Grupo de conselheiros e associados protocola requerimento contra diretores do Corinthians
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Por Matheus Fiuza e Felipe Sales

Associados e conselheiros que compuseram o pedido de impeachment também protocolarem requerimento contra diretores do Corinthians
Maria Beatriz de Teves / Meu Timão
Um grupo de conselheiros e associados do Corinthians protocolou à presidência do Conselho Deliberativo (CD) um requerimento contra membros da diretoria do Timão, liderada por Osmar Stabile. O documento pede a instauração de procedimento ético disciplinar contra Pedro Luis Soares, diretor jurídico, e William Tapara de Oliveira, diretor jurídico adjunto.
A informação foi divulgada pela Central do Timão e confirmada pelo Meu Timão. A principal contestação é o acordo firmado pelo Corinthians junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para equacionamento de uma dívida estimada em R$ 1,2 bilhão, em que é colocado o Parque São Jorge, sede social do clube, como garantia real, avaliado em R$ 602,2 milhões.
Segundo a solicitação para Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do CD, os diretores teriam agido com omissão e negligência. Isso porque a oneração do patrimônio "exige a mais rigorosa observância das formalidades estatutárias, sendo de conhecimento notório e técnico a necessidade de consulta e aprovação do Conselho Deliberativo".
"A função de um diretor jurídico não se limita a redigir documentos ou analisar contratos, mas abrange, fundamentalmente, a garantia de que todas as ações do Clube estejam em consonância com seu arcabouço legal e estatutário. A falha em alertar e exigir o cumprimento de uma cláusula estatutária tão vital para a proteção patrimonial do Clube demonstra uma conduta que merece ser investigada sob a ótica ética e disciplinar", diz trecho do pedido.
O requerimento é assinado pelos conselheiros Marcelo Kahan Mandel, Antonio Roque Citadini, Fernando Perino, Yun Ki Lee, Peterson Ruan Aiello do Couto Ramos, Edson Di Cresce, José Augusto Mendes e Alexandre Germano, além dos associados Cyrillo Cavalheiro Neto, Wilson Canhedo Júnior, Wanda Aparecida Garcia La Selva, Vinicius Santos de Souza, Felipe José Mendes da Silva e Mauricio Felberg. O grupo, inclusive, já havia citado o tema na solicitação de abertura de impeachment contra Stabile, na quarta-feira.
Além disso, os signatários entendem que houve descumprimento do Estatuto do Corinthians, a partir do artigo 3, parágrafo único, que trata da penhora dos bens imóveis. O grupo ainda cita os artigos 64, 66 e 67 da Lei Geral do Esporte (nº 14.597/2023) ao classificar o ato como gestão irregular ou temerária.
A demanda surge um momento de definições para a atual gestão. Em meio à votação do anteprojeto da reforma do Estatuto no Conselho, marcada para 29 de abril, a diretoria alvinegra planeja reanalisar as demonstrações financeiras de 2024, que teriam impactado diretamente nas contas de 2025. O clube cogita a possibilidade de novas irregularidades após a ausência de R$ 294 mil em “valores não conciliados” no caixa do clube, referentes ao período entre 17 de janeiro e 11 de julho de 2025. De acordo com a LGE, o Corinthians deve publicar as demonstrações financeiras até o fim de abril.