O que os dirigentes têm a ver com os erros de arbitragem?
Opinião de Beatriz Maineti
1.4 mil visualizações 18 comentários Comunicar erro

Memphis Depay marcou dois gols e teve participação direta nos cinco tentos marcados pelo Corinthians contra o Vasco. Só três deles foram validados.
Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
O Corinthians saiu de campo se sentindo prejudicado na partida contra o Vasco, válida pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro. O Timão, que venceu por 3 a 0, teve dois gols anulados e ainda viu seu treinador ser expulso na segunda etapa por reclamar das decisões do árbitro Anderson Daronco - o único juiz a expulsar Ramón Díaz três vezes em toda a sua carreira. Além disso, ganhou o desfalque de Memphis Depay por conta de uma entrada temerária de um jogador vascaíno no tornozelo. Este lance passou batido pela comissão arbitral.
O sentimento corinthiano foi partilhado pelas diretorias de Cruzeiro, Sport e São Paulo, que viram suas partidas serem protagonizadas pela arbitragem na segunda rodada da competição nacional. A equipe de Recife reclama do pênalti que deu a vitória ao Palmeiras, enquanto os mineiros questionam a expulsam de Jonathan Jesus diante do Internacional, ainda na primeira etapa, e o rival corinthiano reclama da não expulsão de Lyanco, zagueiro do Atlético-MG, por um segundo cartão amarelo que deveria, segundo eles, ter sido aplicado.
Ao menos cinco das dez partidas da segunda rodada do Campeonato Brasileiro tiveram interferência direta e polêmica da arbitragem. Como resposta, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) afastou temporariamente os árbitros Bruno Arleu de Araújo e Marcelo de Lima Henrique, além de toda a equipe de arbitragem e VAR dos jogos entre Sport e Palmeiras e Internacional e Cruzeiro.
O próprio Marcelo de Lima Henrique já havia cumprido um longo período de suspensão em 2024 depois de uma polêmica na partida entre Fluminense e São Paulo, ainda no primeiro turno do Campeonato Brasileiro daquele ano. Pouco tempo depois, porém, estava de volta aos jogos da elite nacional.
As partidas e os erros geram uma revolta instantânea. Os presidentes do clube aparecem diante da imprensa, vociferam seu descontentamento, exigem providências e jogam essa raiva para a torcida que, naturalmente, sente o mesmo. Depois disso, os dirigentes voltam às suas rotinas com uma sensação que os torcedores não podem compartilhar: culpa.
Sim, culpa. Afinal, todos os 20 representantes de todos os 20 clubes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro votaram a favor da reeleição de Ednaldo Rodrigues como presidente da CBF até março de 2030. O cartola, que protagonizou polêmicas em relação a calendário, direção de competição e comissão de arbitragem nos últimos anos, garantiu 100% de apoio do colégio eleitoral para se manter à frente da instituição que comanda o futebol brasileiro.
Na hora de votar, os presidentes parecem ter se esquecido de algumas medidas minimamente questionáveis da CBF, comandada por Ednaldo Rodrigues, nos últimos anos. Os dirigentes parecem ter relevado o calendário exaustivo imposto aos times para a disputa de competições nacionais e continentais, além dos constantes erros de arbitragem e as decisões parciais tomadas pelo órgão. Quando foram chamados a escolher o futuro do esporte nacional, votaram na situação.
As federações e os clubes não se mostraram dispostas a ouvir o representante da oposição à Ednaldo Rodrigues para as eleições deste ano. Por isso, Ronaldo, ex-jogador que tinha a intenção de disputar a corrida eleitoral, retirou sua candidatura antes mesmo da votação.
Ednaldo Rodrigues é o protagonista de uma administração vergonhosa da CBF. Em 2025, por exemplo, os clubes tiveram menos de 15 dias de pré-temporada e deverão jogar até 21 de dezembro por conta de uma longa pausa em junho para a realização do novo Mundial de Clubes da FIFA, que terá quatro brasileiros representando o país. Além disso, o corinthiano vai se lembrar bem da mudança de datas da semifinal da Copa do Brasil de 2024 que beneficiou unilateralmente o Flamengo. Nada disso parece ter importado para os dirigentes, entretanto.
A arbitragem brasileira não vai melhorar enquanto não houver um interesse real em oferecer condições dignas de trabalho aos juízes e auxiliares, assim como os clubes continuarão a sofrer com o calendário se não houver um verdadeiro esforço para aprimorá-lo. Estes aspectos positivos não virão de Ednaldo, que perpetua o que está ruim em seu mandato.
Melhorar os importantes aspectos do futebol brasileiro não faz parte da pauta da CBF comandada por Ednaldo Rodrigues. Punir o jogador que provocar o adversário subindo na bola, aparentemente, não só está como é uma prioridade. O futebol brasileiro segue afundando, e as mãos de todos os presidentes da Série A estão sujas, também.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
Avalie esta coluna
Veja mais posts da Beatriz Maineti
-
Jogador 'de saco cheio' não disputa final de campeonato pelo Corinthians
-
Meta para 2026: não ser o seu maior rival
-
O Corinthians parece feliz com a mediocridade
-
Ao presidente Osmar Stabile: muito ajuda quem não atrapalha
-
Novo ano, novo clube: o Corinthians precisa fazer sacrifícios
-
Onde está a postura de Corinthians de quem deveria cobrar postura do Corinthians?
