Avisei que a temporada já estava batendo na porta. Com todo respeito ao Novorizontino, que está fazendo um campeonato quase perfeito e tem mérito absoluto em chegar na final eliminando o Corinthians e o Santos, mas não existe mundo onde a gente pode normalizar uma eliminação contra um time de tanta discrepância de tamanho comparado com nós. Ainda mais em mata-mata, depois da loucura que foi ano passado nas partidas de ida e volta, ou apenas jogo único, da soberania que transpusemos nesses momentos. Agora está evidente que a temporada já começou? Não é porque estamos em fevereiro que o ritmo tem que ser de pré temporada, precisa levar um presta atenção pra não se acomodar com o que ganhou ano passado. Esse ano precisa ser de chegar as fases finais na Libertadores, era pra ser no mínimo a final do Paulista, e é briga por G6 no Brasileiro. Talvez o mais fácil dos objetivos se esvairou hoje. Não vou criticar a postura do time, diferente de como foi contra a Portuguesa, eles jogaram sério e entenderam o tamanho do jogo, mas ainda precisava de mais, e isso se dá pelo ritmo da temporada que eles decidiram adotar. Jajá eu específico um nome que nitidamente está voltando das férias e das festas de aniversário, mas ele passa longe de ser o único. Agora é aprender com essa eliminação, entrar logo na temporada para começar a virar o diagnóstico desse início de ano.
O esquema veio diferente hoje, cinco no meio e sem jogadores de lado, apenas volantes e meias armadores, que foi a estratégia utilizado no jogo do assalto em Santos. Mas hoje não funcionou, diante do esquema defensivo do adversário que se posta muito bem em momentos de defesa. Então a falta de dribles, de lapsos individuais para desencaixar essas marcações por zona, que eram bem feitas por estarem em muitos fez falta. E sem o Yuri, não tínhamos uma referência lá na frente para os meias o lançarem, já que a característica do nosso único atacante hoje, no caso o Memphis, passa longe disso. O jogo começa com o Corinthians tentando lançar rápido os jogadores a frente, mas errava muito e entregava a posse. E foi em um desses momentos de tentar encontrar um passe que a posse é perdida. O adversário rouba, solta e já distribui a bola nas costas da nossa zaga, Paulista aparece gigante e salva o lance com o atacante deles sozinho com o Hugo. Ali já ia moldando como o Novorizontino iria se comportar, pensando em esperar o erro e atacar com velocidade e verticalidade a última linha. O adversário começa a gostar do jogo e se lançar a ataque também, sendo perigosos e até superiores até uns vinte minutos do primeiro tempo. O Corinthians volta a atacar com a falta sofrida pelo André, que foi um dos únicos que se sobressairam hoje, e ali o time tentava atacar, na maioria de longe do gol, além da boa jogada que foi articulada na altura dos 35min, do passe que chega para o André, que passa para o Matheuzinho, a bola cruza toda a área e chega para o Bidu que, de bate pronto, finaliza ao lado do goleiro. Trazia mais perigo do que o adversário em quesito de finalização de jogada, por chegar mais perto do gol, mas ainda sentia o perigo iminente por saber que eles estavam confortáveis com aquele cenário, pois sabem se comportar sem bola. Ainda era muito pouco, sabendo da capacidade do outro time, deveria matar o jogo o mais rápido possível, o que não aconteceu.
Segunda etapa já começa com uma grande chance do Garro, talvez a única criada por ele hoje, que acha um passe magnífico atrás da linha de defesa, que vai de encontro com o Bidon que chuta em cima do Jordi, que já diminuia o espaço dele. Depois mais uma chance, dessa vez com o Memphis que chuta desequilibrado em cima do defensor, causando o escanteio. Além disso, tem a finalização do Matheuzinho, que também foi resultado de uma boa jogada do time, desde lá atrás no lançamento do Allan, as movimentações do André e do Garro, que vira o campo para o Matheuzinho, que tabela e finaliza. Caso continuasse, o gol poderia sair, mesmo com pouca presença por parte do nosso único atacante. E o gol aparece no momento onde o Corinthians jogava melhor, mas não se mantinha seguro defensvamente, com as empreitadas efetivas do Novorizontino. E em uma dessas, arma uma boa jogada diante de um cenário em que os nossos jogadores não olharam para trás nos momentos chave da jogada e isso acabou se resultando na finalização. A bola chega no lateral deles, que se vê com muito espaço para cruzar, algo que era para ser reparado pelo Bidu no momento, que era o responsável pelo setor. O lateral deles acha um grande cruzamento, que corta a área inteira, chegando no outro lateral deles, que também teve espaço para finalizar. O Matheuzinho, responsável pelo setor, estava mais perto da marca do pênalti do que da sua área de defesa, e o André não repara nas suas costas e nem percebe que ele estava lá. Ali meio que já era nítido que o jogo acabou, pois estava perfeito para o Novorizontino, que já se defendia com o empate, com a vitória iriam estacionar o ônibus na frente da área e queimar todo o tempo de jogo possível. Além do cenário desfavorável, as escolhas do Dorival se mostraram péssimas na partida em quesito de substituir jogadores. Tira o Garro e o Bidon que, mesmo mal na partida, iriam agregar diante de um cenário onde o time iria ficar mais com a bola e viver de cruzamentos alçados na área. Tinha de entrar mais atacantes mesmo, mas ali tira os responsáveis por municiá-los, o que não me fez sentido na hora. Como sempre, Pedro Raul fez grandes nadas hoje, e o Dieguinho errou literalmente tudo hoje. E ele ainda se mostra tão cotraditório que na próxima mexida ele coloca o Carrillo, que era para cruzar essa bola na área, coisa que Bidon, Garro e até o Allan que saiu fariam. André também poderia ser útil por conta da sua presença na área e no seu tamanho, que poderia agregar nas jogadas de cruzamento. Aquela situação era de ataque total, tirava um zagueiro ou alguém que não iria agregar naquele bendito cenário. Ficou nisso mesmo, fazia tudo de qualquer jeito, no desespero e na empurrância, sem qualquer emocional, diferente do Novorizontino que se postava com muita segurança e presença.
Vamos agora destacar algumas atuações individuais:
* André: Primeiro tempo é recital de bola, gigante armando e defendendo, como já virou comum. Segundo tempo abaixo, mas longe de jogar mal. Sai por conta do que o jogo virou, mas talvez tenha sido o grande nome corinthiano na partida. Ps: 17 milhôes de euros é entregar o menino por uma paçoca e duas balas Juquinha. E se fechar esse negócio é papo de ir no PSJ e abrir auditoria contra a gestão.
* Gabriel Paulista: Salvou a gente no início do jogo e novamente faz uma grande partida. Sempre muito impontente, absurdo como ele se porta diante dos atacantes adversários. Se precisa correr, ele chega na frente, se precisa ganhar no alto ele está pulando no terceiro andar, se precisa ganhar no ombro ele chega gigante na dividida ou na interceptação. Tudo isso com 35 anos e cheio de lesão no currículo, já disse e repito: Peço desculpas para o(s) responsável(is) pela contratação e desculpa ao Gabriel Paulista, que eu julguei erroneamente antes de chegar. Talvez a grande surpresa da temporada.
* Raniele: Desastre de novo hoje. Não passa qualquer segurança com a bola no pé. É papo de fazer que nem faz com criancinha, deixar ele, a parede e a bola. Deixa ali umas horas por dia, sozinho para ver se consegue melhorar o passe e o domínio. O jogo com bola do Raniele é pavoroso, talvez o pior de todo o elenco de linha, precisa melhorar isso urgente, pra ontem, ainda mais com ele sendo primeiro volante, o responsável pela saída de bola e pela ligação ataque-defesa que ele precisa fazer. Hoje vai mal, seja com passe, lançamento ou domínio.
* Garro: Se o Yuri não tá em campo ele simplesmente some, não acha ninguém em campo. E com ele, de vez em quando está jogando bem. Hoje teve a chance de fazer o gol na falta rasteira do Memphis e furou. Não acho que mereça ser jogado aos leões e que precise ser tratado com 'one season wonder', mas que está jogando mal está.
* Memphis: Zero gols no ano e uma festa de arromba. E aí? Bom dia, good morning, goedemorgen Memphis. Vai morar na temporada passada que você quase que não deslancha? Cadê o The Chosen? Ficou em 25 ou ficou nas festinhas? Fez porcaria nenhuma hoje, assim como em grande parte do ano, e o salário está lá caindo (ou previsto para cair, já que estão devendo ele). Precisa ser cobrado, e para ele eu não vejo revolta, não vejo gente xingando até a última geração, não vejo julgamentos. Precisa ser cobrado e muito, assim como outros desse elenco.
Vamo ganhar nada lamentando o que aconteceu. Agora é absorver, entrar de cabeça na temporada e rumar aos objetivos, transformar essa frustração em motivação em campo. Deixe aqui embaixo o que achou do jogo, se concorda, discorda ou deseja acrescer algo a minha análise. No meu perfil está o link do meu Twitter/X, lá eu falo além das análises, sempre do nosso Coringão. Passem lá para a gente bater um papo! Muito obrigado pela sua paciência, até a próxima partida e Vai Corinthians.