Executivo do Corinthians revela que Memphis aceitou redução salarial para renovar
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Por Felipe Sales
Memphis Depay está nos últimos 45 dias de contrato com o Corinthians
Rodrigo Coca / Agência Corinthians
O atacante Memphis Depay vive os últimos 45 dias de seu contrato atual com o Corinthians. Recentemente, o clube do Parque São Jorge tem buscado parceiros para assumir os vencimentos do holandês em busca de uma renovação. Segundo Marcelo Paz, executivo de futebol do Timão, o camisa 10, inclusive, compreendeu que, para um acordo ser fechado, terá de aceitar uma redução salarial.
“Todo mundo sabe que, para a permanência dele, vai ter que ser um contrato diferente do atual. Não vão ser os mesmos números, nem a mesma condição. Ele sabe disso, já entendeu e estamos buscando viabilizar essa permanência. Ele entendeu claramente e aceitou que, para permanecer no clube, o contrato não será repetido. Vai ter que ser uma condição menor, consideravelmente diferente da atual. Ele já compreendeu isso, e agora estamos buscando viabilizar essa situação com parceiros”, comentou em entrevista para o canal Derby Todo Dia.
O atual contrato de Memphis, assinado em setembro de 2024, prevê o pagamento de luvas, bônus por títulos, participação em jogos, gols e assistências, além de salários e direitos de imagem, estimados em cerca de R$ 3 milhões mensais. A patrocinadora máster do Corinthians, Esportes da Sorte, era responsável por parte dos vencimentos do jogador, mas, após a renovação do acordo com o clube no início do ano, o valor aproximado de R$ 57 milhões deixou de ser destinado exclusivamente ao contrato do atacante.
Diante da complexidade da negociação, a diretoria alvinegra abriu conversas com empresas dispostas a assumir 100% dos vencimentos do holandês. Como publicou o Meu Timão, atualmente o clube do Parque São Jorge conversa com duas companhias para viabilizar um novo vínculo, sendo uma delas justamente a Esportes da Sorte. Além disso, como revelou o portal, Corinthians e Memphis Depay já alinham pendências envolvendo o futuro vínculo. O acordo discutido entre as partes prevê uma renovação contratual por mais duas temporadas.
Um mês de Fernando Diniz

Fernando Diniz chegou ao Corinthians em 6 de abril de 2026
Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Nesta quarta-feira, o técnico Fernando Diniz completa um mês à frente do Corinthians. Para Marcelo Paz, apesar do pouco tempo de trabalho, o treinador já conseguiu implementar parte de sua metodologia, além de apresentar resultados imediatos, algo que era esperado pela diretoria. O dirigente também destacou a identificação de Diniz com o clube.
“O trabalho do Diniz surtiu um resultado muito rápido, e era isso que a gente esperava. Sabíamos que precisávamos de respostas imediatas, devido ao momento do ano, que não era fácil: nove jogos sem vencer, às vésperas da estreia na Libertadores e também de um Dérbi. A resposta tinha que ser rápida. Não dava tempo de qualquer treinador chegar aqui e ainda entender o que é o Corinthians, como funciona, quem são os jogadores, onde se treina e quem são os profissionais. O Diniz já tinha mais de meio caminho andado, porque conhece o clube, conhece o futebol brasileiro, jogou no Corinthians, mora na Zona Leste e entende o que é o corinthianismo. Isso também tem importância”, explicou.
“O “vai, Corinthians” dele não é por acaso; é de alguém que sabe o efeito que isso causa, que mobiliza e toca o coração do torcedor. E ele faz isso de forma natural, não apenas na frente das câmeras, mas também no dia a dia — o que mostra que é algo genuíno. Acima de tudo, ele conseguiu mobilizar rapidamente o grupo e implementar alguns conceitos. Ainda não dá para dizer que, em um mês, todos os conceitos do Diniz foram assimilados, ainda não foram. Como você bem falou, foram oito jogos em um mês, com pouquíssimo tempo para treinar e colocar conteúdo em campo, embora ele trabalhe muito também com vídeo, análise pós-jogo e estudo do adversário. Tenho acompanhado isso junto com a comissão técnica e com o Julio”, detalhou.
Além de ter sido criado na Zona Leste de São Paulo, próximo à sede social do Corinthians, Fernando Diniz também soma passagem pelo Timão como jogador entre 1997 e 1998. Ele fez parte do elenco campeão paulista em 1997 e integrou a base da equipe bicampeã brasileira e mundial nos anos seguintes. Outro reforço fora das quatro linhas foi o ex-goleiro Julio Cesar, multicampeão pelo clube, que assumiu o cargo de gerente de futebol em meados de abril.
Dentro de campo, o Corinthians pode garantir vaga antecipada no mata-mata da Libertadores nesta quarta-feira, quando enfrenta o Independiente Santa Fe, da Colômbia. O Timão vive campanha de 100% de aproveitamento na competição sob o comando de Diniz. Marcelo Paz voltou a elogiar o treinador, avaliou o início do trabalho e também destacou a filosofia de Fernando Diniz de não poupar jogadores.
“O Diniz tem uma forma diferente de encarar o futebol, e todos sabem disso. Algo que percebo no dia a dia é que ele não trabalha com essa ideia de dosar elenco. Tanto que tem repetido a equipe em vários jogos. Quando não repetiu, foi por lesão ou suspensão. Ele acredita que o time precisa jogar o máximo possível e que jogador feliz se lesiona menos. Esse é um conceito dele. Desde o início, ele disse: “Vou treinar mais e vamos ter menos lesões”. Ele tem uma relação muito próxima com o departamento médico, baseada também em feeling. Respeita a fisiologia e as informações recebidas, mas a decisão final é sempre da comissão técnica”, iniciou.
“Não há, portanto, uma diretriz de rodar elenco. Ele acredita que é possível manter rendimento sem aumentar o risco de lesões, pela forma de trabalho e pelo vínculo que cria com os jogadores. Em uma coletiva, ele disse algo que me marcou: “Nem tudo é sobre medir, também é sobre sentir”. Isso passa muito pela percepção e convivência diária. A ideia dele é repetir o que entende como melhor, buscando resultado sem gerar desgaste excessivo. E, nesses jogos iniciais, tem funcionado. Então, vejo um trabalho muito positivo inicialmente, até surpreendente: sete jogos sem sofrer gols, três vitórias na Libertadores, todas por 2 a 0”, completou.
Atualmente, o clube do Parque São Jorge lidera o Grupo E da Libertadores, com nove pontos em três jogos. Caso vença o Santa Fe, às 21h30, no Estádio El Campín, garantirá vaga antecipada nas oitavas de final. Ao todo, Fernando Diniz soma oito jogos pelo Timão, com cinco vitórias, dois empates e uma derrota. Das oito partidas, o treinador rodou o elenco apenas uma vez, na vitória por 1 a 0 sobre o Barra-SC, no dia 21 de abril, na Ressacada, pela ida da quinta fase da Copa do Brasil.
Por outro lado, a campanha no Campeonato Brasileiro ainda não deslanchou. O Corinthians ocupa a 17ª colocação, abrindo a zona de rebaixamento, com 15 pontos em 14 partidas. Mesmo diante das dificuldades, Paz garantiu que o clube está mobilizado para melhorar a situação na tabela.
“No Brasileiro, tivemos a primeira derrota. E, entrando na sua segunda pergunta, não existe dentro do Corinthians esse negócio de “focar em uma competição e deixar o Brasileiro de lado”. Sabemos que a campanha no Brasileiro está abaixo, que é ruim. Nos últimos anos, o Corinthians tem deixado a desejar nesse aspecto, vivendo na corda bamba, em uma tensão que não condiz com o tamanho do clube, a grandeza do elenco e o trabalho desenvolvido. Posso dizer ao torcedor que há um foco muito grande em sair logo dessa situação. Perdemos o último jogo, que, se vencido, nos colocaria em décimo lugar. Já havia essa mobilização para sair dessa faixa complicada. Não conseguimos. Não foi um bom jogo, mas garanto que há muito foco no Brasileiro e a convicção de que, em breve, vamos sair dessa situação incômoda”, analisou.
A próxima oportunidade do Corinthians de deixar a zona de rebaixamento será no domingo, dia 10 de maio, quando recebe o São Paulo, às 18h30, na Neo Química Arena, pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. Uma vitória pode levar o clube do Parque São Jorge até a décima colocação, dependendo da combinação de resultados.
Oscilação e comportamento de André Luiz

André Luiz em ação durante jogo do Corinthians na Libertadores
Ronaldo Barreto / Meu Timão
Em outro momento, Marcelo Paz relembrou todo o episódio envolvendo a proposta do Milan, da Itália, pela contratação do volante André Luiz. Segundo o executivo, o interesse do futebol europeu em jovens em ascensão no Brasil é algo natural e, inevitavelmente, por conta do planejamento orçamentário do clube, o Corinthians terá de realizar vendas nos próximos meses.
“A situação do André é algo natural no futebol. Hoje, o maior ativo de um jogador é a minutagem. E quem tem mais valor é o jovem com minutos em campo. O André se encaixa nisso: jovem, com talento, força e sequência de jogos, assim como outros, como o Bidon. O Kayke também vinha nesse caminho, até sofrer a lesão. Propostas são naturais. No Corinthians, tudo ganha uma proporção enorme. O que percebi foi o surgimento de narrativas que não condiziam com a realidade: valores, condições, percentuais. Minha intenção na coletiva foi esclarecer: a proposta é essa, o número é esse, a condição é essa. Para que críticas ou elogios fossem baseados na verdade”, comentou.
No fim de fevereiro, o Corinthians havia encaminhado a venda do jogador de 19 anos ao Milan, em uma negociação que poderia render até 17 milhões de euros (cerca de R$ 103 milhões na cotação da época) aos cofres alvinegros. O acordo, porém, acabou interrompido antes da conclusão, após uma reavaliação interna e repercussão negativa entre torcedores.
“A decisão de venda não é minha, é institucional. O clube precisa cumprir orçamento, essa é uma prerrogativa do presidente. Quando me contratou, deixou claro que trabalharíamos com limitações financeiras, buscando montar elenco sem grandes investimentos e com possibilidade de vendas. O futebol é dinâmico. O cenário muda rapidamente, e o clube precisa saber valorizar seus ativos. Todo esse episódio valorizou ainda mais o André. Ele é um jogador jovem, com projeção, personalidade e mercado. Em algum momento, pode surgir uma proposta interessante — não sei quando —, mas ele é um ativo valioso”, completou.
Vale lembrar que o Corinthians estabeleceu uma meta de arrecadação de R$ 151 milhões com venda de jogadores no orçamento de 2026. Até o momento, o clube ainda não negociou atletas nesta temporada, mas já recusou investidas por peças importantes como Hugo Souza, Matheuzinho e Yuri Alberto. Também é importante destacar que as principais janelas de transferências do futebol europeu se iniciam em julho.
Após a negociação frustrada, além de uma queda de rendimento, André Luiz acumulou expulsões em sequência, uma por gesto obsceno em direção ao adversário e outra por entrada violenta. Segundo Marcelo Paz, porém, esses episódios não têm relação direta com a situação envolvendo o Milan, e fazem parte de um processo natural de amadurecimento do volante.
“No futebol, muitas vezes se busca uma relação direta de causa e efeito para situações que são mais complexas. No caso do André, não vejo essa relação. Eu acompanho o dia a dia dele — treinos, viagens, comportamento — e não houve mudança de postura em nenhum momento. Nem com proposta, nem com polêmica, nem após gols importantes. Ele é um garoto sério, focado e profissional. Como todo jovem, pode oscilar, seja tecnicamente ou comportamentalmente. Ele está vivendo muitas coisas pela primeira vez: Libertadores, sequência como titular, mudança de treinador”, detalhou.
“Tudo isso impacta. As expulsões fazem parte desse processo de amadurecimento. Houve prejuízo ao time, ele reconheceu, pediu desculpas ao grupo, e isso foi bem resolvido internamente. Mas não vejo relação direta com outros fatores. Ele é o mesmo desde o início do ano. Inclusive, sua titularidade inicial passou por circunstâncias, como a ausência de outros jogadores. Ele aproveitou a oportunidade com personalidade e entregou resultado. Isso também precisa ser considerado”, finalizou.
Após o gesto obsceno em direção a Andreas Pereira no Dérbi contra o Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro, no dia 12 de abril, André Luiz foi punido pelo Corinthians com multa de 10% do salário registrado em carteira, segundo o ge.globo. O episódio aconteceu poucas semanas depois de um caso semelhante envolvendo o volante Allan.
