Parque São Jorge para trabalharem no Clube. Nas categorias de base, por exemplo, dois filhos de conselheiros foram contratados para as categorias Sub-17 e 20 com contratos longos e nunca foram sequer relacionados.
Se for aprovado pelo Conselho Deliberativo, o novo Estatuto do Corinthians pretende impedir essas contratações em algumas frentes. Por exemplo, o sexto parágrafo do artigo 69 destaca que: "O cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o 2º (segundo) grau ou por adoção, ficam impedidos de concorrer à sucessão do Presidente da Diretoria." Esses familiares também não poderão suceder o cargo da presidência do CD, tampouco de comissões eleitorais.
Em outro ponto do texto, o artigo 126-A fala da criação de um "Regulamento para Contratações de Serviços e Aquisições de Produtos" e aponta umas diretrizes para contratações:
"VIII - a vedação de contratação de pessoas físicas ou jurídicas que:
(...)
b) possuam sócios, administradores ou dirigentes que integrem quaisquer Poderes do Clube, bem como parentes em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau."
Apresentado o anteprojeto, agora o documento será votado pelo Conselho Deliberativo, em novembro, e, posteriormente, em assembleia geral, em dezembro. O novo Estatuto do Corinthians deve ser aprovado, ainda que com mudanças, até o fim deste ano.