Processo de impeachment contra Stabile avança no Corinthians; presidente terá prazo para defesa
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Por Felipe Sales e Rodrigo Vessoni
Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians, deu um prazo de dez dias para Osmar Stabile apresentar a sua defesa no processo de impeachment
Jhony Inácio / Meu Timão
O pedido de impeachment contra o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, avançou dentro dos órgãos internos do Parque São Jorge. A solicitação, apresentada por um grupo de associados e conselheiros, aponta supostas irregularidades na gestão do dirigente, classificadas pelos autores como temerárias e incompatíveis com as normas que regem o clube. A informação é do Meu Timão.
Como soube a reportagem, o presidente em exercício do Conselho Deliberativo (CD), Leonardo Pantaleão, recebeu o retorno da Comissão de Ética e Disciplina (CE) e concedeu prazo de dez dias úteis para que Osmar Stabile apresente sua defesa.
Conforme prevê o Estatuto do clube, após a manifestação do dirigente, a Comissão de Ética elaborará um parecer que será submetido ao Conselho Deliberativo. Caso os conselheiros aprovem o prosseguimento do processo, a decisão final caberá aos associados em Assembleia Geral (AG). Vale lembrar que o mandato atual de Stabile se encerra em dezembro de 2026.
No pedido protocolado em abril deste ano, ao qual a reportagem teve acesso, os autores apontam supostas violações ao Estatuto do clube, à Lei Geral do Esporte (LGE) e a normas de governança, além de questionarem atos administrativos da atual gestão.
O grupo é composto por conselheiros, associados e ex-dirigentes do Corinthians. Entre os signatários, estão os membros do CD Antonio Roque Citadini, Alexandre Germano, Fernando Perino, Marcelo Kahan Mandel, Yun Ki Lee, Peterson Ruan, além dos associados Cyrillo Cavalheiro Neto, Felipe José Mendes da Silva, José Augusto Mendes e Wilson Canhedo Júnior.
Um dos principais pontos do documento envolve o acordo firmado entre o Timão e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para equacionar uma dívida estimada em R$ 1,2 bilhão. Segundo o pedido, o clube utilizou o Parque São Jorge como garantia da negociação, com o conjunto de imóveis avaliado em R$ 602,2 milhões.
Os autores sustentam que a medida teria sido adotada sem observar exigências estatutárias que determinam aprovação prévia por parte dos órgãos internos do clube. O texto ainda argumenta que a utilização da sede social como garantia configura oneração patrimonial, uma vez que o imóvel poderia ser executado em caso de inadimplência.
O pedido também menciona uma declaração atribuída a Osmar Stabile, na qual ele teria afirmado que, caso sua gestão não desse certo, o Parque São Jorge poderia se transformar em “um monte de prédios e apartamentos”.
Em outro trecho, a representação trata da falta de respostas da diretoria a requerimentos apresentados por conselheiros e associados. Entre os temas citados, estão a manutenção da Neo Química Arena, a substituição da administradora do Fundo de Investimento Imobiliário (FII) Arena, a política de distribuição de ingressos e credenciais, a contratação de empresa de segurança armada e esclarecimentos sobre o Censo Timão.
Os autores também apontam supostas irregularidades administrativas envolvendo a existência de funcionários fantasmas. O documento cita declarações do próprio presidente, que afirmou ter identificado pessoas vinculadas aos centros de custo do futebol e da base que não exerciam atividades nos respectivos departamentos.
Por fim, o grupo questiona a ausência de divulgação dos balanços financeiros. Segundo o pedido, o último demonstrativo publicado pelo clube em seu portal oficial refere-se a novembro de 2025. Os autores alegam que a falta de atualização compromete a transparência, dificulta a fiscalização dos associados e pode configurar descumprimento de obrigações previstas no Estatuto e na Lei Geral do Esporte. Porém, nos últimos meses, o clube do Parque São Jorge voltou a divulgar os seus demonstrativos no site oficial.
Após a conclusão da análise da Comissão de Ética, caberá ao Conselho Deliberativo decidir sobre o andamento do processo. Em caso de aprovação do impeachment, será convocada uma Assembleia Geral dos associados, responsável pela decisão definitiva sobre uma eventual destituição de Osmar Stabile. Neste cenário, o segundo vice-presidente, Armando Mendonça, assumiria o cargo.
