Pantaleão pede que Stabile explique fala sobre conselheiros e contratos no Corinthians
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Por Daniel Keppler
Osmar Stabile terá que explicar declarações sobre relação entre conselheiros e contratos
Fábio Marinho / Meu Timão
O presidente da Comissão de Ética e Disciplina (CD) do Corinthians, Leonardo Pantaleão, enviou nesta terça-feira um despacho ao presidente Osmar Stabile solicitando explicações sobre uma declaração do mandatário a respeito da relação de conselheiros com contratos firmados pelo clube.
A declaração ocorreu no início de junho, em entrevista do presidente à TMC. Ao comentar temas ligados à governança e à dinâmica institucional do clube, Stabile declarou que "cada conselheiro tem um contrato embaixo do braço", gerando reações nos bastidores do Parque São Jorge e levando Pantaleão a proceder com a interpelação.
A informação sobre o despacho foi divulgada inicialmente pela Central do Timão e confirmada pelo Meu Timão, que teve acesso ao documento. Nele, Pantaleão registra que a amplitude da expressão usada por Stabile abriu dúvidas sobre a eventual existência de vínculos contratuais entre conselheiros e o clube, de forma direta ou indireta, e sobre possíveis efeitos dessas relações no exercício das funções estatutárias dos conselheiros.
Para o presidente da CD, esclarecer o episódio é necessário para preservar a segurança institucional entre os órgãos do Corinthians. Assim, solicitou que Stabile esclareça os seguintes pontos:
- O contexto em que a frase foi dita;
- O significado e o alcance que pretendia dar à expressão usada;
- Se a fala se referia a situações concretas e identificáveis ou era apenas um comentário genérico;
- Quais circunstâncias fundamentaram a declaração, caso ela tenha base em fatos específicos;
- A identificação dos conselheiros e das pessoas físicas ou jurídicas envolvidas, caso existam de fato contratos vinculados a conselheiros;
- Quais são os contratos ou instrumentos jurídicos mencionados e qual o objeto de cada um.
- Os períodos de vigência e os valores envolvidos nesses contratos, se existirem;
- Se os vínculos contratuais citados são atuais ou já encerrados;
- Se o próprio presidente identifica situação de conflito de interesse envolvendo conselheiros e, em caso positivo, quais seriam os casos concretos;
- Outros esclarecimentos que Stábile considere relevantes para a compreensão da declaração.
O texto ainda ressalta que a abertura do expediente não representa nenhum juízo prévio sobre os fatos e tem caráter apenas informativo, servindo para reunir elementos que permitam compreender a declaração e seus possíveis efeitos institucionais. O prazo para que o presidente alvinegro responda é de até cinco dias, contados do recebimento do despacho.
O episódio é o quarto envolvendo Osmar Stabile e a Comissão de Ética e Disciplina. Em março, o presidente protocolou um pedido de afastamento de Romeu Tuma Júnior da presidência do CD, baseado em supostas ameaças feitas por este ao mandatário. O caso está paralisado no órgão, após Stabile não enviar os vídeos que comprovariam a denúncia feita, mesmo após os conteúdos serem solicitados duas vezes por escrito.
Já em abril e junho, dois pedidos de impeachment foram protocolados no CD contra ele. O primeiro denunciando um suposto uso irregular do Parque São Jorge como garantia no acordo firmado entre o Corinthians e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, e outro sobre possíveis irregularidades na contratação de empresas de segurança por parte do presidente. Ambos estão tramitando internamente no órgão.
