Leonardo Pantaleão explica como funcionaria uma intervenção judicial no Corinthians; entenda
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Por Meu Timão

Pantaleão detalhou o funcionamento de uma intervenção judicial dentro de um clube e ainda comentou sobre os processos de impeachment contra Osmar Stabile
Rodrigo Vessoni / Meu Timão
O vice-presidente do Conselho Deliberativo (CD) e presidente do Conselho de Ética (CE), Leonardo Pantaleão, explicou o funcionamento de uma intervenção judicial dentro de uma empresa. O dirigente, que também é advogado criminal, comparou as funções com as do presidente, no caso de clubes de futebol, e disse que o interventor não atua como autoridade máxima, mas possui autonomia prática.
"Quando você tem, por exemplo, uma instituição na qual se verifica que seus órgãos internos não funcionam mais, com um problema administrativo muito grande e que fica evidenciado que o caminho seria o precipício, buscam-se soluções externas. E uma delas é a intervenção judicial, o Bahia passou por isso há muitos anos atrás. O Poder Judiciário entende que as circunstâncias exigem uma atuação mais rigorosa e nomeia um interventor para cuidar da administração do clube, principalmente na parte financeira, a prioridade das contas que serão pagas, a questão da RCE… Ele tem autonomia prática, mas ainda presta contas, tem uma série de regramentos. Ele ocuparia a função que seria hoje do presidente. Ele cuida da parte administrativa, mas não pode mudar o Estatuto sozinho. Ele pode provocar o Conselho Deliberativo em busca de uma reforma estatutária. Agora mudar o Estatuto em uma canetada, isso não pode", explicou Pantaleão em entrevista ao Alambrado Alvinegro.
Da mesma forma que a pessoa nomeada interventora não teria o poder de mudar o Estatuto por conta própria, ela também não poderia dissolver os Conselhos do clube, que seguiriam atuando da mesma forma.
"O Conselho de Orientação (Cori), como o próprio nome diz, ele orienta, delibera naquilo que acredita ser o mais adequado. Com o interventor judicial, talvez o papel institucional diminuísse um pouquinho. O Conselho Deliberativo (CD) é um órgão de fiscalização, então ele vai continuar existindo, até porque tem as Comissões de Ética, por exemplo, e daí por diante, que continuam em plena atividade. Então não dilui. De novo, fazendo um paralelo genérico, o interventor assumiria a função do presidente. Do mesmo jeito que o presidente não pode diluir o conselho, o interventor também não teria esse poder", disse o vice-presidente do CD.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) negou, em maio deste ano, o recurso do Corinthians contra o inquérito civil aberto no final de 2025, que pretende avaliar a possibilidade de uma intervenção judicial no clube.
Dessa forma, o MP-SP está investigando as alegações presentes no inquérito, que contém recomendações do promotor Cássio Conserino e pedidos de associados do Corinthians, como Romeu Tuma Júnior e Leandro Cano.
Pedidos de impeachment contra Stabile
Pantaleão ainda confirmou a existência de três pedidos de impeachment em estágios iniciais de tramitação contra o presidente do Corinthians, Osmar Stabile. O primeiro foi protocolado por um grupo de conselheiros e associados, em abril de 2026, que alegavam descumprimento de normas do Estatuto. O presidente teria oferecido o Parque São Jorge como garantia no acordo para a renegociação da dívida de R$ 1,2 bilhão com a União sem consultar os órgãos competentes.
No início de junho, outro grupo de associados protocolou um novo pedido de afastamento do presidente, acusando-o de realizar a contratação de uma empresa de segurança sem a autorização prévia do Cori, exigência prevista no Estatuto.
O terceiro e último pedido - até o momento - foi protocolado no dia 18 de junho por Leandro Cano, associado do clube. A solicitação tem como base uma manifestação de Cássio Conserino que indicaria que o presidente do Corinthians teria adotado uma postura contrária aos interesses do clube no caso de supostos desvios de materiais esportivos da Nike.
"Tem um pedido relacionado à questão da empresa de segurança e tem outro pedido relacionado à questão de ter ofertado o Parque São Jorge como garantia sem aprovação do Conselho Deliberativo. Enfim, são pedidos e motivações diferentes que estão tramitando. Eles estão em uma fase inicial. Também tem esse último que o Leandro Cano ingressou agora também na semana passada", confirmou Pantaleão.
Sobre o caso da Mega Assessoria Operacional LTDA
Na última terça-feira, a defesa de Osmar Stabile conseguiu o adiamento da oitiva do presidente no MP-SP sobre o caso da Mega Assessoria Operacional Ltda, empresa de segurança que teria sido contratada de forma irregular por Stabile. A defesa alegou a impossibilidade do depoimento por conta de "compromissos institucionais".
A empresa, que é o pivô do segundo processo de impeachment contra o presidente do Corinthians, encontra-se no nome de Fernando José da Silva, o Nandão, gerente operacional do clube. Segundo o pedido, a Mega Assessoria teria sido contratada sem a consolidação de um vínculo formal, além da já citada violação estatutária.
Por ser o atual presidente do Conselho de Ética, Pantaleão evitou opinar sobre o caso para evitar um eventual conflito de interesses.
"Conheço sim o Nandão. Eu não vou, obviamente, fugir da pergunta, mas eu tenho que respondê-la com o comedimento necessário para não me colocar impedido, eventualmente, de participar do julgamento na Ética, porque se eu emitir uma opinião pessoal, certamente eu estaria me colocando... É uma situação que precisa ser esclarecida porque o Estatuto tem regras. O Estatuto exige, por exemplo, que você tenha a obtenção de três orçamentos de empresas destinadas à prestação de serviços no Corinthians, a partir de determinados valores, e daí por diante. Mas precisa ser preservado o direito de defesa e entender o que motivou aquela questão e se há, de fato, justificativa ou não. Isso vai ser avaliado durante o procedimento, e aí, no final, a Comissão de Ética vai emitir um parecer, como aconteceu nos outros casos também", concluiu Pantaleão.