Corinthians perde prazo e aguarda conclusão burocrática para encerrar impasse com Talleres
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Por Victor Bhering e Rodrigo Vessoni
Apesar do avanço nas negociações, a quitação da dívida do Corinthians com o Talleres, da Argentina, pela contratação do meia Rodrigo Garro, ainda depende da conclusão de trâmites burocráticos
Jhony Inácio / Meu Timão
Apesar do avanço nas negociações, a quitação da dívida do Corinthians com o Talleres, da Argentina, pela contratação do meia Rodrigo Garro, ainda depende da conclusão de trâmites burocráticos. Conforme apurou o Meu Timão, o acordo entre as partes já está firmado e conta com o aval de todos os envolvidos. Agora, resta apenas a coleta de assinaturas digitais para a formalização da documentação necessária, etapa considerada essencial para que o pagamento seja realizado.
A informação foi inicialmente divulgada pelo portal Identidade Corinthiana. A possibilidade de a dívida ser quitada ainda nesta terça-feira, prazo dado por Andrés Fassi, presidente do Talleres, foi descartada por pessoas envolvidas na operação. Apesar disso, fontes ligadas ao clube reforçam que Corinthians, Talleres e demais participantes da negociação estão alinhados em relação aos termos estabelecidos e cientes do estágio atual do processo.
Neste momento, o avanço depende justamente da coleta das assinaturas pendentes por meio dos mecanismos digitais adotados pelas partes. Somente após a conclusão dessa etapa será possível dar sequência ao procedimento, com a autorização formal do pagamento e a transferência dos recursos para a conta indicada pelo clube argentino.
A expectativa nos bastidores é de que, uma vez concluída a formalização documental, o processo avance rapidamente para a liquidação definitiva da pendência, considerada uma das principais prioridades da diretoria alvinegra na reorganização financeira do clube.
De acordo com a ESPN, os clubes assinaram na última quinta-feira um termo de compromisso para quitação dos US$ 7 milhões líquidos (cerca de R$ 35,7 milhões na cotação atual) devidos ao Talleres. O entendimento foi alcançado após esforço conjunto das diretorias para destravar as negociações.
O débito está relacionado à condenação imposta pela Fifa em fevereiro de 2025, no valor de US$ 3,6 milhões (cerca de R$ 18,7 milhões na cotação da época). Desde então, o Corinthians recorreu à Corte Arbitral do Esporte para evitar um novo transfer ban. As tratativas para um acordo permaneceram travadas durante meses em razão do desgaste na relação entre o presidente destituído Augusto Melo, responsável pela contratação de Garro em 2024, e a diretoria do Talleres.
Diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelo clube do Parque São Jorge, o Corinthians precisou recorrer a uma operação para que a Outfield, empresa especializada em investimentos e negócios, assumisse a dívida com os argentinos. A manobra foi aprovada pelo Conselho de Orientação (Cori) do Conselho Deliberativo (CD) do clube.
Com isso, devido aos juros e demais custos da operação, a equipe alvinegra passará a dever US$ 8,5 milhões (cerca de R$ 44 milhões na cotação atual) à empresa, valor que será quitado em 26 parcelas mensais. Além disso, foi negociada uma taxa de juros equivalente ao CDI mais 1% ao ano, o que atualmente representa aproximadamente 15,4% anuais. Como garantia do acordo, contratos de direitos de televisão e de placas de publicidade foram incluídos na operação.
Apesar do avanço nas negociações, como apurou o Meu Timão, a diretoria alvinegra enfrentou dificuldades para captar os recursos necessários e atribui os atrasos à sequência de problemas extracampo vivida nas últimas semanas. Houve um entrave na conclusão da operação junto à Outfield, embora a situação tenha avançado significativamente na última semana.
Vale lembrar que, anteriormente, Andrés Fassi havia estabelecido a última sexta-feira, dia 12 de junho, como prazo final para o pagamento, sob a ameaça de levar o caso à CAS. No entanto, o dirigente resolveu conceder uma nova extensão diante da relação construída nos últimos meses.
“Aceitamos uma última prorrogação para demonstrar toda nossa disposição em chegar a um acordo. O Talleres tem sido excelente nos últimos três meses! E vemos que o Corinthians quer colaborar”, comentou o dirigente em contato com a ESPN.
Inicialmente, o clube argentino havia estabelecido o fim de maio como prazo para receber os valores. No entanto, atrasos na troca e validação das minutas contratuais, iniciadas ainda em abril, fizeram com que a data fosse adiada.
Desde o início de 2026, o Corinthians conseguiu reabrir o diálogo com os argentinos até costurar o acordo. Fassi demonstrava resistência em negociar por causa da relação desgastada com Augusto Melo, que, segundo relatos, não respondia às tentativas de contato do dirigente durante seu mandato.
Com a chegada de Osmar Stabile à presidência, porém, as conversas avançaram. O mandatário corinthiano esteve pessoalmente em Córdoba para se reunir com Andrés Fassi, gesto que foi bem recebido pela diretoria do Talleres. Em abril, Stabile afirmou que o Cori havia dado aval ao plano financeiro elaborado para a quitação da dívida.
Além disso, o presidente estruturou um grupo interno voltado à reorganização financeira do clube, que acabou sendo dissolvido no início de maio após as saídas dos coordenadores André Recoder e Gabriel Diniz Abrão. O departamento teve participação importante na resolução das pendências com o Santos Laguna, do México, pela contratação de Félix Torres — situação que encerrou o último transfer ban imposto pela Fifa —, além das negociações envolvendo Matías Rojas. O mesmo grupo também participou das tratativas com o Talleres.
A pressa para liquidar a pendência por Garro coincide com um momento de asfixia financeira no Parque São Jorge. Recentemente, o Corinthians voltou a ser incluído na lista de transfer ban da Fifa por uma dívida com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, referente à compra do volante José Martínez.
Além disso, a diretoria enfrenta problemas para manter as obrigações diárias em dia. Conforme soube a reportagem do Meu Timão, os salários dos jogadores e da comissão técnica comandada por Fernando Diniz, referentes ao mês de maio, que deveriam ter sido pagos no quinto dia útil de junho, ainda não foram quitados.
