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Armando Mendonça pede afastamento da vice-presidência do Corinthians

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Por Victor Bhering e Daniel Keppler

Armando Mendonça pede afastamento da vice-presidência do Corinthians

Matheus Poggiolli / Meu Timão

Armando Mendonça se afastou do cargo de vice-presidente do Corinthians nesta segunda-feira. O dirigente ficará 30 dias fora de suas funções no clube, segundo soube o Meu Timão.

A informação foi anunciada pelo perfil Time do Povo, pouco antes de o próprio vice-presidente confirmar a informação por meio de comunicado à imprensa. Durante o período, as demandas administrativas e institucionais do Parque São Jorge ficarão centralizadas sob a responsabilidade do presidente Osmar Stabile. Caso o mandatário não esteja à disposição em algum momento, quem responde interinamente é o presidente em exercício do Conselho Deliberativo, Leonardo Pantaleão.

O dirigente já vinha sendo alvo de polêmicas no clube nos últimos dias. Um grupo de conselheiros e associados havia protocolado um pedido de afastamento cautelar contra Mendonça devido aos desdobramentos da investigação sobre o suposto desvio de materiais esportivos da Nike no clube. Cabe relembrar que o vice-presidente foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) na última quarta-feira por apropriação indébita qualificada e continuada, tentativa de apropriação indébita qualificada, furto qualificado mediante abuso de confiança e coação no curso do processo.

No texto desta segunda-feira, o dirigente nega categoricamente ter desviado ou se apropriado de 131 materiais esportivos do clube, conforme foi denunciado pelo MP-SP. Ademais, rebate a acusação detalhando que 62 desses itens sequer saíram das dependências do Corinthians, enquanto outros foram destinados formalmente a funcionários e seguranças da própria presidência — leia a nota completa ao final da matéria.

Mendonça ressalta que nem a investigação interna do clube, nem o inquérito policial apontaram qualquer conduta ilícita de sua parte, argumentando que, por exercer cargo estatutário de vice-presidente, não tinha qualquer responsabilidade operacional sobre o almoxarifado ou o controle de estoque do Corinthians.

O texto traz duras críticas à atual presidência do clube. Armando acusa a gestão de omissão e falta de firmeza por não esclarecer a verdade para a torcida alvinegra. Ele revela que solicitou auditorias profissionais e independentes para averiguar o caso interno, mas, ao ter os pedidos negados por Osmar Stabile, contratou por conta própria uma empresa especializada. Segundo ele, a perícia particular considerou o relatório de acusação amador e "tecnicamente imprestável".

O manifesto também repudia o vazamento recente e seletivo de trechos de conversas privadas gravadas clandestinamente em setembro de 2025. O vice-presidente define o episódio como um método de "linchamento moral" arquitetado para desgastar opositores políticos dentro do Parque São Jorge.

O dirigente associa os ataques recentes ao fato de ter rompido com a gestão no passado, quando expôs as irregularidades do caso de patrocínio da Vai de Bet. Armando afirma que está pagando um preço alto por ter agido por princípios éticos e ter apoiado o afastamento do então presidente Augusto Melo quando "outros preferiram o silêncio".

Por fim, Armando justifica que o seu afastamento temporário do cargo não é um reconhecimento de culpa ou um ato de medo, mas sim uma decisão tomada por coerência para proteger sua família, preservar sua dignidade e colocar os interesses institucionais do Corinthians acima de brigas políticas, expressando total convicção de que sua inocência será plenamente comprovada na Justiça.

Confira o manifesto de Armando Mendonça

À TORCIDA CORINTHIANA, AOS SÓCIOS, AOS CONSELHEIROS E A TODOS QUE RESPEITAM A HISTÓRIA DO SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA

Manifesto-me em respeito à minha história, à minha família, aos conselheiros, aos associados, aos colaboradores do clube e, sobretudo, à torcida corinthiana. Faço isso com serenidade, mas também com a firmeza necessária de quem não pode permitir que sua honra seja atingida por narrativas incompletas, acusações precipitadas, mal-intencionadas e interpretações que não correspondem à verdade.

Sou advogado há mais de vinte anos. Mas, antes de tudo, sou filho, irmão, pai, corinthiano e tenho uma história construída muito antes de qualquer cargo. Uma história que jamais colocaria em risco por qualquer vantagem indevida.

Fico muito preocupado em ver que uma acusação dessa gravidade, baseada em um trabalho que, embora tecnicamente imprestável, não afirma que houve qualquer desvio de materiais por mim, distribuída no final do expediente de uma quarta-feira, às vésperas de um feriado prolongado, produziu efeito concreto: minha reputação ficou exposta por dias à interpretação pública, minha família sofreu todos esses dias, enquanto a defesa, pelo próprio funcionamento da Justiça, somente poderia atuar adequadamente após a regular distribuição e tramitação do feito.

Isso é grave. Não apenas pelo dano pessoal, mas pelo método. Quando uma acusação passa a circular antes do processo, a reputação de uma pessoa fica exposta antes mesmo que ela possa exercer plenamente sua defesa.

Reputação não é vaidade. É patrimônio moral. É aquilo que se constrói ao longo de uma vida e que deve ser defendido com serenidade, firmeza e verdade.

Por isso, considero meu dever esclarecer os fatos, reafirmar minha tranquilidade de consciência e deixar claro que jamais pratiquei qualquer ato ilícito contra o Sport Club Corinthians Paulista.

Por isso, afirmo com absoluta clareza: nunca desviei qualquer material do Sport Club Corinthians Paulista.

Não corresponde à verdade a narrativa de que eu teria me apropriado de 131 materiais do clube. A acusação sequer teve o cuidado de ver que desses 131 materiais, 62 itens sequer saíram do Corinthians; 6 itens foram destinados para o segurança de confiança do Presidente Osmar, Fernando; 2 malas foram destinadas para o Leonardo Pantaleão. Há equívocos que já foram explicados e continuarão sendo esclarecidos. O próprio documento interno produzido no âmbito do Corinthians não afirma que eu tenha praticado desvio, apropriação ou qualquer conduta dessa natureza. Também o inquérito policial não concluiu pela existência de desvio de materiais por minha parte.

Infelizmente, faltou firmeza da instituição, por meio de seu presidente, em esclarecer esse ponto para a torcida, sócios e conselheiros. Faltou vontade, de quem poderia fazê-lo, para encerrar de vez uma narrativa falsa, injusta e destrutiva. Uma acusação dessa merece uma posição do clube para toda a nação e não apenas em roda de sócios, amigos e alguns torcedores.

Ninguém que conheça minimamente minha trajetória pode acreditar, de boa-fé, que eu colocaria em risco minha vida, minha família, minha profissão, minha reputação e meu nome por materiais do clube. O Corinthians é grande demais para ser tratado com leviandade. E minha história é séria demais para ser reduzida a uma acusação que não corresponde à verdade.

Também é preciso dizer, com serenidade e firmeza, que não se pode atribuir a mim suposta “gestão temerária” sobre área que não estava sob minha responsabilidade direta e que não integrava minhas atribuições institucionais. A vice-presidência que exerço não se confundia com gestão operacional de almoxarifado, controle de estoque, distribuição ou baixa de materiais esportivos.

Responsabilidade não se presume por aproximação, conveniência narrativa ou necessidade de encontrar um nome. Responsabilidade exige fato, atribuição, competência, conduta e prova.

Sempre defendi uma apuração profissional, séria, independente e tecnicamente responsável. Pedi que o Corinthians contratasse empresa especializada para realizar esse trabalho. Também pedi auditoria contábil. Meus pedidos não foram atendidos pelo presidente, quem, de direito e de fato, é responsável pelo SCCP. Por conta disso, pedi por conta própria, por meio de empresa renomada e especializada, que fosse analisado o trabalho que o presidente pediu para quem não tinha capacitação técnica fazer. A conclusão é desastrosa. Chega de amadorismo. Chega de tratar o Corinthians com tanto desrespeito.

Repudio, ainda, a divulgação seletiva de trechos de supostas conversas privadas, gravadas clandestinamente, ocorridas há muitos meses, em setembro de 2025, e trazidas a público apenas agora, sem que se conheça sua integralidade, seu contexto, sua cadeia de custódia e sua validação técnica. Conversas privadas, quando registradas sem ciência dos envolvidos, fragmentadas e apresentadas em recortes convenientes, podem servir menos à verdade e mais à destruição de reputações.

Se alguém, há mais de oito meses, registrou uma conversa privada às escondidas, guardou esse material, selecionou trechos e somente agora o trouxe a público, esse método, por si só, revela muito sobre sua real intenção. Quem busca a verdade procura esclarecer os fatos no momento próprio. Quem grava, guarda, recorta e divulga apenas quando isso se torna politicamente conveniente não contribui para a Justiça. Contribui para o linchamento moral.

Não temo a verdade. Nunca temi. O que me preocupa é que este episódio já deixou de ser apenas sobre mim. Ele passou a representar uma reflexão maior: se pessoas honestas, profissionais qualificados, empresários, conselheiros e associados que desejam ajudar o Corinthians passarem a acreditar que qualquer divergência política pode resultar em campanhas de desgaste, acusações precipitadas e julgamentos públicos antes mesmo da produção de provas, quem continuará disposto a servir ao clube? Os Romeus, Leonardos, Marcelos da vida?

Fazer o bom combate é difícil quando alguns escolhem brigar na lama. Eu não me sujeito a esse tipo de disputa. Não descerei ao nível de quem prefere a insinuação à prova, o recorte ao contexto, a lama ao debate leal.

Em momentos difíceis, fiz escolhas difíceis. Ao levar à tona a gravidade dos fatos envolvendo o caso Vai de Bet, sei que fiz inimigos. Quando tomei conhecimento daqueles fatos, minha consciência não me permitiu outro caminho. Rompi imediatamente.

Cada pessoa sabe o tempo de suas decisões e o peso de seus silêncios. Não me cabe julgar a consciência de ninguém. Mas é importante lembrar que nem todos se posicionaram no mesmo momento. Houve quem demorasse, houve quem permanecesse próximo e houve até quem aceitasse funções depois de fatos graves já conhecidos. Hoje, alguns falam em moralidade como se sempre tivessem estado no mesmo lugar desde o primeiro instante.

Digo isso sem arrogância e sem pretensão de superioridade. Apenas registro um fato: minha posição foi tomada quando precisava ser tomada, não quando passou a ser conveniente tomá-la. E sei que hoje pago um preço caro por isso.

A política faz parte da vida em sociedade e dos clubes associativos. O problema não está na política em si, mas na forma como ela é praticada. A boa política constrói, aproxima, dialoga e serve. A má política destrói, generaliza, acusa e tenta vencer pelo desgaste moral do outro.

O Corinthians não pode ser usado como trampolim para interesses pessoais, projetos externos, disputas de poder ou narrativas que reduzam sua grandeza institucional.

Nunca acreditei em salvadores individuais. Nem dentro, nem fora do clube. O Corinthians não será salvo por uma pessoa, por um grupo ou por uma narrativa. A saída para o Corinthians será sempre coletiva: dirigentes, conselheiros, associados, profissionais e torcedores trabalhando com responsabilidade, transparência e respeito.

Minha luta por aquilo que considero correto continuará. Não aceitarei que este tipo de jogo, cujo objetivo é afastar pessoas que podem ajudar o Corinthians, prevaleça. Quem tem reputação a preservar tem muito mais a perder do que a ganhar ao se expor. Mas há momentos em que o silêncio pode ser confundido com conformismo, e a serenidade precisa vir acompanhada de clareza.

Tenho absoluta convicção de que ficará demonstrado outra vez que nunca cometi qualquer ilícito contra o Sport Club Corinthians Paulista.

E tenho, acima de tudo, a consciência tranquila de quem pode olhar para sua família, para sua história, para os conselheiros e para a torcida corinthiana e afirmar: jamais colocaria meu nome, minha vida e minha honra em jogo por qualquer vantagem indevida, muito menos por materiais de um clube que sempre procurei respeitar.

Por coerência, em respeito ao Corinthians, aos corinthianos, aos meus amigos de Conselho, aos colaboradores do clube e à minha família, informo que solicitei perante os órgãos internos minha licença do cargo de 2º vice-presidente do Sport Club Corinthians Paulista.

Não por reconhecer qualquer culpa. Porque não há culpa a reconhecer. Não por medo. Porque não tenho nada a temer. Mas porque acredito que, em determinados momentos, servir ao Corinthians significa colocar o clube acima de si mesmo.

Não tenho apego ao cargo. Tenho apego aos meus princípios e aos meus ideais.

Ao Corinthians devo respeito. À minha família devo proteção. À minha consciência devo fidelidade. E é com ela absolutamente tranquila que sigo adiante.

A vida exige coragem. Para servir ao Corinthians, é preciso ter coragem. E eu não estarei ao lado de quem tenha medo de arapongas. Para liderar essa nação, há necessidade de firmeza e convicção.

São Paulo, 08 de junho de 2026.

Armando Mendonça

Veja mais em: Diretoria do Corinthians.

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