Piccinato avalia vitória do Corinthians e explica modificações no time titular
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Por Bruno Pantarotto, Maria Beatriz, Gustavo Lima e J.Macori
Lucas Piccinato falando à imprensa após conquistar o Brasileiro Feminino
Ronaldo Barreto / Meu Timão
O Corinthians se tornou heptacampeão brasileiro feminino, após as Brabas venceram o Cruzeiro na manhã deste domingo, por 1 a 0, em plena Neo Química Arena. Depois da conquista, Lucas Piccinato explicou as escolhas feitas para montar a escalação alvinegra na final, admitindo as dificuldades e destacando os critérios que levaram às mudanças ao longo do jogo.
“Escalar o Corinthians é sempre uma decisão difícil; todo pré-jogo é sempre uma guerra mental minha com a minha comissão, com o que a gente vê do adversário, com o merecimento, com o poder de decisão. Hoje, com certeza, não foi fácil deixar a Vic no banco, que é a maior artilheira da história do Corinthians, mas, por uma análise nossa de que o adversário ganhou muitas segundas bolas em alturas altas, ganhou muitos duelos em momentos que a gente estava na fase final de construção, a gente preferiu colocar uma perna mais rápida no meio”, explicou o técnico na coletiva de imprensa.
“A decisão de retornar a Johnson pro time, se ela estivesse bem no Independência, provavelmente ela jogaria, porque é uma jogadora que gera muito. E a gente vira no intervalo 0 a 0, mesmo com algum domínio, o Cruzeiro tendo oportunidade na bola parada, e ali era um momento chave pra gente mudar a equipe e não perder tempo de ter mais uma jogadora ofensiva. Fico feliz que deu certo, mas são sempre decisões muito difíceis, nunca é escalar esse time, nunca é fácil, principalmente uma final, todo mundo quer estar, e fico feliz que a gente conseguiu fazer um bom trabalho hoje”, acrescentou.
O treinador também analisou o desempenho do Corinthians nos dois confrontos contra o Cruzeiro, reconhecendo erros defensivos na partida de ida e destacando o equilíbrio do duelo na Neo Química Arena.
“Eu acho que, no primeiro jogo, a gente fez um grande jogo e o Cruzeiro, ele pune muito nessas bolas alçadas nesses cruzamentos. Byanca é especialista nisso. Ela cruza como ninguém. Tem muita gente atacando, e a gente falhou. A gente foi mal nos dois gols sofridos lá. Isso colocou a gente numa condição de não poder voltar com uma vantagem. Acho que a gente poderia ter feito mais gols porque a gente criou pra isso”, contou.
“No final do jogo a Zanotti quase faz um gol de letra no escanteio. A Jaque teve duas chances cara a cara, e traz pra cá numa condição de jogo de volta, onde mentalmente o adversário está confortável com ir para os pênaltis. O Cruzeiro estava confortável no primeiro tempo com os pênaltis. Porque ele sabe que jogar aqui é muito difícil. E a gente fez, no primeiro tempo, que a gente criou algumas oportunidades”, avaliou.
O treinador ainda ponderou que a principal ocasião do Cruzeiro veio em uma bola parada, que parou no travessão de Nicole Ramos.
“Acho que o Cruzeiro teve a principal oportunidade do jogo, que foi uma bola parada. Continua nesse tópico. E a mudança, acho que fez bem pra que a gente pudesse atacar mais. A gente construiu, logo no começo do segundo tempo. Acho que a gente vive uns 15 minutos bons. E depois, o time acaba baixando", relatou.
"E é uma coisa que todo mundo me questiona. Nenhum momento eu queria baixar o time. Só que o time baixa. O adversário está tendo o jogo da vida. O adversário tem jogadoras da seleção brasileira. O adversário vai buscar todas as possibilidades que ele tem para tentar uma última bola. Acho que a gente foi muito feliz em alguns momentos”, revelou.
Na coletiva, Piccinato ressaltou a rivalidade crescente com o Cruzeiro nos últimos anos e valorizou o projeto mineiro, mas lembrou que, dentro de campo, o Corinthians levou a melhor em todos os mata-matas recentes, casos da Supercopa Feminina e da Copa do Brasil nesta temporada.
“A gente enfrentou o Cruzeiro muitas vezes nesses dois anos, então, naturalmente, ele cria-se uma rivalidade de um adversário que nos incomodou na Supercopa do ano passado, de um adversário que fez a pior derrota nossa na história, de um adversário que fez. semifinal da Supercopa. Então a gente vem se encontrando muitas vezes, e isso cria uma rivalidade natural. Fico feliz pelo projeto de BH, de Minas Gerais, de acolher o futebol feminino da forma que tem acolhido", elogiou.
"Fico feliz de a gente ter vencido todos os confrontos mata-mata que a gente enfrentou. Classificado para Libertadores ano que vem. Eu não sei como é que é a classificação da Supercopa, eu não me lembro, mas acho que é o campeão da Copa do Brasil com o campeão brasileiro. Se for o mesmo e, se Deus quiser, vai ser a gente que a gente vai trabalhar muito para isso. A gente pode encontrar numa Supercopa”, contou.
Questionado sobre lições que a equipe pode tirar do ano, o comandante reforçou a necessidade de começar melhor as competições, especialmente as de tiro curto, como a Libertadores, que tem duração de menos de três semanas.
“Não começar mal. Acho que esse é o maior aprendizado: não deixar a temporada começar e a gente, de certa forma, sentir muitos golpes ali no começo do ano. Red Bull Bragantino (2 a 2) foi um jogo que a gente sentiu demais como equipe. Um empate, a gente vai para o clássico contra o Palmeiras e leva a virada”, relembrou.
“Acho que o grande aprendizado é a gente começar bem, como a gente começou o Paulista, como a gente começou a Copa do Brasil, com uma grande classificação. A Libertadores é um tiro curtíssimo e a gente não tem tempo de errar. Então, não tem como começar num ‘Ah, fizemos um jogo mais ou menos aqui, a gente recupera lá na frente’. O Brasileiro dá, e deu, a gente mostrou que deu, mas as outras competições não dão tempo. Então, a gente precisa ser muito assertivo e acho que essa é a grande lição. Pra gente não se colocar nessa subida que a gente se colocou, a gente precisa, necessita”, avaliou.
Por fim, Piccinato não escondeu a emoção de conquistar mais uma taça diante da Fiel e exaltou a capacidade de superação do grupo em uma temporada de altos e baixos
“Sensação indescritível. Eu acho que o primeiro ano passado, óbvio, tem um gosto muito especial de ser o primeiro, mas por tudo que a gente passou essa temporada, tudo que a gente ouviu como equipe, como staff, como comissão, como o grupo de atletas, por tudo que a gente teve que se superar nesse momento. A gente não começa o ano bem e finalizar com um título é algo mágico e um momento muito especial e mérito demais desse grupo de atletas que se reinventa o tempo inteiro para continuar conquistando. Esse grupo é muito forte e vai continuar sendo”, concluiu.
O Corinthians já vira a chave para mais uma decisão. Na próxima quarta-feira, dia 17, às 15h, as Brabas voltam a campo pela Copa do Brasil Feminina, em jogo único contra o Juventude, na Fazendinha, valendo vaga nas quartas de final.
