O Corinthians é de quem?
Opinião de Heloisa Durand
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Protesto da torcida do Corinthians no Parque São Jorge
Foto: Victor Gomes/Meu Timão
Afinal, de quem é o Corinthians?
Moralmente, é do corinthiano. No entanto, as palavras do presidente do CORI, Miguel Marques, escancaram ainda mais as divisões políticas do Parque São Jorge.
Miguel afirmou que “O clube não é do torcedor, o clube é do associado”. Isso logo após o movimento liderado pelos Gaviões da Fiel, que já arrecadou mais de 15 milhões de reais para quitar uma dívida contraída por gestões passadas do Corinthians.
Torcedor, talvez o que eu vá te contar a seguir não te surpreenda, mas você sabia que muitos associados do Parque São Jorge nem são corinthianos? O clube, para eles, é basicamente um espaço de lazer, com piscina, churrasqueiras e outras comodidades. Até aí, tudo bem — mais arrecadação para o clube, ainda que em valores pequenos. Mas será que essas pessoas deveriam ter voz nas decisões sobre o futuro do futebol?
Eu nunca fui daquelas que defendem a separação entre clube social e futebol, mas a cada dia que passa, isso deixa de ser um exagero e se torna, na verdade, uma necessidade.
Não é segredo que muitos desses associados votam para presidente baseados em propostas voltadas para o clube social, como a implementação de piscinas aquecidas e outras melhorias. Mas e o futebol? Onde fica a voz do torcedor nesse cenário?
É justo?
Senhor Miguel, a dívida também é do associado? Porque quem está pagando por ela é o torcedor, o verdadeiro corinthiano.
Senhor Miguel, você sabe de onde vem a maior parte da renda do Corinthians? Te adianto que não é do clube social.
Senhor Miguel, você sabe o que é o Corinthians sem os seus mais de 30 milhões de torcedores? NADA.
Mas, ainda assim, Senhor Miguel, agradeço por mais uma vez nos mostrar como as coisas realmente funcionam no Parque São Jorge. Quando o poder está em jogo, as pessoas frequentemente perdem a noção.
E, mais uma vez, repito: essas declarações, essa sequência de acontecimentos — desde o pedido de impeachment até o torcedor pagando as dívidas — precisam resultar em uma mudança profunda: a reforma do estatuto, permitindo o voto para o Fiel Torcedor. É inadmissível que o torcedor seja tratado como descartável quando ele é, sem dúvida, o maior patrimônio do Sport Club Corinthians Paulista.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
