Tite relembra resistência interna e explica aposta em Emerson Sheik no Corinthians
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Por Meu Timão

Tite detalhou a chegada de Emerson Sheik ao Corinthians em 2011
Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians
No próximo sábado, dia 4 de julho, completam-se 14 anos da conquista invicta da Libertadores pelo Corinthians. O atacante Emerson Sheik, autor dos dois gols na vitória por 2 a 0 sobre o Boca Juniors, da Argentina, no Pacaembu, que garantiu o título ao clube do Parque São Jorge, só chegou ao Timão por conta do aval e da insistência do técnico Tite.
Segundo o próprio treinador, havia resistência dentro do Corinthians à contratação do atacante por conta de seu comportamento fora de campo. Antes de aprovar a negociação, porém, Tite buscou informações com Muricy Ramalho, que havia comandado Emerson no Fluminense, e resolveu apostar no jogador como solução para o elenco alvinegro.
“Antes da contratação de um atleta, a gente busca informações dele dentro de campo e também sobre situações fora dele, enfim, informações que você possa ter. Por quê? Quanto mais informações eu tenho, mais consigo ficar próximo de acertar. Eu lembro que o Sheik, quando fazia gol, era marrento. Ele jogou no Al-Ain (dos Emirados Árabes Unidos), e eu fui técnico da equipe. Ele fazia gol, morava em Dubai, ligava para o dono do clube e dizia que não dava para treinar naquele dia. Liberavam ele, e ele não vinha. Só se apresentava dois dias depois. Mas eu dizia que, dentro de campo, eu não o conhecia”, iniciou em entrevista ao Bate Bola com Falcão.
“Uma das pessoas com quem conversei foi o Muricy, que me disse: ‘Tite, ele (Emerson) é um cara que trabalha para caramba. Dentro de campo, ele entrega. Fora, tem algumas situações, mas ele responde, olha no olho. É respeito e reciprocidade’. Os caras falavam: ‘Não, vai trazer problema’. Eu falei: ‘Não vai trazer problema, vai trazer solução’. Veio o Emerson, e o condicionamento físico dele era de muito torque. A aceleração, a alternância de ritmo, faziam dele um jogador muito difícil de marcar. E ele tinha coragem. Com ele não tinha mau tempo. Jogava qualquer jogo. Jogo técnico, jogava. Jogo de pegada, jogava. Jogo de catimba, jogava. Ele atuava bem em diferentes tipos de jogo”, complementou.
Emerson Sheik chegou ao Corinthians em 2011, depois de ser dispensado pelo Fluminense, onde se envolveu em uma polêmica ao cantar músicas da torcida do Flamengo no ônibus da equipe. A contratação do atacante, no meio daquela temporada, foi importante para que o Timão mantivesse o desempenho do primeiro turno e conquistasse o Campeonato Brasileiro. No ano seguinte, voltou a ser decisivo para Tite nas campanhas dos títulos da Libertadores e do Mundial de Clubes.
Fora das quatro linhas, um dos momentos mais inusitados da passagem de Emerson pelo Parque São Jorge aconteceu no início de 2012, quando ele se atrasou para um treino e chegou ao CT Dr. Joaquim Grava de helicóptero. Tite relembrou o episódio, detalhou a conversa que teve com o atacante nos bastidores e exaltou a postura do ídolo corinthiano ao reconhecer o erro.
“Ele chegou atrasado uma, duas vezes. Eu falei com ele e tal. No início (daquele dia), pensei: ‘Daqui a pouco ele chega, vou treinar’. De repente, ouvi um barulho, porque perto do CT tem um heliponto. Daqui a pouco, chegou um cara perto de mim e disse: ‘Professor, desculpa, eu atrasei’. Eu falei: ‘Se veste lá, depois nós conversamos’. Aí os caras falaram: ‘Ele chegou de helicóptero’. Mais tarde, peguei ele e falei: ‘Vem cá. Cara, eu sei que tu é leal e que responde. Tu é uma liderança aqui. Tu tem que dar exemplo. Sabe que eu gosto de ti. Sabe que eu te trouxe para cá pelas virtudes, pelo estilo que tu tem. Agora, tu tem uma responsabilidade. Tem garoto te olhando, tem torcedor te olhando, tem garotos da torcida que te têm como referência’. Ele abaixou a cabeça e disse: ‘Tu tem razão, professor. Desculpa’. Eu falei: ‘Cara, eu só quero uma coisa: chega no horário. Se tu quiser vir de helicóptero, se tu quiser vir de navio, do jeito que tu quiser, só chega na hora, por favor’. E também falei isso na frente de todo mundo. Quando ele errava, tinha a grandeza e o caráter de dizer: ‘Eu errei, desculpa’. Não só para mim, mas também para os atletas”, contou.
Entre polêmicas e troféus, Emerson Sheik acumulou três passagens pelo Corinthians. Ao todo, disputou 196 partidas, com 90 vitórias, 62 empates e 44 derrotas, além de 28 gols e 24 assistências. Pelo clube do Parque São Jorge, ele conquistou sete títulos: os Campeonatos Brasileiros de 2011 e 2015, a Libertadores e o Mundial de Clubes de 2012, o Campeonato Paulista e a Recopa Sul-Americana de 2013, além do Paulistão de 2018.
Primeiro ato pelo Corinthians e aposta na base

Tite comandou o Corinthians pela primeira vez entre 2004 e 2005
Divulgação
Em outro momento da entrevista, Tite foi questionado sobre a sua primeira passagem pelo Corinthians, quando tirou a equipe da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e a levou até a quinta colocação, ficando a apenas cinco pontos de uma vaga na Libertadores.
O treinador afirmou que, até hoje, ainda recebe agradecimentos de torcedores por aquela arrancada. Além disso, explicou que apostou em jovens das categorias de base para tornar o time mais competitivo fisicamente, estratégia que, segundo ele, deu resultado ao longo da temporada.
“É uma passagem muito marcante. Me orgulha muito, principalmente pela forma como foi. A minha primeira ida para lá foi para recuperar uma equipe que estava na zona de rebaixamento. Era a última colocada na minha primeira passagem e tinha perdido por 4 a 1 para o Athletico Paranaense dentro de casa. Lembro que, ao longo de toda a campanha, trouxemos 14 ou 15 garotos da base para deixar a equipe mais jovem e mais competitiva. Talvez com menos imposição técnica, mas muito mais competitiva. A gente organizou a equipe e terminou o campeonato a uma posição da classificação para a Libertadores. Então, essa passagem foi emblemática para muitos torcedores dessa geração. Eles falam: ‘Tite, a gente tem uma gratidão muito grande’. Foi um momento muito difícil”, comentou.
Após se destacar no São Caetano, Tite chegou ao Corinthians apostando em diversos jogadores que se tornaram conhecidos da Fiel nos anos seguintes, como Jô, Betão, Rosinei e Coelho. Ao longo de três passagens pelo Parque São Jorge, ele comandou a equipe em 378 partidas e conquistou seis títulos: os Campeonatos Brasileiros de 2011 e 2015, a Libertadores e o Mundial de Clubes de 2012, além da Recopa Sul-Americana e do Campeonato Paulista de 2013. O retrospecto o coloca entre os principais treinadores da história do Timão, apesar das recusas recentes em retornar ao comando da equipe.