A discussão sobre quem merece um busto no Parque São Jorge precisa ser tratada com seriedade. Não é só sobre ter jogado bola, é sobre postura, coerência e respeito ao Corinthians durante toda a vida, dentro e fora de campo.
Por isso, fica cada vez mais difícil defender que o Craque Neto mereça ser considerado ídolo absoluto ou ter busto no clube. Ele merece sim ser lembrado pelos feitos de 1990, isso é inegável. Aquela campanha faz parte da história do Corinthians e ninguém apaga. Mas idolatria é outra coisa. Idolatria é legado contínuo, é responsabilidade, é honrar o clube sempre. E nisso ele falha repetidamente.
Para começar, antes de jogar no Corinthians, o próprio Neto já deixava claro que não tinha toda essa identificação com o clube. Jogou nos porcos, fez gol na gente e ainda tirou onda dizendo: “eu gosto de fazer gol neles”. A memória existe. Só alguns escolhem não lembrar.
E como comentarista, então? Vive espalhando versões incompletas, como quando insistiu por anos na narrativa de que o Inter foi “roubado” em 2005, ignorando convenientemente que:
- O Inter venceu o Brasiliense com gol impedido no jogo anterior;
- No primeiro turno, no jogo contra o mesmo Inter, teve um pênalti claro no Jô que não foi marcado no Beira-Rio;
- Mesmo que o pênalti do Tinga fosse dado e convertido, o Inter empataria em pontos, mas ficaria atrás no saldo de gols;
- E que o próprio Inter poderia ter sido campeão se tivesse vencido o rebaixado Coritiba na última rodada.
Nada disso ele falava. Preferia alimentar narrativa. Só voltou atrás quando foi cobrado.
E agora, mais uma. Mostrou o gol do Memphis e falou que foi mão, insinuando que o gol contra o Cruzeiro deveria ser anulado. De novo, incoerência pura. É difícil respeitar alguém que usa a visibilidade para atacar o próprio clube que o consagrou. Quem era o Neto antes do Corinthians? Busto pra quê?
Ele ainda afirma publicamente que, se jogar porcos x Ponte Preta, vai torcer para o time da Barra Funda. Quer dizer, mais Guarani do que Corinthians.
E o problema não é só o Neto. O clube precisa discutir responsabilidade e coerência entre outros ex-jogadores também.
O caso do Ronaldo Giovanelli é emblemático. Dentro de campo, foi gigante: ídolo, monstro, recordista de jogos, mais de 600 partidas, 10 anos defendendo o Corinthians em altíssimo nível. Mas fora de campo, como conselheiro, é uma decepção. Votou a favor das contas da gestão Andrés Sanchez de 2019 e 2020, mesmo com os escândalos que vieram depois.
E pior, o próprio Ronaldo nem banca seu título de sócio. Depende de outra pessoa para pagar por ele... Ainda vive chupetando camarote famoso na Arena, sem colocar a mão no bolso. Se não paga nem o título de sócio, quem garante que não está lá por conveniência política? Fica feio. Fica não, tá feio.
Como já disseram os Racionais em Capítulo 4 Versículo 3:
“Em troca de dinheiro e um cargo bom, tem mano que rebola e usa até batom.”
Não existe verso mais preciso para definir certos comportamentos desses caras.
O Biro-Biro segue o mesmo caminho. Jogador enorme, referência, raça, história. Mas como conselheiro repetiu o erro e votou a favor das mesmas contas da gestão. Não tem busto. E, com essas atitudes, não merece ter.
O passado deve sim ser lembrado, celebrado e respeitado. O passado é o que faz o Corinthians gigante. O que precisa ser revisto não é o orgulho da história. É a coerência. A idolatria precisa combinar grandeza no campo com decência fora dele.
A diretoria e o Departamento Cultural precisam assumir essa responsabilidade. Busto não é lembrancinha. Busto é símbolo. Símbolo representa valores, caráter e compromisso com o Corinthians.
Por isso, fica claro: Neto, Ronaldo e Biro-Biro merecem respeito pela bola que jogaram, mas não merecem busto enquanto suas atitudes fora das quatro linhas contradisserem aquilo que o Corinthians representa.