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O processo que desmente as falácias sobre as contratações para a base do Corinthians
Victor Godoy

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e no Meu Timão desde 2022. Corinthiano e, consequentemente, fã de futebol desde pequeno. Vivendo um sonho ao trabalhar com os dois ao mesmo tempo.

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Claudinei Alves e Augusto Melo vêm exaustivamente repetindo que as contratações para a base do Corinthians foram sem custos. Pois bem...

Foto: Gustavo Vasco / Corinthians

Na tentativa de voltar ao poder, o presidente afastado Augusto Melo vem concedendo exaustivamente entrevistas para se defender. Um tópico sensível para a gestão são as 87 contratações que o Meu Timão vem cobrindo cautelosamente desde 2024. Com este zelo, o portal trouxe a público que o atacante uruguaio Franco Delgado está processando o Corinthians. A ação desmente algumas falácias sobre o tema.

Antes de mais nada, trago o significado de falácia: "Argumentos que parecem válidos, mas que contêm erros lógicos ou de raciocínio que os tornam inválidos." Assim que o tópico "contratações para a base do Corinthians" vem sendo tratado.

Franco Delgado custou cerca de R$ 625 mil ao Corinthians. Se vencer o processo, terá direito a mais R$ 604 mil, resultando em um despesa de R$ 1,29 milhão. Logo, não foi uma "parceria sem custos" que Claudinei Alves, ex-diretor-geral, e Augusto Melo vem batendo na tecla.

Franco Delgado em ação contra o Atlético-GO no Brasileirão Sub-20

Franco Delgado marcou dois gols em 13 jogos oficiais pelo Corinthians Sub-20. Cada bola na rede custou mais de R$ 600 mil ao clube

Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians

Paradoxalmente, o processo movido pelo atacante uruguaio trouxe um bastidor: o jogador recebeu um aumento previsto em contrato de R$ 15 mil para R$ 20 mil. O valor não é uma simples "ajuda de custo". Conversando com uma pessoa entendida dos bastidores do futebol de base no Brasil, ela me garantiu que é um salário de "jogador de Seleção Brasileira" ou pelo menos de um que "já está treinando com o profissional com frequência".

Ao nível de curiosidade, o que o uruguaio recebia no Corinthians era cerca de quatro vezes maior que o salário de Denner, joia que o Timão não poderia renovar para não "inflacionar a base" segundo Augusto Melo.

Essa questão da ajuda de custo também é importante. Dos contratados, os que possuem contrato de formação realmente possuem um apoio financeiro, mas os com contrato profissional têm salário garantido ao Conjunto das Leis Trabalhistas (CLT) - que envolve 13º salário, férias, FGTS, etc. Tudo isso traz custos ao Corinthians. Nada é de graça.

Fazendo uma matemática de padaria: vamos supor que todos os jogadores contratados recebam apenas um salário mínimo, avaliado em R$ 1,518 - algo que Franco Delgado provou que pode ser muito mais. Os 87 novos jogadores resultam em um gasto mensal de pelo menos R$ 132 mil.

Em relação às "dezenas de saídas" que Augusto Melo vem sustentando, também não é bem assim. Um brilhante levantamento da Central do Timão já mostrou que o Corinthians tem um saldo positivo de 31 novos jogadores entre Sub-20 e 17 desde 2024. O número é com sobras o maior entre os quatro grandes de São Paulo.

Nesse grupo, claro, também tem os que nunca nem chegaram perto de estrear pelo Corinthians, caso dos filhos de conselheiros Marcos Abdo e Luis Paulo, que nunca estrearam oficialmente. Se considerar também os filhos de associados, esse tipo de contratação beira a dezena.

Por fim, destaco que é possível fazer boas contratações para times de base. Não dá para cravar que "nada presta". Mas para essas chegadas é preciso ter um norte e ver o que esses jovens podem entregar ao Corinthians, assim como, por exemplo, o zagueiro Caio Garcez rendeu ao clube.

Porém, acima de tudo isso, é preciso ser honesto com a torcida do Corinthians.

Veja mais em: Mercado da bola, Contratações do Corinthians, Base do Corinthians, Diretoria do Corinthians e Augusto Melo.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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