Zagueira admite incômodo com gols sofridos e cobra equilíbrio defensivo no Corinthians
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Por Felipe Sales e Daniel Keppler

Erika marcou o primeiro gol do Corinthians diante do Santos
Diego Soares /Agência Paulistão
O Corinthians empatou com o Santos por 2 a 2 na última quinta-feira, na Fazendinha, em duelo válido pela terceira rodada do Campeonato Paulista Feminino. As Brabas saíram atrás do placar, mas buscaram o empate com Erika apenas quatro minutos após o gol adversário. No segundo tempo, as comandadas de Emily Lima chegaram à virada, porém, sofreram o empate na reta final do Clássico Alvinegro.
Apesar de voltar a balançar as redes depois de quase dois meses, a zagueira destacou que trocaria o gol pela vitória. Erika ainda comentou que o Timão precisa encontrar uma solução para equilibrar o ímpeto ofensivo com a solidez defensiva, algo que, segundo ela, depende de toda a equipe e não apenas do sistema defensivo.
“Talvez eu não quisesse ter feito o gol e ter esse empate aí. Doeu um pouquinho. A gente tem que saber qual é a circunstância da partida. A gente não está sabendo lidar com isso. A gente só quer atacar, atacar, atacar. Precisamos entender que temos que compactuar um pouco mais, rodar melhor essa bola, mas com muito mais cuidado, com cautela, e chegar com desejo, com ‘tesão’. Mas acho que estamos num ímpeto tão grande de ‘eu quero fazer gol, quero fazer gol’ que acabamos ficando um pouco mais expostos atrás. Acho que a gente tem que começar a entender melhor o jogo. Por outro lado, menos mal que não saímos com a derrota daqui, mas fico triste sim, porque é um empate que deixa um gosto um pouco amargo. Então, espero que a gente retome os próximos jogos sabendo lidar melhor com isso e fazendo uma partida melhor”, iniciou em entrevista na zona mista após o confronto.
Erika não marcava desde o dia 23 de março, quando o Corinthians goleou o América-MG por 4 a 0, na Neo Química Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Este foi apenas o segundo gol da defensora na temporada, em 13 partidas disputadas.
Nos últimos cinco jogos, o Corinthians só passou sem sofrer gols em uma ocasião. A zagueira admitiu preocupação com a queda de rendimento defensivo e reforçou a necessidade de a equipe atuar de maneira mais compacta quando perde a posse da bola. Além disso, revelou que a técnica Emily Lima tem buscado novas alternativas para dar mais sustentação defensiva às Brabas.
“Não digo nem em mim. Quando a gente fala defesa, a gente tem que falar a equipe inteira. É um jogo de dez para um lado, dez para o outro, em que a gente precisa estar compacto, a gente precisa entender realmente como que as outras equipes jogam, porque a gente quer atacar. Isso é Corinthians e a gente sabe disso. E acaba deixando um pouquinho as duas zagueiras, não importa quem esteja ali jogando, um pouquinho mais exposta. E a gente ataca muito com as duas laterais. Enquanto uma está, outra tem que estar batendo lá na área também. Então, para isso, a gente tem que deixar uma jogadora ali, que a gente fala que é o nosso 'cãozinho de guarda', uma volante mais fixa para ajudar a gente, porque, em um contra-ataque, está todo mundo estudando como o Corinthians joga”, analisou.
“Tomar gol, infelizmente, faz parte. Eu não gosto. Eu escutei recentemente de uma das atletas, foi até uma brincadeira entre a gente, que ela falou: ‘Antes eu era atacante e a gente tomava gol, eu não sentia tanto assim'. Pô, tomamos gol, não sentia tanto. Hoje, eu estou mais ali na linha defensiva e eu sinto muito quando tomo um gol. Imagina a gente que está ali jogando o tempo inteiro. Qualquer gol, eu sinto muito, eu sinto muito. Eu levo para o outro jogo, porque eu falo: ‘Não posso tomar desse jeito, a gente não pode tomar desse jeito’. A gente vem estudando e trabalhando um sistema diferente com a Emily, de recompor, de correr para trás, de esperar. Eu acho que, às vezes, a gente tem que entender um pouquinho mais, porque eu não estou gostando também de tomar gol”, complementou.
No recorte recente, considerando partidas do Paulistão e do Campeonato Brasileiro, o Corinthians sofreu oito gols nos últimos cinco jogos. A sequência começou com a derrota por 2 a 1 para o São Paulo, pelo Estadual. Depois, o Timão voltou a ser vazado na vitória por 2 a 1 sobre o próprio São Paulo, desta vez pelo Brasileiro. A única partida sem sofrer gols foi na goleada por 6 a 0 diante do Red Bull Bragantino, pelo Paulista. Na sequência, as Brabas perderam para o Cruzeiro por 3 a 2, no Brasileirão, até o empate por 2 a 2 diante do Santos.
Durante o clássico, o Corinthians alternou momentos de altos e baixos. O melhor período da equipe aconteceu logo após o intervalo. Erika contou que as atletas receberam cobranças da comissão técnica no vestiário, principalmente em relação às tomadas de decisão ofensivas. A defensora ainda destacou que, no Timão, sempre haverá cobrança por melhora e mais eficiência nas chances criadas.
“Foi só um pouquinho no início, porque depois... A gente sempre toma aquele xinguinho de que a gente precisa chutar, de que a gente precisa se movimentar mais, chegar com mais gente dentro da área. Corinthians é desse jeito. Se você for ver, a gente perde uma partida, mas nós fomos as que mais chutaram no gol, as que mais fizeram com que a outra zagueira, a defensora, a goleira trabalhasse. E, às vezes, não entra essa bolinha e, do nada, a gente toma um gol que amarga. Mas ela vive falando: 'A gente tem que chegar, a gente tem que colocar muitas ali dentro da área, fazer a goleira trabalhar'. É isso que a gente precisa mais: ser mais eficiente, porque chegar, a gente chega, a gente tem um volume de jogo gigantesco. Como a Emily colocou, as duas laterais têm que bater na área. Você olha para trás, tem só duas zagueiras, estourando uma volante ali e, se a bola sobrar... Então, as outras equipes já estão começando a entender isso e traz esse contra-ataques. A gente tem que entender que tem que compactar, ficar ligado, só que ser mais eficiente”, comentou.
Apesar das oportunidades desperdiçadas ao longo dos jogos, o Corinthians ostenta o melhor ataque do Paulistão, com nove gols marcados em três partidas. O mesmo cenário se repete no Campeonato Brasileiro, onde a equipe soma 27 tentos em 11 jogos.
Emily Lima tem utilizado as primeiras rodadas do Estadual para rodar o elenco e dar espaço às atletas que possuem menos minutos na temporada. Para Erika, isso demonstra a força e a qualidade do grupo. A zagueira rechaçou a ideia de que as mudanças estejam colaborando para o início irregular da equipe no Estadual e reforçou que a equipe segue focada em vencer.
“Não é em peso, não. A gente está tentando fazer o nosso melhor futebol. Infelizmente, às vezes, não dá certo. A gente tem que corrigir bastante ainda. A gente vem corrigindo. Vem de pouquinho em pouquinho. Ela (Emily) está dando oportunidade para todo mundo jogar. Isso é essencial para a nossa equipe. A gente tem um elenco extraordinário. Um elenco está jogando normalmente o Paulista, outro elenco está jogando o Brasileiro. Mas, no decorrer dos dois campeonatos, a gente está focada demais para ganhar. A gente entra para levar três pontos. Infelizmente, em alguns jogos, a gente não consegue, mas a gente está buscando. E a gente não vai deixar de buscar”, finalizou.
Atualmente, o Corinthians ocupa a segunda colocação do Paulistão, com quatro pontos conquistados em três partidas, somando uma vitória, um empate e uma derrota. A equipe fica atrás apenas da Ferroviária, que venceu os três jogos disputados e lidera a competição com nove pontos.
As Brabas voltam a campo na próxima segunda-feira, dia 25 de maio, pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro, quando o Corinthians recebe o Mixto, às 21h, no Canindé.