Cori aprova com ressalvas balanço de 2025 do Corinthians; auditoria questiona operação do clube
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Por Matheus Fiuza e Daniel Keppler

As demonstrações financeiras serão votadas na próxima segunda-feira
Rodrigo Vessoni / Meu Timão
O Conselho de Orientação (Cori) do Corinthians aprovou, com ressalvas, as demonstrações financeiras do clube relacionadas ao ano de 2025. O documento, ao qual o Meu Timão teve acesso, aponta déficit de quase R$ 150 milhões no período.
A informação foi divulgada pela Central do Timão. O órgão fiscalizador se reuniu na última quarta-feira e emitiu parecer com observações que será encaminhado a Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do Conselho Deliberativo (CD). Os conselheiros vão se reunir na próxima segunda-feira para aprovar ou rejeitar as contas alvinegras referentes ao ex-presidente Augusto Melo (até maio) e ao mandatário Osmar Stabile.
Os apontamentos surgem em consonância com o relatório da Parker Russell, empresa responsável pela auditoria independente das demonstrações financeiras. A análise faz quatro ressalvas quanto à apresentação da diretoria:
- Operação Estruturada - insuficiência de informações para avaliação e divulgação nas demonstrações financeiras da Neo Química Arena;
- Parcelamento PGFN - não adoção do princípio da competência no reconhecimento dos efeitos da Transação Individual PGFN;
- Ausência de controles e de mensuração contábil adequados das rubricas de caixa, fornecedores a pagar, exploração de direitos de imagem e adiantamentos diversos;
- Registro contábil incorreto de ajustes de exercícios anteriores no patrimônio líquido do Clube e ausência de reapresentação das demonstrações financeiras comparativas.
A principal contestação se refere ao acordo de transação tributária firmado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Nele, o Corinthians garantiu um desconto de 46,6% sobre uma dívida de R$ 1,2 bilhão, reduzindo o valor para R$ 679 milhões e impactando a dívida total em cerca de R$ 217,4 milhões.
No entanto, a auditoria aponta para a data de assinatura do acordo, em 2 de fevereiro deste ano. Desta forma, o saldo da dívida, em 31 de dezembro de 2025, estaria subavaliado, enquanto o resultado do período e o patrimônio líquido estariam superavaliados.
Segundo o ge.globo, a defesa da diretoria corinthiana argumenta que o acordo já estava acertado no fim de 2025, quando a redução da dívida estava reconhecida nos documentos. A assinatura ocorreu apenas no dia 2 de janeiro, uma vez que não houve expediente nos dias 31 de dezembro e 1º de janeiro.
Além disso, a auditoria faz outra indicação quanto ao que classifica como "incerteza relevante sobre a continuidade operacional do clube". A empresa entende que é responsabilidade da administração a elaboração adequada das apresentações financeiras com base nas práticas contábeis do país, além de reforçar o pedido para supervisão da "governança" no clube.
"O restabelecimento da rentabilidade do clube, o retorno ao patrimônio líquido positivo e o incremento de geração de caixa de atividades operacionais, de modo a mitigar (reduzir) o risco de descontinuidade operacional, dependem da implementação bem-sucedida das ações estratégicas e de governança mencionada na nota explicativa nº 1"
"Essas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional do clube — escreveram os auditores", afirmam os auditores.
A dívida bruta do Corinthians está avaliada em R$ 2,723 bilhões, de acordo com o balanço financeiro do clube.