Idealizador da SAFiel explica proposta e pede assinatura de presidente do Corinthians em documento
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Por Daniel Keppler e Rafael Jacobucci

Carlos Teixeira atendeu à imprensa antes de live que promoveu a SAFiel
Roseigo Vessoni / Meu Timão
Na noite deste sábado, os idealizadores da SAFiel promoveram uma live com jornalistas e influenciadores para impulsionar o abaixo-assinado que busca angariar apoio ao projeto. A iniciativa pretende gerir o futebol do Corinthians por meio de uma SAF, captando ao menos R$ 2,5 bilhões por meio da venda de ações a torcedores.
Antes do evento, o empresário Carlos Teixeira, um dos sócios da SAFiel, concedeu entrevista aos jornalistas presentes e falou sobre vários tópicos, incluindo a importância de o Corinthians passar a debater a proposta não vinculante apresentada recentemente. Segundo ele, o documento não fecha nenhum acordo, mas abre a porta para os próximos passos serem tomados.
"A proposta não vinculante permite que o projeto seja desenvolvido. Nós, como idealizadores, amadurecemos o projeto ao longo de um ano de debate com a torcida, com o mercado, com advogados. A gente deixou o projeto o mais perfeito do ponto de vista jurídico e do ponto de vista do torcedor", afirmou.
"Ele está em um ponto agora que, para que prossiga, o Corinthians precisa estar na mesa, junto. Os contratos precisam ser confeccionados, as diligências precisam ser feitas, os fundos precisam ser estruturados para que as ações possam ser distribuídas para os torcedores, e nada disso é possível ser feito se o Corinthians não estiver na mesa", completou.
Outro ponto mencionado é a diferença entre a SAFiel e outros modelos de SAF instituídos recentemente em clubes do futebol brasileiro. Teixeira reforçou o uso do modelo de propriedade difusa, o que impediria qualquer corinthiano de acumular participação suficiente para exercer controle sobre a sociedade.
"A SAFiel não é uma SAF de um dono, é uma SAF dos corinthianos, é uma SAF que vai pertencer à comunidade corinthiana. Todo corinthiano vai poder ser acionista e nenhum corinthiano vai poder ter controle relevante da SAF de forma que o poder está pulverizado entre todos os corinthianos", declarou.
Segundo ele, a meta da campanha do abaixo-assinado, que se encerra no dia 9 de julho, é chegar a 100 mil assinaturas, que serão entregues ao presidente Osmar Stabile junto com um cheque simbólico - momento que o empresário enxerga como o limite da responsabilidade dos idealizadores no processo.
"Nós vamos fechar a campanha em 30 dias. Ela vai fazer 30 dias no dia 9 de julho. A gente acabou de completar 15 dias de campanha. A partir do momento que nós, como idealizadores, entregarmos as 100 mil assinaturas e entregarmos o cheque mediante às condições que já estão lá na proposta não vinculante, nós entendemos que do nosso lado não há mais absolutamente mais nada a fazer", disse.
A possibilidade de um aporte antecipado ao Corinthians, prevista na proposta não vinculante, também foi discutida. Sobre esse tema, Teixeira deixou claro que as condições desse pagamento ainda dependem de negociação e de quais garantias o clube pode oferecer em contrapartida, a fim de que sejam definidas taxas e o montante em jogo.
"Um aporte de capital antecipado no Corinthians depende primeiro de garantias. Quais as garantias que o Corinthians tem para oferecer, em troca de um aporte antecipado? Então, a partir daí, se definem as condições, se definem taxas e, de novo, vai depender, obviamente, de nós estarmos com o Corinthians em uma mesma mesa, desenhando e construindo junto essas questões que estão em aberto ainda", reforçou.
A identidade dos investidores da SAFiel também foi questionada. O idealizador defendeu a solidez das parcerias já estabelecidas pelo projeto e justificou o sigilo como exigência dos próprios interessados, que aguardam a entrada formal do Corinthians nas negociações para se identificarem.
"Nós temos bancos muito sólidos que estão trabalhando conosco no projeto, mas que só querem entrar a partir do momento que o Corinthians estiver na mesa também. Muitas pessoas, torcedores que querem investir, não querem necessariamente abrir o nome. As pessoas têm as vidas privadas delas. (...) Eu posso dizer claramente que eu e o Eduardo, por exemplo, o Maurício, boa parte dos idealizadores, faremos parte desse aporte antecipado. Mas muitas outras pessoas que sinalizaram para nós não querem o nome delas revelado até que isso seja oficializado", acrescentou.
Teixeira encerrou a entrevista com recados. À torcida em geral, fez um apelo ao engajamento imediato e argumentou que a omissão equivale a um posicionamento contrário ao projeto. Já aos associados, o empresário recorreu aos números do balanço do clube para justificar a urgência e listou o que a SAFiel se compromete a entregar caso o projeto avance.
"Chegou o momento de todos se levantarem e colocarem a sua voz sobre o futuro do Corinthians. Ninguém mais pode se omitir nesse momento. Se omitir significa votar ou se posicionar a favor disso que está aí. (...) O maior risco é não fazer nada. Hoje o Corinthians tem um patrimônio líquido negativo, se nós vendermos tudo que a gente tem de propriedade, a gente ainda fica devendo 700 milhões. A SAFiel vai sanear o clube financeiramente, o clube não vai ter perda patrimonial com a SAF. A SAFiel vai assumir as dívidas, vai profissionalizar o futebol, vai separar a política associativa da gestão do futebol, vai pagar royalties para o clube associativo", completou.