A eliminação do Corinthians vai muito além das partes técnica e tática
Opinião de Ana Paula Araújo
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Memphis retornou de lesão no embate contra o Huracán, pela Sul-Americana
Foto: X / @SudamericanaBR
A eliminação do Corinthians na Sul-Americana foi um dos episódios mais vexatórios da história do clube — não pela eliminação em si, mas pela forma como ela aconteceu.
Não podemos encarar esse episódio como apenas um jogo isolado, porque ele começa ainda na fase pré-Libertadores, da qual o Corinthians, de forma incompetente, não conseguiu avançar. A equipe teve a “capacidade” de levar uma goleada de 3 a 0 fora de casa contra o Barcelona-EQU e, no jogo de volta, correu contra o tempo para reverter esse placar elástico e vergonhoso — sem sucesso. Com a queda precoce, sobrou ao Timão a disputa da Sul-Americana.
O problema é que muitos ainda se conformaram facilmente, alegando que o torneio era um título inédito para o Corinthians. A narrativa era de que vencer a Sul-Americana significaria completar a galeria de conquistas. Mas, já nos primeiros toques na bola, contra o Huracán, ainda na primeira rodada, era possível vislumbrar a tragédia que essa campanha se tornaria.
Em nenhum momento, o Corinthians entrou em campo de corpo e alma. Os jogadores jamais colocaram o coração na ponta da chuteira ou atuaram como se a vida dependesse disso. Vencer o Racing-URU foi um acidente — em nenhum momento houve, de fato, vontade de ganhar qualquer uma dessas partidas.
O clube vive um caos nos bastidores, com sérios problemas administrativos, mas nada disso justifica a falta de raça, vontade e brio dos atletas que recebem milhões para jogar duas vezes por semana. Não podemos isentá-los: os jogadores têm, sim, a maior parcela de culpa nessa história.
O único atleta que dava a vida em campo era Yuri Alberto, que está fora com lesão séria, e agora? Ninguém mais vai assumir a responsabilidade e dar exemplo para os colegas de como se joga no Corinthians?
Se nada mudar, o destino mais provável será uma eliminação na Copa do Brasil também.
O título paulista não pode servir de escudo para essa equipe. O elenco é qualificado, com nomes de peso que precisam corresponder à altura dos seus salários exorbitantes.
O Corinthians precisa, com urgência, resgatar sua identidade dentro de campo. A camisa pesa, a torcida cobra, e a grandeza do clube exige postura compatível com sua história. Não basta ter elenco caro ou tradição: é preciso comprometimento, entrega e respeito pelo torcedor que acompanha, apoia e sofre. Se a apatia continuar sendo a marca registrada deste time, outras eliminações humilhantes serão apenas questão de tempo. A Sul-Americana serviu de alerta — agora, cabe ao clube decidir se vai reagir ou seguir afundando em suas próprias falhas.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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