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Corinthians ameaça cortar futsal campeão para ignorar rombos maiores
Ana Paula Araújo

Engenheira de formação, mas corinthiana de alma. Deixei a profissão para fazer parte dessa família desde 2013.

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Corinthians ameaça cortar futsal campeão para ignorar rombos maiores

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Corinthians ameaça cortar futsal campeão para ignorar rombos maiores

Deives e Rodrigo no duelo entre Corinthians e Magnus Futsal

Foto: Beto Miller / Agência Corinthians

O Corinthians avalia o fim da equipe profissional de futsal, conforme informou o Meu Timão na nota desta última quinta-feira sobre a reunião do Cori.

O plano é cortar gastos, e a equipe de futsal vira alvo da direção corinthiana, mesmo vivendo boa fase. Para quem não sabe, o futsal foi vice-campeão da Super Copa Gramado no início do ano e garantiu os títulos da Taça SP e do Torneio Mucho Más, este último disputado na Espanha contra adversários que participam da Champions League de Futsal. Atualmente, a equipe está nas quartas de final da LNF (Liga Nacional de Futsal). Além disso, a equipe também está na semifinal do Campeonato Paulista, onde enfrentará a Ferroviária Pinda.

Para mim, apenas cogitar essa possibilidade escancara que o Corinthians ainda vive no século passado.

O modelo antigo de clubes sociais, especialmente no Brasil no início do século XX, estabelecia que a instituição em si – o clube de elite – era mais importante para a vida social e para o status dos seus membros do que as atividades esportivas que promovia. Esses clubes funcionavam primariamente como centros de convivência e networking da alta sociedade e da nova burguesia, sendo ambientes estritamente exclusivos para a realização de festas, bailes e para a consolidação de relações sociais. Ser sócio, com títulos caros e aprovações sociais rigorosas, era um poderoso símbolo de distinção que reforçava as hierarquias de classe.

O esporte, como o futebol ou o remo, era introduzido, inicialmente, como uma ferramenta acessória, seguindo o ideal europeu de culto ao corpo e formação de caráter. No entanto, sua função principal era adicionar um toque de modernidade e prestígio ao clube. Portanto, a função social e o prestígio do clube ofuscavam frequentemente a importância da excelência e da competição esportiva em si. Essa lógica só começou a mudar com a crescente popularização e profissionalização do futebol, quando a importância do desempenho em campo e da torcida superou a exclusividade social.

Na minha opinião, a decisão de cortar o time profissional de futsal, mantendo apenas a base, é um tiro no pé em termos de gestão de talentos. É uma contradição de planejamento que desvaloriza o próprio investimento feito nas categorias inferiores.

Se o clube insiste em ver o futsal apenas como uma escola para o futebol de campo, ele está sendo míope e injusto com a própria modalidade. O atleta que tem o futsal como paixão e objetivo de vida não vai se contentar em ser apenas um meio para o sucesso de outro esporte. Para esse jovem, a extinção da equipe profissional no Corinthians significa o fim da linha dentro do clube.

O resultado é previsível, o Corinthians gastará recursos formando talentos de altíssima qualidade, atletas que desenvolveram o raciocínio rápido e a técnica refinada que tanto se busca, apenas para vê-los migrar de graça para os concorrentes diretos, que oferecem o que o Corinthians tirou: um futuro profissional e a chance de disputar a LNF.

Em suma, ao eliminar a equipe principal, o Corinthians transforma sua base em um celeiro de talentos gratuitos para os rivais. É uma economia pequena que custa a perda de prestígio, de títulos e, pior, a perda dos próprios atletas que o clube investiu para formar.

Mesmo sem saber exatamente quanto o futsal profissional gasta, pois seu custo está misturado nas despesas do Clube Social, é claro que buscar economia nele seria um erro, já que existem problemas financeiros muito maiores em outras áreas.

O Clube Social é o principal foco de desperdício, com um prejuízo altíssimo. Para salvar o futsal, o Corinthians precisa urgentemente fazer cortes no Parque São Jorge ou seja, nas mordomias dos associados. O clube gasta milhões em funcionários e em serviços terceirizados. Se a diretoria fizer uma limpeza rigorosa, eliminando cargos desnecessários e renegociando todos os contratos de limpeza e segurança, a economia seria muito maior do que a necessária para manter o time de futsal.

No futebol de campo, a solução também não passa por cortar o futsal, mas sim por parar de gerar multas e dívidas na Justiça Internacional, como o CAS. Esses processos judiciais custam uma fortuna e criam rombos gigantescos e imprevisíveis no balanço. É só comprar e pagar, sabe? Ou, se não tem dinheiro, arruma casa e depois compra. Além disso, uma gestão mais inteligente dos salários do elenco principal, que tem uma folha altíssima, liberaria recursos.

Em resumo, o futsal não é o vilão da dívida. A solução para manter a modalidade vitoriosa é arrumar a casa no Clube Social, que gasta demais, e controlar os passivos judiciais e os altos salários do futebol de campo.

Como sempre, o Corinthians busca o caminho mais conveniente e cômodo para os que se acham donos do clube, os associados. Isso escancara o quanto o pensamento desses senhores está preso num modelo que não existe mais.

Socorro!

Veja mais em: Diretoria do Corinthians, Futsal do Corinthians e Parque São Jorge.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Ana Paula Araújo

Torcedora fiel e Coordenadora de Comunidade no Meu Timão desde 2013. Unindo paixão e trabalho há mais de dez anos!

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    Ricardo 421 comentários

    39º. @rick1974 em

    Palhaçada.

    Vão acabar logo com tradicionalíssimo futsal do Corinthians que sempre nos deram alegria?

    Um time de ponta que sempre disputa torneios nacionais e internacioais.

    Um dos maiores times de futsal do Mundo.

    Lamentável...

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    Gabriel 6409 comentários

    38º. @thegabrianjo em

    Precisa urgentemente acabar de vez com o clube social, que gera um déficit de quase 100 milhões anuais e não traz nenhum benefício à instituição Corinthians.

    Ou então cobrar esses quase 100 milhões de déficit de quem usa o clube social.

    Mas, precisamos antes nos livrar urgentemente desses 300 dinossauros 'conselheiros'.

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    Guilherme 744 comentários

    37º. @guilherme.da.silva.8 em

    O Corinthians parece ser gerido por loucos.

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    36º. @nilton-chaves em

    Acredito que é mais fácil acabar com o futebol de salão do que os sanguessugas pedir para sair e acabar a mamata

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    Juliane 2321 comentários

    35º. @juliane-bauer19 em

    Concordo com você