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Fórum do Corinthians

Análise fria do jogo

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Victor 6.873 posts

Publicado no Fórum do Meu Timão em 03/02/2022 às 00:02
Por Victor Gomes (@victor.gomes3)

Boa noite (nem tanto, não é?)

Bom, estou escrevendo isso enquanto o jogo ainda está rolando (nesse momento, 46 do segundo tempo).

Como o próprio título diz, é uma análise fria. Sem paixões (ou, no mínimo nível possível).

Quando o jogo começou, os dois times deram dificuldade para a saída de bola dos seus adversários. O Santos e o Corinthians resolveram marcar no campo adversário.

O jogo ficou truncado, feio, disputado. Mas no que o primeiro tempo corria, via-se que o jogo do Corinthians passaria muito por Renato Augusto. Ele movimentou bastante. Inteligente que é, jogou solto, na segunda linha de meio e trocou de posição com o Giuliano em vários momentos. Nas idas falsas que o Renato Augusto as vezes faz pra enganar a marcação e ter espaço pra chutar, Gabriel Pereira, hoje escalado como externo do lado direito, não viu esse movimento em nenhuma delas e sempre buscou o fundo. Na única jogada em que resolveu buscar jogo por dentro, levou perigo.

Quando ia pra linha de fundo, o Corinthians tinha Mantuan e Roger Guedes dentro da área, mas nenhum deles antecipando a defesa adversária. Normalmente eu não dou trela para as análises táticas dos comentaristas de televisão. Considero que a maioria não sabe fazer uma leitura tática. São meros assistidores de futebol. Mas hoje, o PVC (estava comentando no Premiere) fez a leitura correta: se Mantuan e Roger Guedes se resumissem só a trocar de posição, a defesa do Santos não ia entrar. Era preciso um atrair a marcação para que o outro infiltrasse pelo espaço gerado na linha (o famoso facão).

Nesse momento, eu pensei aqui na minha casa: é jogo para o Jô.

Ok, ele não vive a melhor fase da vida. Mas ainda consegue entregar um resultado interessante enquanto centroavante, a depender do que o jogo peça. Pois bem, o jogo estava pedindo um homem de retenção de bola no ataque, pra dar tempo da defesa subir e encaixotar o adversário com as linhas mais baixas. Sem centroavante, a última linha do Santos não tinha muito trabalho.

Depois de um primeiro tempo bem difícil, parece que o Sylvinho teve a mesma avaliação que eu tive. Colocou o Jô.

E aí começaram 45 minutos que podem ser divididos entre os melhores 20 minutos do Corinthians nos três jogos até aqui e os piores 25 + acréscimos.

Quando entra o Jô, o Corinthians passa a ter um pivô. Na primeira jogada em que ele é acionado dentro da área, acontece o que faltava no primeiro tempo: de novo, uma jogada pela direita e um cruzamento. Qual foi o diferencial? Foi o jogador que te dá presença de área. Ele escora o zagueiro e depois guarda bem ao melhor estilo centroavante.

O Corinthians jogava bem mas pecava na terceira etapa do DRAF (Defende, Recupera, Avança, Finaliza). A construção ofensiva, em determinados momentos, estava muito lenta. Não aproveitava certos espaços cedidos pelo Santos.

Não tinha velocidade pra matar o jogo. Sylvinho percebeu. Colocou o Mosquito.

Até os 19 minutos, parecia que era um jogo seguro. O Matheus Donelli não tinha trabalhado ainda.

O que aconteceu, então?

Carille colocou, pouco tempo antes disso, Marcos Guilherme e Lucas Pires. Ambos do lado esquerdo do Santos (direito do Corinthians). Onde joga o Mosquito. O segundo não teve grande impacto no jogo mas o Marcos Guilherme sim. 3 duelos disputados e 2 ganhos. 1 assistência no jogo. Jogando da esquerda pra dentro.

Du Queiroz foi forçado, o Corinthians se complicou na saída de bola e tomou o gol numa falha do João Victor (acho que todos concordam).

Sylvinho ousou (me surpreendeu). Quis ganhar o jogo. Ok, admito que foi uma atitude de coragem. Só tinha um problema: o problema do Corinthians, claramente, era emocional.

O time ficou perdido após o gol tomado. João Victor teve atuação tenebrosa. 8 duelos disputados e apenas 1 único ganho.

Carille não é bobo. Colocou em campo, ao mesmo tempo, Carlos Sánchez e Léo Baptistão.

O uruguaio é cascudo. Gosta de jogo grande e sabe como se comportar numa partida assim.

E Baptistão? Alto, o centroavante entrou para fazer o mesmo que Jô: reter a bola no ataque e impedir que o Corinthians saísse em contra-ataque, porque, de fato, estava levando perigo.

O Corinthians teve um momento no fim do jogo onde, após levar um tapa na cara (perder a vitória) e acordar, criou duas chances. Paulinho parou em João Paulo. Roger Guedes isolou.

O Santos foi muito compacto o jogo inteiro. Ao melhor estilo Carille: vai ao ataque uma vez no jogo e mata.

Me surpreendeu a volatilidade tática do Corinthians no segundo tempo: os primeiros minutos foram os melhores do ano. O restante dos minutos foram os piores. A equipe se perdeu completamente. Não conseguia sair jogando sem errar bobamente.

Mas, quando parei e pensei, não foi algo que deveria ter me surpreendido. Acompanharam o que disse o Renato Augusto quando acabou a primeira etapa?

O meia foi assertivo: estavam errando lances que o Sylvinho tinha treinado com eles um dia antes.

Como já escrevi demais, encerro por aqui. A avaliação de quem errou, acertou... Bom, isso é muito pessoal. Como disse, quis trazer uma análise fria e, mais uma vez, entendo que o melhor e o pior do Corinthians pode ser visto no segundo tempo dessa partida.

Lições? Algumas. João Victor é maduro mas ainda é jovem. Embora nos surpreenda, ainda comete erros. Esse é um deles. Outro: Jô pode não ser uma opção pra ser o cara do time mas ainda é útil.

Há outras? Há, certamente. Mas como disse: já escrevi demais.

Abraços e uma boa quinta-feira a todos.

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Rafael 2.913 posts

@rafael.morais10 em 03/02/2022 às 08:46

Sua análise é boa, Victor.

Mas o modo como menciona o 'descontrole emocional' pós gol do Santos pode dar margem a uma interpretação que isenta o treinador de responsabilidades. Não estou dizendo que você afirmou isso, mas que o texto permite essa inferência.

Entendo que preparar a equipe para diferentes situações de uma partida é grande parte do trabalho do técnico, senão o core de sua atividade profissional.

Abraços

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Rodrigo 7 posts

@rodrigo.cavalcante.m em 03/02/2022 às 12:05

Muito boa a sua análise, acredito que o Sylvinho foi demitido em um jogo onde o Corinthians teve uma boa atuação, mas não soube matar o jogo, perdemos por erros individuais. Eu não teria demitido o técnico nesse momento, apesar da pressão imensa.

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Lord 21.558 posts

@henrique.garcia5 em 03/02/2022 às 10:11

Tem um erro de planejamento (entre muitos) da diretoria que ninguém quer enxergar: Renato Augusto é nosso maestro, mas não aguenta 90min.

Se todos os times que nos enfrentarem souberem disso (e quem faz o dever de casa provavelmente saberá) vamos tomar muito sufoco nas partes finais dos jogos, como aconteceu no Brasileirão todo.

Que a diretoria ou técnico encontre uma solução, senão ficará fácil para os rivais

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Jorge 7.511 posts

@filhinho em 03/02/2022 às 09:55

Análise correta Victor. E digo mais um ponto que a meu ver tem a responsabilidade do treinador:

Apesar de ter enxergado essas questões que você cita, ele não enxergou uma noite ruim do Du Queiroz já no primeiro tempo. O correto era ter sacado no intervalo e colocado o Paulinho. Dessa forma recuava um pouco o Giuliano. E pior que isso, coloca o Paulinho tarde, com o placar adverso e uma carga monstro sobre ele que igualmente no jogo de Domingo não entrou no clima do jogo e mal tocou na bola.

Sem contar que os cruzamentos feitos pelos nossos jogadores são de doer, viu? Será que não treinam isso? Repararam quantos houveram no jogo e quantos podem ser considerados razoáveis?

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@all.colatra em 03/02/2022 às 09:24

Eu acho que mesmo no primeiro tempo o time jogou razoavelmente bem, era para ter ido para o intervalo vencendo se aproveitasse melhor as oportunidades.

E quanto ao Jô eu venho falando isso faz tempo, ele não está bem tecnicamente e fisicamente mas ainda assim é melhor do que os outros por ser o único com características de centroavante, não adianta ter um jogador mais jovem e rápido todo perdido ali na referência do ataque

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Sergio 11.768 posts

@asrdecampos em 03/02/2022 às 09:14

Concordo com tudo.

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Tatiane 11.649 posts

@tatiane.prado1 em 03/02/2022 às 09:10

Tem uma galera em peso aqui no fórum, que acha bem simples a utilização de todos meias juntos.

E não é tão simples...o motivo do Corinthians tomar a virada foi justamente não ter uma dupla de volantes postados a frente da zaga.

Dú Queiroz sozinho não deu conta...e depois que tomou a virada o Silvinho expôs ainda mais o meio...deixou tudo escancarado como se quantidade no ataque fosse resolver o problema...ledo engano!

Desafio para o próximo técnico...qual dos meias ficará fora (William, Renato Augusto e Giuliano)...ou se vai jogar sem centroavante!

Não tem ginástica pra esticar a quantidade...é um cobertor curto...ou sai um volante...ou sai um meia...ou joga sem centroavante.

Esse será o primeiro desafio do próximo técnico!

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Marcel 801 posts

@marcel.ribeiro3 em 03/02/2022 às 08:24

Grande Victor... Parabéns pela analise. Não entendi a questão do RA falar que estavam errando passes de um treinamento do dia anterior. Na sua opinião falha dos atletas em não colocarem em prática o treinamento ou falha do treinador em apresentar uma estratégia somente 1 dia antes do jogo?