Ídolo do Corinthians avalia início de Fernando Diniz e comenta chances de título na Libertadores
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Por Victor Bhering e Rafael Jacobucci
O Corinthians vive os primeiros capítulos da era Fernando Diniz. Contratado em 6 de abril, o treinador soma seis partidas à frente da equipe alvinegra, com quatro vitórias e dois empates, além de um dado que chama atenção: o time ainda não sofreu gols sob seu comando.
Ex-atacante do clube entre 1999 e 2002, Luizão avaliou o trabalho do atual comandante e destacou tanto as virtudes quanto os riscos do modelo de jogo adotado. O ídolo relembrou características de Diniz ainda como jogador e fez um paralelo com a proposta atual, ressaltando o ambiente de pressão vivido no Parque São Jorge.
"Gosto do trabalho do Diniz; até brinco que, quando jogava, ele não passava a bola para ninguém, e agora o estilo dele é baseado no toque. No entanto, o Corinthians é um 'barril de pólvora'. Com esse modelo de jogo, um passe errado na defesa pode fazer a torcida perder a paciência. É um risco, pois, no Corinthians, o céu e o inferno estão muito próximos", iniciou em entrevista exclusiva ao Meu Timão.
Na sequência, Luizão aprofundou a análise sobre os desafios de implementar esse estilo em jogos decisivos, especialmente diante da exigência da torcida corinthiana. Para ele, o equilíbrio emocional e a adaptação ao contexto do clube serão determinantes para a continuidade do trabalho.
"Tudo pode acontecer. Em um jogo decisivo, se o time sofrer um gol por conta dessa saída de bola, sabemos como as coisas funcionam por lá. Apesar disso, ele faz um trabalho bonito e é uma excelente pessoa; conheço o Diniz desde 1995. Torço para que ele vá bem, mas sabemos que o Corinthians não é um clube fácil de trabalhar. A cobrança é imensa e a transição entre o sucesso e a crise é muito rápida. É complicado", complementou.
Ao analisar o cenário continental, o ex-camisa 9 adotou cautela ao falar sobre as chances do Timão na Copa Libertadores da atual temporada. Mesmo reconhecendo a força do clube, especialmente jogando em casa, ele ponderou sobre o atual nível da equipe em comparação aos principais candidatos ao título.
"Acho que é difícil; temos que ser realistas. No mata-mata, tudo pode acontecer, mas se formos apontar hoje o Corinthians como favorito ao título, acredito que não somos, infelizmente. Sou muito autêntico. Dá para construir algo e ir em busca, porque o Corinthians, quando joga em casa, tem algo diferente. Temos uma torcida que se diferencia de todas as outras. Compararia apenas com a do Boca Juniors; de resto, a torcida do Corinthians é uma loucura", afirmou.
Luizão também relembrou sua marcante participação na Libertadores de 2000, quando o Corinthians acabou eliminado na semifinal. O ex-atacante destacou seus números expressivos e lamentou a oportunidade perdida, classificando aquela equipe como uma das mais emblemáticas da história do clube.
"Eu fiz 15 gols em 13 jogos. É uma marca incrível; sou, até hoje, o maior artilheiro brasileiro em uma única edição. Acredito que o recorde de gols pode até ser batido, já que hoje o calendário tem mais partidas, mas, em termos de média por jogo, acho muito difícil", disse.
Ainda sobre aquela campanha, Luizão relembrou detalhes da disputa contra o Palmeiras e apontou fatores que, na sua visão, foram determinantes para a eliminação nas penalidades.
"Sempre digo a todos que deveríamos ter vencido o primeiro jogo contra o Palmeiras por uns cinco ou seis gols. No segundo jogo, eu estava em um grande momento e já tinha marcado duas vezes. Eu conseguia segurar a bola na frente, mas, infelizmente, me machuquei. Depois disso, a bola batia e voltava o tempo todo. Acabamos sofrendo aquele gol em uma infelicidade do Adilson — não sei se ele ficou esperando a saída do Dida ou não —, mas são coisas do futebol. É um título que perdemos e que, como estávamos brincando agora há pouco, foi a nossa 'Seleção de 82'", recorda o ídolo.
Ao abordar o atual elenco, Luizão comentou sobre o desempenho de Yuri Alberto, destacando características do jogador e a forma como ele vem sendo utilizado. Para o ex-centroavante, há uma adaptação de função que impacta diretamente na avaliação sobre o atleta.
"Gosto muito do Yuri e digo isso há bastante tempo. Acredito que ele não seja um centroavante de ofício, mas sim um segundo atacante. Por isso, às vezes cobram funções que ele não foi treinado para exercer. Ele cria muitas oportunidades, mas acaba perdendo gols fáceis e marcando os mais difíceis", comentou.
O ex-jogador também projetou o futuro do camisa 9 em nível internacional, acreditando que ele tem potencial para disputar espaço na Seleção Brasileira, apesar da forte concorrência na posição.
"Ele tem plenas condições de brigar por uma vaga na Seleção Brasileira e está construindo uma história muito bonita no Corinthians. Já o vi jogar isolado no ataque, correndo de um lado para o outro enquanto a torcida o criticava. Como ele marcaria gols se a bola não chegava? Cansei de ver partidas em que ele ficava totalmente sozinho na frente. Acredito que ele ainda marcará época no clube", pontuou.
Sobre a possibilidade de o jogador atuar pela seleção italiana para o ciclo da Copa do Mundo de 2030, Luizão destacou que a decisão deve ser bem analisada, levando em conta o cenário atual e as perspectivas futuras no futebol internacional.
"Acho que ele precisa avaliar bem. Mesmo não tendo os centroavantes que tínhamos antigamente, a concorrência aqui ainda é grande. A Itália não disputa uma Copa há algum tempo; já está fora de várias edições seguidas", disse.
"Ele deve olhar para todos os lados. Acredito que a chance dele aqui no Brasil é difícil, mas, se a Itália estivesse na Copa, o cenário seria outro. Daqui a quatro anos, ninguém sabe o que pode acontecer. De repente, o treinador da Seleção Brasileira gosta do futebol dele e lhe dá uma oportunidade; nesse caso, ele terá que escolher", completou.
Por fim, o ex-atacante opinou sobre a situação contratual de Memphis Depay, que tem vínculo com o clube até junho. Luizão defendeu a permanência do jogador, mas com adequações financeiras à realidade do futebol brasileiro.
"Deram muitas regalias a ele, e ele não tem culpa; a responsabilidade é de quem redigiu o contrato e aceitou todas as suas exigências. É um bom jogador? Sim. Vale o que ganha? Para a realidade do nosso futebol, não. Essa é a minha opinião: eu renovaria, mas desde que o contrato se adequasse à nossa realidade financeira. Foram muito amadores ao aceitar tudo o que ele pediu. Repito: ele não tem culpa por isso, mas é o que penso sobre a situação", finalizou.
A equipe alvinegra volta a campo nesta quinta-feira para encarar o Peñarol, do Uruguai. O confronto, válido pela terceira rodada da fase de grupos da Copa Libertadores, acontece às 21h, na Neo Química Arena.