Conselho Fiscal aprova balanço de 2025 do Corinthians com despacho de presidente afastado
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Por Victor Bhering e Daniel Keppler

Parecer aponta um déficit significativo no período e destaca fragilidades na gestão administrativa e contábil
Danilo Augusto / Meu Timão
O Conselho Fiscal (CF) do Corinthians recomendou a aprovação das demonstrações financeiras do clube referentes ao ano de 2025, após reuniões do órgão no Parque São Jorge entre os dias 22 e 23 de abril. O parecer, informado inicialmente pelo ge.globo e obtido pelo Meu Timão, aponta um déficit significativo no período e destaca fragilidades na gestão administrativa e contábil.
O documento aponta que o balanço financeiro de 2025, com déficit de R$ 143,4 milhões, será votado pelo Conselho Deliberativo na próxima segunda-feira. Apesar do rombo expressivo, o órgão seguiu o parecer do Conselho de Orientação (Cori) e optou pela aprovação das contas, justificando a decisão pelo cenário atípico enfrentado pelo clube no último ano.
"Deveríamos considerar que a atual situação administrativa e financeira do SCCP não foi gerada apenas em 2025, mas acumulada de vários exercícios anteriores. Além disso, o ano de 2025 foi extremamente conturbado, caracterizado por uma grave crise administrativa e financeira, agravada pela instabilidade política que culminou no impeachment do presidente em maio daquele ano", destaca o documento.
Um dos destaques da reunião foi a presença de Haroldo José Dantas da Silva. Afastado da presidência do Conselho Fiscal desde o início de abril, ele participou das discussões, mas retirou-se antes da deliberação final.
Haroldo chegou a pedir a palavra durante a apresentação do parecer e informou previamente que se absteria da votação. Mesmo se retirando antes do encerramento da sessão, o conselheiro assinou posteriormente a ata oficial da reunião, formalizando sua participação no processo.
Entre as principais ressalvas apontadas pelo Conselho Fiscal está a ausência de divulgação mensal das demonstrações financeiras, além da necessidade de uma reestruturação profunda e imediata na gestão do clube. O relatório também destaca problemas graves, como a falta de controles financeiros, a ausência de procedimentos documentados e o uso de dinheiro em espécie para pagamentos.
As inconsistências identificadas estão alinhadas às observações da auditoria independente realizada pela Parker Russell, que também apresentou pontos críticos na análise das contas:
- Operação Estruturada - insuficiência de informações para avaliação e divulgação nas demonstrações financeiras da Neo Química Arena;
- Parcelamento PGFN - não adoção do princípio da competência no reconhecimento dos efeitos da Transação Individual PGFN;
- Ausência de controles e de mensuração contábil adequados das rubricas de caixa, fornecedores a pagar, exploração de direitos de imagem e adiantamentos diversos;
- Registro contábil incorreto de ajustes de exercícios anteriores no patrimônio líquido do Clube e ausência de reapresentação das demonstrações financeiras comparativas.
O ponto mais crítico levantado pela auditoria diz respeito ao acordo de transação tributária firmado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). O Corinthians obteve um desconto de 46,6% sobre uma dívida de R$ 1,2 bilhão, reduzindo o valor para R$ 679 milhões. No entanto, a assinatura oficial do acordo ocorreu apenas em fevereiro de 2026, o que, segundo o relatório, compromete a precisão dos números apresentados em 31 de dezembro de 2025, indicando possível subavaliação da dívida e superavaliação do patrimônio líquido.
A diretoria corinthiana defende que o acordo já estava acertado no fim do ano passado, sendo formalizado apenas no início de 2026 por questões operacionais. Ainda assim, o tema permanece como uma das principais ressalvas da auditoria.
Apesar das inconsistências, o CF aprovou as contas por unanimidade, destacando que os problemas financeiros são resultado de gestões anteriores e que o ano de 2025 foi marcado por forte instabilidade política, incluindo impeachment presidencial e novas eleições.
Os números analisados contemplam cinco meses da gestão de Augusto Melo e sete meses sob o comando de Osmar Stabile. Ao fim de dezembro, a dívida bruta do Corinthians estava avaliada em R$ 2,723 bilhões, evidenciando o cenário financeiro desafiador enfrentado pelo clube.